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EXPOSIÇÕES ATUAIS


João Queiroz, "S/ título”, 2008. Óleo sobre tela, 129 x 128 cm


João Queiroz, "S/ título”, 2008. Óleo sobre tela, 83 x 99 cm


João Queiroz, "S/ título”, 2008. Óleo sobre tela, 91 x 162 cm


João Queiroz, "S/ título”, 2008. Óleo sobre tela, 123 x 167 cm


Vista da exposição


Vista da exposição

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ARQUIVO:


JOÃO QUEIROZ

Pintura




GALERIA QUADRADO AZUL (ANTIGO ESPAÇO EM LISBOA)
Largo dos Stephens, 4
1200-457 Lisboa

13 NOV - 20 DEZ 2008


Até ao próximo dia 20 de Dezembro, a Quadrado Azul apresenta, na sua galeria de Lisboa, um conjunto de trabalhos recentes de João Queiroz. Intitulada “Pintura”, a exposição compõe-se por nove óleos sobre tela, de dimensões variáveis, que o artista concebeu especificamente para esta ocasião, na continuação de uma linha de trabalho em que a própria pintura, enquanto processo de constituição do visível, assume primordial importância. As pinturas de João Queiroz parecem quase sempre, num primeiro momento, reportar a vistas de paisagens e, nesse sentido, representar elementos geológicos e naturais que a organizam. Esse poderá ser, invariavelmente, o ponto de partida através do qual nos podemos deixar afectar pela nossa imaginação mais impulsiva ou impressionista e essa será, porventura, uma das formas possíveis de nos relacionarmos com o trabalho do artista. A verdade é que, historicamente, a pintura de paisagem se constituiu, ela própria, como universo de relações formais e simbólicas que, no limite, condicionam a liberdade perceptiva da observação de uma pintura.

Ora, o trabalho que João Queiroz tem desenvolvido em distintos momentos da sua produção artística situa-se num campo que está diametralmente oposto a essa submissão sensorial primária que tende a valorizar um conjunto predeterminado de cânones cenográficos, identificativos de um género. Lembremo-nos de uma muito recente intervenção no projecto “Articulações” (Fábrica da Cerveja, Faro, a propósito do evento Allgarve). Certamente, a mais subtil das intervenções aí realizadas (“Pele e Queda”, aplicação mural de ceras com pigmento) terá escapado a uma significativa percentagem dos que passaram pelo local, precisamente porque o contexto (de alguma festividade veraneante) terá facilitado um descurar das formas de atenção. Também aí, como nas pinturas que agora se apresentam em Lisboa, o que nos é dado a ver pela mão do artista é um trabalho de redimensionamento do que se nos apresenta como factual e como coisa; síntese do que sabemos já enquanto forma de conhecimento do mundo e interiorização de um conjunto de dinâmicas decorrentes da reunião visual de volumetrias, formas de composição, configuração e, grosso modo, formas perceptivas que privilegiam determinadas leituras. Em Faro, estabelecia-se uma possibilidade nova de relação entre luz e espaço, entre cor e volume, entre, se quisermos, um ponto de partida e um ponto de chegada, mas essa passagem apenas poderia ser efectivada pelo observador.

Em Lisboa, e por detrás desse olhar sobre pinturas da paisagem, descobrimos um olhar diferente (um outro “modo de ver”, como o próprio artista já referiu) que não retrata já a volumetria exacta e material do local, mas antes uma dimensão pessoal sobre forças e dinâmicas que se estabelecem por acção do contributo reflexivo do artista para uma nova imagem. A permanência de alguns elementos visuais em aparente destaque (um tronco de uma árvore, um improvável túnel de luz) acciona o que permanecia em dúvida ou equívoco; a leitura das dinâmicas respeita o que se primordializa face à nossa condição de observadores e, nesse sentido, alguns elementos, pelo seu peso, cromático ou volumétrico (no caso do túnel de luz), destoam e não se fundem nem contribuem para uma fluidez energética, onde os contornos objectuais se dissolvem e cedem lugar ao movimento, e onde o estado inicial das coisas se submete à memorização e à atenção do artista, daí resultando um compromisso de renovação e de constituição de novas possibilidades, não só do olhar mas também do próprio artista que, nas suas viagens sucessivas entre este mundo real e tangível e as suas pinturas da essência das coisas da natureza, nos traz em cada novo regresso, um pouco mais do que por lá acontece.

Após Lisboa, também a Quadrado Azul do Porto receberá a exposição “Pintura”, acompanhada de catálogo com textos de Ricardo Nicolau. Finalmente, Setembro de 2009 voltará a receber João Queiroz, desta vez numa exposição retrospectiva na Culturgest, na continuação do trabalho que Miguel Wandschneider tem desenvolvido com artistas nacionais.





Miguel Caissotti