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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Ausência, Joël Andrianomearisoa. _UMA LULIK_ Fotografia: Bruno Lopes


Ausência, Joël Andrianomearisoa. _UMA LULIK_ Fotografia: Namalimba Coelho


Ausência, Joël Andrianomearisoa. _UMA LULIK_ Fotografia: Namalimba Coelho


Ausência, Joël Andrianomearisoa. _UMA LULIK_ Fotografia: Bruno Lopes

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ARQUIVO:


JOËL ANDRIANOMEARISOA

AUSÊNCIA




UMA LULIK__ CONTEMPORARY ART
Rua Centro Cultural 15 – Porta 2
1700-106 Lisboa

13 OUT - 18 JAN 2018

PRETO SENTIMENTAL E BRANCO DE LUTO: JOËL ANDRIANOMEARISOA E A SAUDADE

 

De Joël Andrianomearisoa conhecia (desde 2005) o preto: um preto sumptuoso, sentimental, alegre e triste ao mesmo tempo, as instalações tácteis, sensuais, que estremecem à passagem do visitante, "os fantasmas negros, folhas de papel e pedaços de telas que parecem animadas, possuídas, sensíveis, cartas, de amor certamente, embebidas de tinta preta, os vestígios de amores mortos e de desejos insatisfeitos, as formas misteriosas, carregadas mais de emoções que de significantes”. Uma mistura de melancolia e de alegria, entre frieza e doçura, entre formalidade e sensibilidade: em suma, uma saudade mestiça, uma saudade vinda do Sul.

 

Não é surpreendente que o encontre em Lisboa, na exposição inaugural (visitável até 18 de janeiro) da galeria Uma_Lulik_ (“a casa sagrada” em tétum, uma língua de Timor) que acaba de abrir Miguel Leal Rios (que mostrará novamente o seu trabalho na Fundação Leal Rios, ali ao lado, a partir de maio próximo). A exposição chama-se Ausência, Absence, e é antes de mais a ausência do preto que salta aos olhos. Na parede, as formas brancas, painéis de tecidos dobrados que nenhum vento agita, e cuja proximidade, sem recuo possível, oprime e seduz ao mesmo tempo. O jogo de luz sobre esses livros suspensos de páginas virgens redobradas sobre elas mesmas ("as ninfas profundas") são fascinantes. É um apagamento, uma raspagem, um desaparecimento onde mesmo assim subsistem vestígios de imperceptíveis traços: são peças para se olharem longamente, atentamente, para discernir as formas mutáveis, cintilantes, animadas no seio dessas dobras imobilizadas, dessas fendas congeladas, dessas profundezas fantasmáticas. Tentação do monocromático, certamente, declinação barroca talvez, mas sobretudo luto: que ausência está ali? Que corpo amado não está mais lá? Por quem choramos? O artista evoca as camadas de tecidos brancos sobrepostos que são os sudários dos mortos malgaxes, e é mesmo ante uma obra fúnebre que estamos.

 

A peça no chão, disseminação de pedaços negros dispersos, chama-se A árvore morta da minha nova vida. Podemos ver aqui uma homenagem ao galerista em mudança de vida, mas gostaríamos de ir além desse pretexto e meditar sobre esta explosão labiríntica, esta ruptura, esse despedaçar de ausência que permite um renascimento. Em suma, as peças mais negras, incluindo os textos poéticos e enigmáticos como este.



MARC LENOT