Inauguração da exposição DIG DIG | PISO 1


Ana Rito "Petits Poèmes Visibles", 2012 | PISO 1


Catarina Mil-Homens "As coisas que eu sei (sem título #1), 2012 | PISO 1


Nuno Sousa Vieira "44 years", 2009 | PISO 1


Vista da obra de Rodolfo Bispo "Museum Shop", 2012 | PISO 1


Vista da obra de Louise Hervé & Chloé Maillet "We do not live on the outside of the globe", 2012 | PISO 1


Sara & André "Encontro de Sara com André", 2012 | PISO 1


Ângelo Ferreira de Sousa "Guerra santa", 2012 | PISO 1


Vista da obra de Hugo Barata "The dying light that glimmers", 2012 (série de desenhos) | PISO 1


Alexandre Farto "CONSOME-TE", 2012 | PISO 1


Tom Jarmusch "Sometimes City", 2011 | PISO 1

Exposições anteriores:

2015-11-11


GERAÇÃO 2015




2015-09-01


TWIST THE REAL




2015-05-15


ABSOLUTELY + The Pogo Collection_screenings




2014-09-18


Devido à chuva a revolução foi adiada




2014-05-15


ART STABS POWER - que se vayan todos!




2014-03-06


Nós




2013-11-14


MOSTRA ESPANHA




2013-09-26


Dive in




2013-05-30


6749/010.013




2013-03-07


THE AGE OF DIVINITY




2012-11-05


CABEDAL | THE OPERA




2012-09-27


DIG DIG: DIGGING FOR CULTURE IN A CRASHING ECONOMY




2012-06-05


LIMBO




2012-04-12


O PESO E A IDEIA




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SUBTLE CONSTRUCTION | PANÓPTICO




2011-09-29


INFILTRATION // Le privilège des chemins




2011-06-22


AT THE EDGE OF LOGIC




2011-05-04


O QUE PASSOU CONTINUA A MUDAR




2011-03-17


UMA IDEIA NOVA DECLINA-SE FORÇOSAMENTE COM UMA DEFINIÇÃO INÉDITA




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A CORTE DO NORTE




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Pieces and Parts




2010-09-14


Tough Love - uma série de promessas




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De Heróis está o Inferno cheio (Piso 1) / If I Can't Dance, I Don't Want to be Part of your Revolution (Piso 3)




2010-04-07


Marginalia d'après Edgar Allan Poe (Piso 3)/Play Them (Piso 1)




2010-01-18


Objet Perdu




2009-11-12


Colectivo [Kameraphoto] (Piso 1) | VOYAGER (Piso 3)




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HEIMWEH_SAUDADE




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AGORA LUANDA - Kiluanje Liberdade e Inês Gonçalves




2009-03-21


A Escolha da Crítica




2009-01-14


Convite Cordial




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DIG DIG: DIGGING FOR CULTURE IN A CRASHING ECONOMY


Curadoria de Patrícia Trindade



Com a participação de Alexandre Farto, Ana Rito, Ângelo Ferreira de Sousa, Catarina Mil-Homens, Hugo Barata, Louise Hervé & Chloé Maillet, Nuno Sousa Vieira, Rodolfo Bispo, Sara & André, Tom Jarmusch



2012. Ano lendário de previsões apocalípticas. Ano de contenção, de austeridade, de crise. Com um cenário desolador de crescimento do desemprego, da dívida, de juros e de compromissos que se têm de cumprir “custe o que custar”. Vendemos os recursos básicos do nosso país, hipotecamos a educação e dizemos que afinal a saúde não é para todos, é para quem pode pagar. Neste contexto, a cultura (refiro-me aqui sobretudo às artes visuais), tal como a economia, está a estagnar mais rapidamente do que se esperava. Há pouco tempo atrás, ninguém calculava que hoje, a cultura, “ (…) estivesse em vias de extinção.”(1)


Haverá lugar para a produção artística no meio desta crise financeira? Qual o papel a desempenhar pelo artista nestas circunstâncias? Qual a posição da arte numa sociedade comandada pela direita?


Perante o cenário sombrio que se tem vindo a desenhar, onde as únicas regras aplicadas são as do capital, a cultura ficará sempre em segundo plano. Contudo, no meio da penumbra, é fundamental encontrar luz ao fundo do túnel. Para isso, é preciso escavar: DIG DIG é uma proposta expositiva que pretende refletir acerca do passado e futuro da cultura. Os artistas convidados mergulharam no universo de referências do século transato para as trazer a debate e as desconstruir, assumindo os trabalhos, na sua maioria sítio-específicos, como cápsulas do tempo. De um tempo em que a palavra cultura era sinónimo de civilização, de valores, de conhecimento, enfim, de um modo de vida.


 Os trabalhos apresentados nesta exposição são um testemunho do pensamento, da identidade, da cultura e do contexto sociocultural contemporâneos. Uma forma de recordar que uma sociedade livre só existe quando existe cultura: “sem cultura não pode haver liberdade, só um perigoso simulacro”(2).


Catarina Mil-Homens (1979) foi convidada a apresentar “As Coisas Que Eu Sei, sem título #1” (2012), surgindo na introdução à exposição. Esta peça, que só existe por contraste, desenterra, traz à superfície, o que a matéria dá, em parte, a ver.


Ana Rito (1978) apresenta dois vídeos, “Aktion” (2010) e “Poème-Acte” (2012), realizados para a exposição. Helberto Helder escreve, “Há palavras que é preciso afundar logo noutras palavras”(3). Para a artista, há corpos que é preciso afundar logo noutros corpos. Há imagens que é preciso afundar logo noutras imagens. Há linguagens que é preciso afundar logo noutras linguagens. A performatividade de um texto poético encontra eco na instalação “Petits Poèmes Visibles“(título reminiscente da obra “Une Semaine de Bonté” de Max Ernst de 1934).


"Aktion" (2010) surge como uma espécie de imagem de arquivo que confronta o espectador com uma ação contínua, sem clímax. Assistimos a um registo de uma performance que coloca em cena dois corpos que experienciam as suas próprias convulsões e contraturas. Em "Poème-Acte" (2012), os gestos são agora “repositórios” do corpo em trânsito que, na sua errância, efetiva o poema.


Nuno Sousa Vieira (1971) expõe “44 years” (2009), um trabalho inédito, intervenção a partir da página onde se representa a obra “De la nada vida a la nada muerte” (1965), no catálogo da primeira exposição de Frank Stella no MOMA em 1970, “Frank Stella: Paintings”, publicação da responsabilidade de William S. Rubin. 44 anos é o intervalo de tempo entre a pintura de Stella e a data deste trabalho.


Rodolfo Bispo (1981) cria “Museum Shop” (2012) e “Este ano vamos todos ser p*tas” (2012), especificamente para esta mostra. Fugindo da cor, surpreende com um trabalho a tinta da china, mas mantém o sentido de humor que o caracteriza. Bispo quer deixar na sua “time capsule” um testemunho, a sua perspetiva da situação presente dando voz às suas imagens com frases como “a moody’s é um Adamastor”, “ainda vamos todos a tempo de fazer BIRRA pelos nossos direitos” ou “acorda Pinóquio, Portugal nunca vai ser um país de verdade”.


Louise Hervé & Chloé Maillet (1981) chegam pela primeira vez a Lisboa com uma peça de 2010, apenas apresentada uma vez. “We do not live on the outside of the globe” é um discurso a duas vozes (as das autoras), em inglês, em torno de elementos arqueológicos e históricos, de ficções e documentos. O tema central é o subterrâneo, a escavação e teorias que advogam não vivermos de facto na superfície do planeta, mas sim, no coração de um mundo subtérreo.


Sara & André (1980/1979) apropriam-se do trabalho icónico de três dos nossos grandes autores, reclamando-os em três propostas que, no fundo, lhes prestam homenagem. Obras sobejamente conhecidas de Nikias Skapinakis, Lourdes Castro e Eduardo Batarda são desconstruídas e repensadas pelos autores de “Claim to Fame” (2004).


Ângelo Ferreira de Sousa (1975) encarna um calceteiro no vídeo "Guerra Santa" (2012). Este procura talhar a pedra de calçada portuguesa perfeita na busca do ricochete ideal nas águas do Tejo. O gesto é ao mesmo tempo cuidadoso, agressivo e inútil, espelhando uma fatalidade nacional.


Hugo Barata (1978) afirma que pensar uma exposição que "desafia ao questionamento da historicidade da arte e do quotidiano para que, assim, possamos perspetivar algo no futuro, traz consigo algo de repetitivo e de constante regresso a modelos e tipologias agora vistas e sentidas à luz dos nossos dias". A determinado momento do seu livro "Painting at the edge of the world", Daniel Birnbaum reflete sobre a temporalidade da obra de arte para afirmar que, depois de produzida e apresentada ao mundo, a obra é determinada por um diferimento inescapável; devido ao facto de que o sujeito não consegue coincidir consigo mesmo num instante imediato, pressupõe-se que este presente (o agora) é sempre fugidio. As pinturas e os desenhos apresentados por Barata pretendem, dentro de um processo idiossincrático e diário, evocar a memória de uma tipologia da pintura - o retrato - e a possibilidade da narrativa, quer através de composições que se assemelham a pequenos teatros, quer pela utilização de referências fotográficas de universos distintos como a moda ou a produção pornográfica.


A utilização de imagens reconhecíveis na pintura, adensa o discurso desviante e traz para o "presente" uma certa aura de deslocação, talvez pela carga que pejorativamente lhe foi entregue pelas vanguardas iniciais. Birnbaum conclui noutra passage do livro supracitado que a interpretação, a reinterpretação ou a má interpretação de uma pintura é precisamente aquilo que possibilita a sua constante ressurreição.


Alexandre Farto (1987) surge com “CONSOME-TE” (2012), uma obra que faz referência ao trabalho dos affichistes, da década de 1950 e 60. De grande formato, esta série de cartazes recolhidos na rua, são posteriormente esculpidos pelo artista, que lhes inscreve imagens ou texto. Sublinhando a efemeridade das coisas, o artista afirma que esta décollage é “um ato simbólico de arqueologia, em que trago à superfície pedaços esquecidos, fragmentos da história e cultura deixados para trás; um processo que tenta reflector sobre as várias camadas que nos formam individual e coletivamente.”


Tom Jarmusch (1961) é convidado a apresentar, numa sessão única, na abertura da exposição, o seu filme/ documentário “Sometimes City”, que pretende criar um retrato daquilo que acontece a uma cidade como Cleveland, quando surge a crise económica. “Sometimes City” dá a conhecer, através de uma série de testemuhos, a “destruição” da cidade levada a cabo pela banca e o reflexo da crise económica na vida das pessoas. Apesar de perspetivada nos EUA, esta imagem espelha o que acontece agora na Europa, a países como a Grécia, Espanha e Portugal.


DID DIG: Uma exposição a ser desenterrada, aberta e descoberta pelo público a partir do dia 27 de setembro na Plataforma Revólver, em Lisboa.


 


1 In REVISTA ÚNICA (24 de Setembro de 2011) , Clara Ferreira Alves, Para acabar de vez com a Cultura


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/para-acabar-de-vez-com-a-cultura=f675167#ixzz1tjMGlMwL


2 Dionísio, Mário; “Cultura:Paradoxo e Angústia”. Jornal de Letras, Artes e Ideias, nº5 (28 Abril 1981), p.16


3 Helder, Herberto, “Ou o poema contínuo” (súmula), Lisboa: Assírio&Alvim, 2001, p.37



 





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