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EXPOSIÇÕES ATUAIS


1. Michaël Borremans, “The Swimming Pool”, 2001. Lápis e aguarela s/cartão (34 x 28 cm). © Zeno X Gallery, Antuérpia.


2. Michaël Borremans, “Where is Ned”, 2002. Óleo s/madeira (22,2 x 20,2 cm). © David Zwirner Gallery, Nova Iorque.


3. Michaël Borremans, “Add and Remove”, 2002. Óleo s/tela (70 x 60 cm). © David Zwirner Gallery, Nova Iorque.


4. Michaël Borremans, “The Skirt”, 2005. Óleo s/tela (70 x 60 cm). © Zeno X Gallery, Antuérpia.


5. Michaël Borremans, “Weight”, 2006. Filme de 35 mm transferido para suporte DVD. © David Zwirner Gallery, Nova Iorque.

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ARQUIVO:


MICHAËL BORREMANS

Weight




CAV - CENTRO DE ARTES VISUAIS
Pátio da Inquisição 10
3001-221 Coimbra

15 MAR - 08 JUN 2008


O Centro de Artes Visuais (Coimbra) apresenta “Weight”, do artista belga Michaël Borremans (n. 1963), uma exposição co-produzida com De Appel Arts Centre (Amesterdão), comissariada por Delfim Sardo.

Michaël Borremans fez os seus estudos em Hogeschool voor Wetenschap en Kunst, em Gante, expondo regularmente desde 1996. Está representado em importantes colecções, tais como The Art Institute of Chicago, Los Angeles Museum of Contemporary Art, Museum of Fine Arts (Boston), Museum of Modern Art (Nova Iorque) San Francisco Museum of Modern Art, National Gallery of Canada (Ontário), Offentliche Kunstsammlung (Basileia), entre outras.

Tendo iniciado a sua carreira como fotógrafo e designer gráfico, Borremans acabaria por dedicar-se intensamente ao desenho e à pintura figurativos e, mais recentemente, ao filme, numa construção de “quadros vivos” inquietantes e enigmáticos, elaborados a partir de um ponto de vista fixo, por vezes trabalhando o plano da imagem em aproximações hipnóticas ao objecto e em repetições.

Estas imagens, aliadas à ausência de som, colocam o primado dos filmes do artista precisamente no objecto e no ponto de vista, que podemos entender essencialmente como o lugar – real ou imaginário – a partir do qual é produzida a representação, o modo particular como uma problemática é abordada, assim como o próprio quadro/enquadramento da imagem, que se nos revela esteticamente depurada e conceptualmente polissémica.

As personagens misteriosas e congeladas, algumas mesmo parcialmente amputadas – vejamos a figura feminina, aparentemente de cera, em “The Skirt” e “Weight” –, bem como as suas pequenas e repetidas acções, estarão na origem do título que Massimiliano Gioni atribuiu ao seu ensaio no catálogo da exposição: “Uma casa de bonecas”.

Na verdade, e reportando-nos agora à pintura e ao desenho de Borremans, deparamo-nos com trabalhos de pequeno formato, pontuados por uma construção plástica e retórica complexa, sendo visíveis em alguns dos quais arquitecturas e planos em trompe l’oeil, habitados por figuras humanas agigantadas que coexistem com outras mínimas, que nos reportam a Gulliver e Liliput, assim como a uma manipulação de imagens de cariz surrealista, inclusivamente pelos títulos atribuídos a algumas obras.

Pensemos na pintura que representa um homem de contas, reveladora do universo de René Magritte ou de Alfred Hitchcock, com o título “Still” – como se da imagem unitária de um filme se tratasse –, remetendo-nos, e utilizando as palavras do crítico de cinema Jean Douchet, para a “dilatação de um presente apreendido entre dois futuros possíveis”.

Mas a pintura de Borremans encerra também em si uma forte componente intimista, que poderá ser denunciadora de uma referência à pintura barroca da Holanda protestante e do seu intimismo quotidiano, nomeadamente a pintura de interiores de Gerard Ter Borch, Pieter de Hooch ou, particularmente, de Vermeer de Delft.

Borremans, à semelhança destes artistas, pinta as personagens e respectivas indumentárias de modo cuidado, no momento em que estas desempenham pequenos gestos, sob fundos interiores com iluminação cálida a partir de um ponto específico, construindo um conjunto contido, minucioso e suspenso no tempo. Trata-se de uma espécie de tranquilidade intranquila. Algo pode acontecer a qualquer momento – Where is Ned”. Ou talvez não.

Torna-se curioso observar que a crueza e simplicidade dos planos fílmicos – onde, justamente pela natureza do suporte, seria possível a procura exaustiva da tridimensionalidade e a utilização da montagem – se contrapõe à complexidade de planos e de objectos patentes em alguns dos trabalhos pictóricos, funcionado, no seu conjunto, e de acordo com a organização expositiva proposta por Delfim Sardo, como um raccord, isto é, como se de um complexo filme se tratasse, com a duração do tempo do espectador a percorrer o espaço, isto é, da quarta dimensão. Para deleite visual de cada um.


Isabel Nogueira