Links

NOTÍCIAS


ARQUIVO:

 


RON GORCHOV (1930–2020)

2020-08-20




O pintor americano Ron Gorchov, cujas telas em forma de “selim” / côncavas desafiavam as noções formalistas da óptica, morreu aos 90 anos em Manhattan, onde viveu e trabalhou ao longo de quase sete décadas. Gorchov fazia parte da geração de artistas de Nova York dos quais se destacam Ellsworth Kelly, Robert Mangold, Frank Stella e Richard Tuttle.

Gorchov nasceu em Chicago em 1930 onde aos quatorze anos de idade iniciou aulas no Art Institute. Após um ano na University of Mississippi, Oxford, ele voltou para sua cidade natal para completar os seus estudos no Art Institute, Roosevelt College, e na University of Illinois. Mudou-se para Nova York com sua esposa e filho em 1953 onde conseguiu imediatamente emprego como instrutor noturno de natação, um trabalho que lhe permitia pintar durante o dia. Por volta de 1960, o artista começou a mostrar o que designou de pinturas "surrealistas abstratas" em Tibor de Nagy e participou numa exposição coletiva no Whitney Museum "Young America 1960: Thirty American Painters Under Thirty-Six".

Inspirado por uma pintura curvilínea de Richard Smith que viu no Museu Judaico, Gorchov encontrou assim o seu formato característico: uma armadura curva coberta de linho ou tela que se origina de uma base retangular, resultando numa leve inclinação tridimensional de superfícies côncavas e convexas. Em 1967, tinha desenvolvido a linguagem com o qual se tornaria reconhecido: uma tela em forma de sela, ponteada por tinta a óleo e duas marcas assemelhadas a olhos, quase simétricas. Gorchov às vezes usava a mão esquerda para o lado esquerdo das peças e mudava para a direita para pintar o outro.

Em 1975, uma exposição individual na Fischbach Gallery e a inclusão do trabalho de Gorchov na Whitney Biennial desse mesmo ano, aumentaram significativamente o seu estatuto; dois anos mais tarde, foi novamente incluído na bienal. Também notável é foi a sua participação em 1976 em "Rooms", a primeira exposição de Alana Heiss no PS1 Contemporary Art Center (atualmente MoMA PS1).

Embora tenha mantido afastado dos olhos do público durante os anos 80 e 90, Gorchov continuou a pintar e a mostrar o seu trabalho. Voltou ao destaque em 2005, quando Vito Schnabel apresentou uma exposição de pinturas naquela que era a primeira apresentação pública em mais de uma década. No ano seguinte apresentou-se uma retrospectiva no PS1. Numa entrevista de 2006 ao Brooklyn Rail, Gorchov disse: “Acho que pintar, por si só, é a forma ideal de criticar os trabalhos que admiramos, porque assim podemos escolher as melhores coisas destes e tentar transformar a nossa obra na próxima obra prima. Para mim isto é um hábito do meu pensamento criativo: construir sobre aquilo que estou a ver, que amo e tentar trazê-lo para um terreno novo e desconhecido.”

Fonte: Artforum