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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição no Van Abbemuseum, Eindhoven, 2003. © Van Abbemuseum, Eindhoven


JCJ Vanderheyden, “Reflexões / Reflections”, 2000. Painel de madeira pintado; impressões fotográficas,·acrílico sobre tela, marcador sobre espelho. Colecção Gemeentemuseum, Haia


JCJ Vanderheyden, “Grande nuvem / Big Cloud”, 1995. Impressão a jacto de tinta sobre tela. Colecção Gemeentemuseum, Haia


Atelier de JCJ Vanderheyden, c.1995. Fotografia: Franz de la Cousine

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ARQUIVO:


JCJ VANDERHEYDEN

A Analogia do Olho




CULTURGEST
Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego
1000-300 Lisboa

07 FEV - 10 MAI 2009


Uma espécie de antecâmara avisa-nos visualmente do que podemos encontrar quando a nossa passada a ultrapassar: um conjunto de obras representativas e abstractas de JCJ Vanderheyden (n. 1928, Den Bosch), com curadoria de Miguel Wandschneider, que nos reportam a um universo denso, pleno de citações e de analogias, mesmo além da analogia do olho, que confere o título à exposição.

Se fosse necessário utilizar uma única palavra para definir esta mostra, poderíamos dizer que a escolhida é mise en abyme, isto é, narrativas que contêm outras narrativas, como se de um filme se tratasse. E esta poderá ser uma forma de entendimento desta exposição: um filme. Temos um prelúdio dado pela referida antecâmara, com a apresentação de conteúdos/personagens, seguido de salas com o desenvolvimento e raccord, para atingir o desfecho nas cabines tridimensionais que o artista constrói e onde ele próprio também se representa. Porém, fica-nos a impressão de uma narrativa aberta, com possibilidades de diferentes compreensões. O que é interessante e, em certa medida, misterioso.

Dentro deste “filme” somos sucessivamente confrontados com referências à história da arte ou da imagem no mundo ocidental, assim como à utilização de diferentes técnicas, como o pointillisme, técnica utilizada na recriação de um detalhe de “Las meninas”, de Velázquez, pintura na qual originalmente o próprio Velázquez se auto-representa.

Mas, e continuando pelos conteúdos do “filme” em questão, encontramos claras metáforas a Kasimir Malevitch, que 1913 e 1915, pintaria os seus conhecidos “Quadrado negro sobre fundo branco”, assumido como um “manifesto do suprematismo”. No caso de Vanderheyden, encontramos quadrados brancos sobre fundos azul ou verde. Encontramos ainda pinturas geométricas que, a seu modo, nos impelem para os ritmos depurados de superfície de Piet Mondrian, e igualmente para o universo do cinema dadaísta de Hans Richter, nomeadamente do filme “Rhythmus 21” (1921).

Do mesmo modo, somos conduzidos por janelas que se abrem de interiores de aviões para horizontes azuis com nuvens, quase à maneira de René Magiritte, numa proposta de ligação com o mundo, numa visão do interior para o exterior, que retorna ao interior do sujeito mediante a percepção.

Vanderheyden representa o mundo, o seu universo, a si próprio e até a nós, através da utilização de espelhos que concorrem definitivamente para a construção do mise en abyme que atrás se referiu. Entre a representação, a abstracção – que também é uma forma de representação – e a distorção, caminhamos para a tridimensionalidade do gabinete do artista, no qual se encontram miniaturas de peças que já vimos. Regressamos à ideia de raccord e de cinematografia.

Cada peça pode ser entendida como um segmento do filme que percepcionamos, numa analogia talvez mais do que do olho, do acto consciente de ver na complexa relação do “eu” com o “mundo”.



Isabel Nogueira