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JAIDER ESBELL (1979–2021)2021-11-05O artista plástico indígena Jaider Esbell, uma estrela em ascensão cujo trabalho vibrante e enérgico combinou habilmente temas ecológicos, místicos e sociopolíticos, morreu em 2 de novembro aos 41 anos. Segundo o portal de notícias brasileiro G1, ele foi encontrado morto no seu apartamento em São Paulo. Esbell havia participado recentemente na 34ª Bienal de São Paulo como curador e artista, tendo o seu trabalho se destacado. O artista autodidata era, além disso, um defensor incansável do seu povo, os Macuxi, em cujo nome ele frequentemente escrevia e fazia campanha. Esbell nasceu em 1979 na Normandia, no noroeste de Roraima, um estado isolado e escassamente povoado que faz fronteira com a Venezuela e onde fica a reserva indígena Raposa Serra do Sol. Formado como geógrafo, trabalhou duas décadas como eletricista numa empresa estatal antes de sair em 2016 para se dedicar à sua arte; no mesmo ano, ganhou o Prémio Pipa, um dos maiores prémios de arte contemporânea do Brasil. Neto adotado da educadora cultural indígena Vovó Bernaldina, que morreu de Covid-19 em junho de 2020, Esbell era um defensor do que ele descreveu como "artivismo" - o conceito de que a arte pode ajudar na luta política pelos direitos indígenas, terra e reconhecimento cultural . Ele abraçou a pintura, desenho, vídeo e performance na sua prática multivalente. “Seja qual for o meio”, Ela Bittencourt escreveu numa resenha do seu trabalho na Artforum no início deste ano, “as obras de Esbell evidenciam uma forte sensualidade terrestre”. Esbell também dirigiu a Jaider Esbell Contemporary Art Gallery, que fundou em Boa Vista, Roraima, em 2013. O governo de Roraima lamentou a sua perda em comunicado, ressaltando que ele “deixa um legado para os valores culturais e artísticos dos povos indígenas”. O Museu de Arte Moderna de São Paulo também emitiu um comunicado sobre a morte do artista, elogiando-o como uma das figuras centrais no movimento de afirmação da arte indígena contemporânea no Brasil, observando que “sempre procurou aumentar a visibilidade da arte indígena contemporânea e a luta do povo Macuxi.” A escultura “Entidades” de Esbell, composta por duas cobras de dez metros de comprimento, está atualmente em exibição no Parque Ibrapuera, em São Paulo, onde as serpentes se suspendem no ar acima do lago do parque. O artista fez uma iteração um pouco menor da obra para o Parque da Redenção, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que foi exibida durante a 28ª edição do festival de artes Porto Alegre no mês passado. Falando em setembro, ele disse ao G1 que a obra “está relacionada a misticismos e figuras mitológicas que não são contempladas pelo cristianismo neopentecostal europeu. É um lembrete de que todos os povos originários têm as suas criaturas gigantescas, a sua importância, os seus signos semióticos, as suas entidades que os protegem e cuidam [deles]. É um convite, continuou ele, “para que todos pesquisem as suas origens, acessem à sua cosmologia, não se afastando de sua própria essência. Que cada um manifeste as suas crenças como deseja para a expansão do mundo.” Fonte: Artforum |














