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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Bob And Roberta Smith, “Concrete Boat”, 1996. © Artista e cortesia British Council Collection


Richard Long, “England”, 1968. © Artista e cortesia British Council Collection


Richard Deacon, “Boys and Girls (Come Out to Play)”, 1982. © Artista e cortesia British Council Collection


Tony Cragg, “Cross Section - Drawing of Found Object and Object”, 1980. © Artista e cortesia British Council Collection


Rachel Whiteread, “False Door”, 1990. © Artista e cortesia British Council Collection


Rebecca Warren, “The Emperor”, 2001. © Artista e cortesia British Council Collection

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COLECTIVA

British Council Collection: The Third Dimension




WHITECHAPEL GALLERY
80 - 82 Whitechapel High Street
London, E1 7QX

27 JUN - 20 SET 2009


O British Council começou a coleccionar em 1938 com o principal objectivo de promover a arte britânica. Desde então, formou uma das mais impressionantes colecções de arte britânica dos sécs. XX e XXI, com cerca de 8 000 trabalhos. Numa parceria com a Whitechapel Gallery, o British Council organiza cinco exposições de um ciclo comemorativo dos 75 anos do mesmo, a decorrer até final de 2010 (1). Cada exposição, com a assinatura de diferentes curadores, focará um aspecto da colecção: a primeira, coincidente com a reabertura da Whitechapel Gallery esteve aberta ao público de 5 de Abril a 14 de Junho deste ano sob o título
“Passports: Great Early Buys from the British Council Collection”. A segunda exposição está patente até final de Setembro e privilegia a “A Terceira Dimensão”, metáfora escolhida pelo curador convidado, Tim Marlow (2), para apresentar peças representativas de escultura.

Dar valor a este ciclo de exposições implica um conhecimento prévio do que é a colecção do British Council e do seu papel na arte britânica. A colecção não tem uma galeria permanente e foi várias vezes designada “Museum Without Walls” (Museu sem paredes). A designação de Museu não é gratuita. De facto, a organização é francamente institucional: as peças da colecção são apresentadas num programa internacional de exposições organizado pelo Departamento de Arte Visual; as exposições variam entre retrospectivas de artistas britânicos e exposições colectivas e temáticas; as peças da colecção que não fazem parte do programa de exposições, são cedidas a instituições britânicas e internacionais nos 110 países em que o British Council opera. Assim, este ciclo de exposições é uma oportunidade única para vermos as obras da colecção apresentadas pelo seu valor colectivo e organizadas por curadores internacionais.

A segunda exposição, com 19 artistas e 32 peças, “British Council Collection: The Third Dimension” talvez não apresente a escolha mais ambiciosa ou inovadora de apresentar uma colecção mas é, certamente, pedagógica e, é preciso lembrar, esse é um dos principais enfoques do British Council. Segundo Andrea Tarsi, responsável pelo departamento curatorial da Whitechapel Gallery, “de todos as formas de arte no Reino Unido, a escultura é vista enquanto a mais inovadora.” De facto, no decorrer da evolução da escultura, no caso britânico, a incorporação de novos materiais, formas e ideias, é notável. Nesta exposição, Tim Marlow, traça uma linha com os momentos mais marcantes desde meados do séc. XX aos dias de hoje, na escultura britânica. Desde os trabalhos de aço pintado de Anthony Caro (como o “Pink Stack”, de 1969, em sete peças) ao uso de materiais ditos “pobres” nas peças de Bob & Roberta Smith, a escultura é aqui apresentada enquanto meio em constante mudança. Sem surpresas, Gilbert & George marcam presença na exposição com “Magazine Sculpture” (1969), uma série de imagens impressas em formato e dimensão de página dupla de revista. As obras conceptuais de Richard Long são também essenciais ao percurso da exposição, como um momento na escultura das décadas de 60 e 70, o momento em que as fronteiras entre a performance, fotografia, instalação e escultura se demonstraram mais diluídas.

Com o habitual tom irónico pelo que é conhecido, Gavin Turk é representado na exposição por uma peça que fez enquanto finalista dos dois anos de Mestrado na Royal College of Art, em 1991: uma réplica das placas circulares de cerâmica azul, que vemos serem freneticamente fotografadas por multidões de turistas, por exemplo, em Portobello Road nas casas habitadas por pessoas que se tenham destacado de algum modo na sociedade. Letras brancas anunciam “Borough of Kensigton Gavin Turk Sculptor Worked Here 1989-1991” e continuam a fazer sentido mesmo sem a especificidade do contexto em que foi apresentada pela primeira vez, na Royal College of Art, em Kensigton, um dos distritos de Londres.

As paisagens urbanas são, de um modo diferente, tema também caro a escultores como Tony Cragg, Bill Woodrow e Richard Deacon, que representam os “New Sculptors” (os Novos Escultores). A exploração dos materiais nas obras destes artistas é evidente em Rachel Whiteread e Rebecca Warren, criadoras presentes no final do percurso da exposição, um percurso pedagógico mas coerente, tal como o título.
 


A exposição final deste ciclo está prevista para a Primavera de 2010 e o curador será anunciado após uma competição pública e internacional. O catálogo das cinco exposições terá contribuições de artistas como Michael Craig-Martin e promete ser mais do que um simples documento das comemorações do 75º aniversário da colecção do British Council. 






NOTAS

(1) As exposições da colecção do British Council na Whitechapel Gallery são organizadas por Diana Eccles, directora da colecção, e Andrea Tarsia, responsável pelo departamento curatorial da Whitechapel Gallery.
(2) Tim Marlow é um escritor e historiador de arte britânico. É muito conhecido pelo seu programa de crítica de arte no Canal 5: Channel Five – “Tim Marlow on…”



Luísa Santos