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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Loris Gréaud, “Cellar Door – La Bule Bucky�


Loris Gréaud, “Cellar Door – La Bule Néon�


Loris Gréaud, “Cellar Door – La Bule Forêt de Poudre à Canon�


Loris Gréaud, “Cellar Door – La Bule Merzbal� e “La Bule ombre�


Loris Gréaud, “Cellar Door – La Bule Plateau�


Loris Gréaud, “Cellar Door – La Bule Plateau� (“CFL�, “Dream machines� e “Spore speakers�)


Loris Gréaud, “Cellar Door – La Bule Plateau� (“Spirit� e “Spore speakers�)


Loris Gréaud, “Cellar Door – La Bule Plateau� (“Eye of the duck�)


Loris Gréaud, “Cellar Door – Underworks�


Loris Gréaud, “Cellar Door – Celador�

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“COM O CORAÇÃO LIVRE DE CUIDADOS�


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UM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNO


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CIPÓ - PINTURAS HUNI KUIN NA COLEÇÃO MAR


Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro
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Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CARLOS FRANÇA

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ACTOS DE L�NGUA


Carpintarias de São Lázaro, Lisboa
JAMES MAYOR

TATIANA MACEDO

RADICAL GESTURES


Rialto6, Lisboa
KATYA SAVCHENKO

ARQUIVO:


LORIS GRÉAUD

Cellar Door




PALAIS DE TOKYO - SITE DE CREATION CONTEMPORAINE
13, Avenue du Prèsident Wilson
75 116 Paris

14 FEV - 27 ABR 2008

Bolinhas de sabão

Exposição que se apresenta como um projecto de atelier-máquina-desejante autonomizado e com vontade própria, mais próximo de uma “fábrica que sonha� do que de uma “fábrica de sonhos�, como “uma cadeia de montagem mais estratosférica do que o feijão mágico de Jack� e “mais deformante do que o espelho de Alice�, como um “gigantesco organismo gerado por uma partitura que se estende pelo tempo e pelo espaço�, como ponto de partida para alguma coisa e não como um resultado, como um work in progress e não como uma proposição acabada, como um complexo espacio-temporal descontínuo e não-cartesiano, como “um objecto delirante, dotado de pensamento e de palavra, que se reinventa em permanência�, como um terrain-de-jeu “onde as regras estão por inventar�, como uma ópera, como um lugar “onde gigantescos fogos de artifício são atirados para debaixo da terra�, “onde as perspectivas se dobram sobre elas próprias como bolas de papel�, “onde as estrelas formam desenhos intergalácticos que se medem em anos-luz�, “onde as falhas espacio-temporais se abrem sob os pés�, “onde as esculturas se formam sob os olhos�, uma exposição que é como uma “entrada no imaginário delirante de um atelier onde cada pensamento é uma metáfora [que outra coisa poderia ser?] que desenha em cruz a sua ambição e o seu devir�, como “um objecto proteiforme�, como “uma marioneta gigante� pilotada em tempo real por um “estúdio antecâmara� – só lamentamos que esta exposição não seja também um magnífico pudim de ovos com cobertura de caramelo –, “Cellar Door�, primeira grande mostra individual do jovem artista francês Loris Gréaud, é, além de tudo isto, um lamentável espectáculo de mistificações várias, a primeira das quais, a própria mistificação do espectáculo que assim se quer montar (e que sem querer, assim se desmonta – aproveitemos, nós também, o primarismo antinómico em que se estrutura tão paradoxal proposta). Tão sobrecarregada de meios como de referências e alusões mais ou menos cifradas – a autores como Buckminster Fuller (geometria analítica), Kurt Schitters (Merzbau), Wagner (Gesamtkunstwerk), Yves Klein (IKB); correntes artísticas como o minimalismo, a arte conceptual, o abstraccionismo, a Gestalt; a áreas de investigação como a electroscopia, a arquitectura virtual, a “tecnognosis�, o paranormal, a mecânica quântica, o espiritismo, a astrofísica, a mediunidade, a psicologia (déja-vu, telepatia, “sonho magnético�, hipnose); a técnicas tão obscuras como a “dinamistografia�, a psicometria, a electroterapia ou a electroacústica – a exposição só não é barroca (no sentido pós-moderno do termo) por ser um grotesco vazio, caro e aparatoso.

O espectáculo, que quer mostrar-se hiper-codificado, hermético e votado a coisas muito difíceis de entender (a estratégia, tão antiga como a alegoria), é suficientemente anódino para não ofender ninguém, enche o olho – melhor, o olho, o olfacto (numa sala tenta reconstituir-se o possível cheiro de Marte), o paladar (por 2 euros podem adquirir-se na exposição pequenos sacos de “Cellador�, uns rebuçados coloridos que têm a particularidade de serem destituídos de sabor), o ouvido (ao virar de cada esquina o espectador depara-se com inquietantes interferências sonoras), o tacto (num corredor proporciona-se a experiência de uma corrente de ar, mais à frente, uma sala com a temperatura mais elevada, etc...) –, é engraçado (e variado), grande, polémico (um espaço onde se pode jogar paintball remete para cenários de guerra – uma guerra imaterial e televisiva), não sendo particularmente colorido, tem imensas luzes que acendem e apagam, uns ruídos misteriosos aqui e acolá. Leia-se nas entrelinhas a prosperidade da jovem arte contemporânea francesa. À contra-luz, a negação de Lautréamont: não uma criação feita por todos, mas apenas uma exposição com todos os meios. À transparência, a opressão pelo dinheiro. Visto ao contrário, talvez não tenhamos percebido nada, afinal. A única certeza: a exposição é, no sentido mais corriqueiro da expressão, um espectáculo!


António Preto