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AR - 5ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE CINEMA ARGENTINO EM LISBOA E NO PORTO

2019-05-02




Esta nova edição do AR, um festival com programação e produção da VAIVEM dedicado ao novo cinema argentino, que vai pela 5ª edição em Lisboa no Cinema São Jorge (20 a 23 de Junho) e que terá a sua 1ª edição no Porto no Cinema Trindade (28 a 30 de Junho), tem como premissa a descoberta de relatos povoados por personagens que habitam as margens sem nunca estar à margem.

Um conjunto enérgico e original de quinze filmes recentes, quase todos inéditos em Portugal, composto por seis propostas muito especiais na ficção, cinco documentários e quatro curtas-metragens, marcas da poética do cinema argentino contemporâneo com os seus mecanismos, linhas estéticas e preocupações artísticas. Uma curadoria do quotidiano onde o que parece residual é “material” e que revela de forma incisiva várias questões políticas, económicas e sociais que emergem na sociedade contemporânea.

Retratos que giram à volta de personagens espessos, captados com inquietude por câmaras íntimas. Uma mulher forte que afirma o prazer e a dor na voluptuosidade da filosofia em Mujer Nómade de Martín Farina ou um velho actor esquecido, residente na Casa del Teatro, uma espécie de Casa do Artista, seguido de perto pelo realizador Hernán Rosselli. Protagonistas que viajam por entre dilemas e mandatos pessoais de mota num subúrbio em El Motoarrebatador de Agustín Toscano, ao campeonato de uma vida em Malambo, el hombre bueno de Santiago Loza ou a Viena atrás da elegia necessária em Introduzione All’Oscuro de Gastón Solnicki. Três homens feridos, porém, sem selos de fatalidade na sua viagem.

Inesquecíveis contos da pós-modernidade, esse imenso reservatório de margens, que indagam sobre os afectos e os seus mistérios através de uma actriz que vai viver com a filha em Julia y el Zorro de Inés María Barrionuevo, de três irmãos pequenos à espera dos pais em El día que resistía de Alessia Chiesa ou de jovens adultos no deambular nocturno e musical por Buenos Aires em Te quiero tanto que no sé de Lautaro García Candela.

O documento, a memória, a contingência da História na história, em ruptura e continuidade, pautam propostas formalmente suis generis como Teatro de Guerra de Lola Arias, na qual se encontra um conjunto de veteranos da Guerra de Malvinas, argentinos e ingleses, 37 anos depois do conflito que ainda está por resolver. Juntas de Laura Martínez Duque e Nadina Marquisio escreve na água a comovedora história do primeiro casal de mulheres a celebrar oficialmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo na América Latina, ou a especialíssima La Película Infinita de Leandro Listorti, um filme feito de filmes que nunca foram terminados.

Nas curtas, quatro olhares bem diferentes, sabiamente compostos, arrojados na forma, universais no epicentro: Volverse aire de Cristina Motta é um grito necessário e urgente contra a violência de género, Mientras las Olasde Carmen Rivoira e Delfina Gavaldá, um singular e astuto coming from age, T.R.A.P de Manque la Banca um ensaio visual e sonoro que invoca o passado para repensar o presente e Y ahora elogiemos las películas de Nicolás Zukerfeld é o mote perfeito para além de uma homenagem às pequenas grandes coisas.

Infatigáveis personagens, espelho de uma sociedade em crise mas que não deixa nunca de vibrar, ambientes e enlaces dramáticos profundamente inspirados tanto quanto arejados. O cinema argentino está vivo e respira-se em Lisboa de 20 a 23 de Junho e, pela primeira vez mas para ficar, no Porto de 28 a 30.

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PROGRAMA | CINEMA SÃO JORGE, LISBOA


Quinta-feira 20
18h — CURTAS: MIENTRAS LAS OLAS, D. Gavaldá, C. Rivoira | VOLVERSE AIRE, C. Motta | T.R.A.P., M. La Banca | Y AHORA ELOGIEMOS LAS PELÍCULAS, N. Zukerfeld
20h — CASA DEL TEATRO, Hernán Rosselli
22h — MUJER NÓMADE, Martín Farina

Sexta-feira 21
18h — TE QUIERO TANTO QUE NO SÉ, Lautaro García Candela
20h — EL MOTOARREBATADOR, Agustín Toscano
22h — JULIA Y EL ZORRO, Inés María Barrionuevo

Sábado 22
18h — JUNTAS, Laura Martínez Duque, Nadina Marquisio
20h — TEATRO DE GUERRA, Lola Arias
22h — EL DÍA QUE RESISTÍA, Alessia Chiesa

Domingo 23
18h — MALAMBO, EL HOMBRE BUENO, Santiago Loza
20h — INTRODUZIONE ALL'OSCURO, Gastón Solnicki
22h — LA PELÍCULA INFINITA, Leandro Listorti