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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Jemima Stehli, “The Heart Pavilion”, 2007


Jemima Stehli, “The Heart Pavilion”, 2007


Jemima Stehli, “The Heart Pavilion”, 2007


Jemima Stehli, “The Heart Pavilion”, 2007


Jemima Stehli, “If Lucy fell”, 2009


Jemima Stehli, “If Lucy fell”, 2009


Jemima Stehli, “If Lucy fell”, 2009

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ARQUIVO:


JEMIMA STEHLI

She looked back




LISBOA 20 - ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua Tenente Ferreira Durão, 18 B
1350-315 Lisboa

25 SET - 07 NOV 2009


Jemima Stehli regressa à galeria Lisboa 20 com uma nova exposição intitulada “She looked back”, onde apresenta trabalhos em vídeos e uma série de fotografias produzidos entre 2007 e 2009.


Quem tem acompanhado o seu percurso certamente se aperceberá que a posição habitualmente assumida pela artista na relação com o próprio trabalho encontra-se agora invertida. Se Jemima Stehli sempre ocupou o lugar de objecto representado das suas fotografias, vejam-se “Table”, 1997, onde se auto-retratava nua reconstituindo uma obra de Allen Jones ou “Strip”, 1999/2000, onde respondia a poses escolhidas por críticos de arte, nestes seus trabalhos mais recentes desloca-se para trás da câmara e passa a registar em vídeo o trabalho de outros artistas.


A exposição começa com “The Heart Pavilion”, 2007, um vídeo que documenta uma conversa tida entre Dan Graham e Kathy Battista (historiadora de arte) junto da escultura que o artista desenvolveu para os jardins de uma colecção privada em Filadélfia. Tal como tantos outros dos seus pavilhões, também este apresenta uma estrutura em aço e paredes de vidro espelhados criando um espaço autónomo inscrito noutro espaço. Todavia, no contexto deste vídeo, o pavilhão torna-se palco da acção filmada, já que tanto o artista como a historiadora de arte dialogam sobre a escultura dentro e fora dela, actualizando a sua funcionalidade e realizando interpretações. Toda a acção vai sendo, como se advinha, mediada pela presença do vidro enquanto dispositivo especular. Mas Stehli acaba por expandir essa mediação em curso ao filmar os reflexos de Graham, Battista e o seu, duplicando-os num gesto que lembra as performances iniciais do artista.


Descendo as escadas da galeria, encontramos outro vídeo que consiste na gravação de um concerto da banda If Lucy fell. O concerto foi filmado num só plano sequência com recurso a uma hand-held camera, pelo que os movimentos de imagem correspondem aos movimentos que o próprio corpo de Stehli assumiu ao som da música, gerando deste modo uma performance dentro de outra performance. Ao invés de devolver um olhar directo sobre a actuação, a artista opta por um registo que se tenta então aproximar da experiência de quem assiste ao concerto. Por outro lado, a instalação da peça parece também reforçar esse efeito, dado que a sala está completamente às escuras e o volume do som bastante elevado. Contudo, a dimensão da projecção, um pouco acima do tamanho real, faz com que o observador se mantenha a uma certa distância da imagem, gerando assim uma tensão que se desdobra entre a aproximação e o afastamento em relação ao objecto representado.


A exposição é também complementada por um conjunto de quatro retratos individuais a preto e branco impressos em papel de grande formato. “Lucie 1” e “Lucie 2”, as duas primeiras fotografias desta série, mal de distinguem, havendo apenas uma ligeira diferença na distância a que o sujeito se encontra da objectiva, enquanto que os outros retratos, “Gaza” e “Makoto 4”, 2009, são do baixista e do cantor da banda If lucy fell. Contrariamente ao que se sucede nos vídeos, os retratados pousam estáticos para a câmara sob um fundo neutro, mas essa imobilidade torna-se ela própria uma performance.


Se a performance sempre constituiu um campo de investigação privilegiado para Jemima Stehli, esta exposição vem desconstruir a sua noção mais tradicional associada à imediatez da acção e repensá-la como experiência diferida.


Sofia Nunes