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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Photo-Metragens, de João Miguel Barros. Fotografia: Rita Carmo. Cortesia Museu Colecção Berardo.


Vista da exposição Photo-Metragens, de João Miguel Barros. Fotografia: Rita Carmo. Cortesia Museu Colecção Berardo.


Vista da exposição Photo-Metragens, de João Miguel Barros. Fotografia: Rita Carmo. Cortesia Museu Colecção Berardo.


Vista da exposição Photo-Metragens, de João Miguel Barros. Fotografia: Rita Carmo. Cortesia Museu Colecção Berardo.


Vista da exposição Photo-Metragens, de João Miguel Barros. Fotografia: Rita Carmo. Cortesia Museu Colecção Berardo.


Photo #05.03 (Costa da Caparica, Portugal, 2016)


Vista da exposição Photo-Metragens, de João Miguel Barros. Fotografia: Rita Carmo. Cortesia Museu Colecção Berardo.


Vista da exposição Photo-Metragens, de João Miguel Barros. Fotografia: Rita Carmo. Cortesia Museu Colecção Berardo.

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ARQUIVO:


JOÃO MIGUEL BARROS

PHOTO-METRAGENS




MUSEU COLEÇÃO BERARDO
Praça do Império
1499-003 Lisboa

22 FEV - 03 JUN 2018


 

As relações do texto com a fotografia sempre foram complexas. Além das legendas e dos textos dos cartões da exposição (cuja função é apenas informativa e vagamente crítica), os fotógrafos incorporaram o texto nas suas imagens: pode-se pensar em Duane Michals, em Victor Burgin ou Bernard Faucon. Outros produziram fotografias inspiradas em textos que lhes foram dados por outros, sejam os cegos de Sophie Calle descrevendo a beleza ou os escritores no caso de Tami Notsani; muitos pediram a escritores ou críticos para escreverem textos, poéticos e criativos mais que informativos ou críticos, sobre as suas fotografias (um exemplo entre muitos outros é o texto de Alberto Pimenta sobre as fotografias do Grupo Iris (incluindo Jean Dieuzaide e Agostinho Gonçalves) no livro Lisboa qualquer lugar. Lisboa qual Lisboa.

 

João Miguel Barros, série Teatro Vazio, 11.01, Paris, 2013.

 

A abordagem de João Miguel Barros (no Museu Berardo até 3 de junho) é diferente: a partir de séries fotográficas (de uma a vinte e quatro fotos) que ele organizou em catorze scripts (Photo-metragens), escreve depois pequenos textos que não descrevem, mas que evocam. Estes textos são, na maior parte, cheios de nostalgia, de melancolia, de memórias de infância, reais ou inventadas. Trata-se de caminhos a escolher, do amor das árvores, do equilíbrio, do corpo e dos músculos, da inquietante estranheza à noite ou ao amanhecer, à beira-mar, da representação do amor (que não é o amor), da maré eterna, da névoa, da noite e (a minha favorita), de uma velha atriz, que advínhamos cega, que vem revisitar o teatro dos seus sucessos passados (daí a imagem "Teatro Vazio"). Estes são breves poemas em prosa, cinzelados e percussivos, e a sua ligação às as imagens é mais ou menos tênue.

 

João Miguel Barros, série Precipício, 03.03, Vale Rabelho, Portugal, 2017.

 

João Miguel Barros, série Visões Noturnas I, 10.09, Hong Kong, R.P. China, 2016.

 

As fotografias de João Miguel Barros são impressões de uma carga emocional que transparece através do grão, da densidade dos negros, do leve desfoque atmosférico, que as enche. A maioria parte tem uma construção quase geométrica, sejam os passadiços de uma ponte, o alinhamento de árvores ou as caligrafias de um corpo equilibrista (série Precipício). A escuridão é por vezes tão profunda que mergulhamos e nos perdemos, como aquela visão que imaginamos ser o céu (em Hong Kong) entre dois prédios, evocando a porta sombria que Matisse pintou em Collioure no início da guerra.

 

João Miguel Barros, série Marés Vivas, Sintra Portugal, 2013.

 

Barros, que vive entre Macau e Lisboa, é claramente aberto às influências chinesas e japonesas; as suas fotografias de rochas, de areia e água, sobre o tema das marés (são nove, mais um vídeo) foram feitas perto de Sintra, ainda que juremos que essa harmonia quase caligráfica entre rochas irregulares e a planura da areia e da água provém do Japão ou do Sul da China. Barros foi o curador da exposição Lu Nan, neste mesmo museu (onde a qualidade das imagens não foi suficiente para ocultar a fraqueza da postura "ideológica", na minha opinião) e é fácil vinculá-lo aos fotógrafos japoneses como aqueles de Provoke ou como Daisuke Yokota e Sokiko Nomura. O que não diminui em nada a qualidade do seu trabalho de pesquisa, tanto visual quanto narrativo, sobre a imagem e a palavra; só lamentamos unicamente a última série, um alinhamento de retratos demasiado clássicos.

 



MARC LENOT