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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Marianne Müller, Untitled (1993-1998), série “A Part of my Life”. © Centro de Artes Visuais/Encontros de Fotografia, Coimbra.


Marianne Müller, Untitled (1993-1998), série “A Part of my Life”. © Centro de Artes Visuais/Encontros de Fotografia, Coimbra.


Marianne Müller, Untitled (1993-1998), série “A Part of my Life”. © Centro de Artes Visuais/Encontros de Fotografia, Coimbra.


Marianne Müller, Untitled (1993-1998), série “A Part of my Life”. © Centro de Artes Visuais/Encontros de Fotografia, Coimbra.


Marianne Müller, Untitled (1993-1998), série “A Part of my Life”. © Centro de Artes Visuais/Encontros de Fotografia, Coimbra.


Marianne Müller, Untitled (1993-1998), série “A Part of my Life”. © Centro de Artes Visuais/Encontros de Fotografia, Coimbra.

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ARQUIVO:


MARIANNE MÜLLER

A Part of my Life




CAV - CENTRO DE ARTES VISUAIS
Pátio da Inquisição 10
3001-221 Coimbra

25 OUT - 11 JAN 2009


Regra geral, em diferentes proporções e em distintos contextos, as mulheres são, à sua maneira, manipuladoras. Manipulam a palavra, o gesto, a roupa, o passo adiante e o passo atrás. O que mostram e o que ocultam. As mulheres são complexas e contraditórias. Avançam corajosamente na mesma medida em que recuam com graça e fragilidade.

Sabem porque usam certo decote ou determinada abertura na saia justa, e em que medida o fazem. E sabem porque e quando passam determinado ponto. Às vezes de não retorno. Mas se não sabem deviam saber. Trata-se de uma consciência de si, do outro e do mundo, sem lugar para inocências. Marianne Müller (n. 1966, Zurique) tem essa consciência.

Müller estudou no Departamento de Fotografia da Escola de Arte e Design de Zurique (1986-1991). Actualmente vive e trabalha em Londres e em Zurique, onde lecciona na Universidade de Artes. Pelo seu percurso, conta-se um considerável número de exposições individuais e colectivas, bem como diversos prémios, de que são exemplos Kiefer-Hablitzel-Foundation (1996), Prix Moët & Chandon (2002), Swiss Art Award (2002), ou Zuger Kulturstiftung Landis & Gyr (2007).

A sua obra encontra-se representada em várias colecções, entre as quais, a Colecção do Centro de Artes Visuais/Encontros de Fotografia, que apresenta nesta mostra, sob responsabilidade de Albano Silva Pereira, fotografias que integraram a sua primeira monografia. Trata-se de um “diário ficcional”/”retrato ficcional”, como a própria fotógrafa o define, intitulado “A Part of my Life” (1998), que reúne imagens realizadas entre 1993 e 1998.

Comecemos pela ideia de “diário ficcional”. À partida, um diário não será ficcional. Um diário reporta-se a um quotidiano, por conseguinte, a algo bastante concreto e até banal. Por outro lado, um retrato, por definição clássica, particularmente a partir do século XVII, também não pertence ao domínio da ficção. Um retrato representa ou pretende representar alguém, em linguagem mais ou menos concreta. E voltamos à nossa primeira questão: a manipulação.

A “Part of my Life” traz a público a propriedade privada, ou pelo menos alguns aspectos seleccionados/partes desta propriedade. E para além das imagens de uns sapatos gastos, de uma paisagem ou uma planta florida, a maioria das fotografias são, de facto, auto-retratos da artista, que corajosamente se expõe. Mas como é que um diário ou um auto-retrato são ficcionais? Quando induzem o leitor/espectador a uma suposta realidade paralela, aqui apresentada em imagens de grande dimensão, potencialmente esmagadoras. E é neste limbo, nesta incerteza, entre o ficcional e o real que justamente Müller encontrará, possivelmente, alguma protecção para a sua audaciosa auto-exposição. E convém referir que no livro ainda encontramos imagens, em certa medida, mais audazes, mais auto-expositivas.

Marianne Müller é quem decide o que pretende que vejamos, que partes ou aspectos do seu mundo – eventualmente ficcional –, tornando-nos, de certo modo, cúmplices ou confidentes da sua catarse imagética, dos seus desejos, das suas ansiedades, das suas emoções. Enfim, do que induz ao mostrar parte do corpo por detrás da saia semitransparente, com os orifícios próprios do “bordado inglês”; ou quando enverga um vestido preto molhado – o “panejamento molhado”, à maneira da escultura grega – que deixa adivinhar o corpo; ou ainda ao usar um vestido cujo único orifício “coincide” com um mamilo.

Müller organiza uma mise-en-scène fotográfica que quase parece casual e imediata. Mas que se reveste de escolhas, de combinações, da própria relação do eu comigo e do eu com o mundo. E convida-nos a entrar.







Isabel Nogueira