Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Da série "A Madrugda de Wilhelm e Leopoldine", 2004-2006, Tinta-da-china s/ papel esquisso, 200 x 300 cm


Da série "A Madrugda de Wilhelm e Leopoldine", 2004-2006, Tinta-da-china s/ papel esquisso, 150 x 200 cm


Da série "A Madrugda de Wilhelm e Leopoldine", 2004-2006, Tinta-da-china s/ papel esquisso, 220 x 200 cm


Da série "A Madrugda de Wilhelm e Leopoldine", 2004-2006, Tinta-da-china s/ papel esquisso, 200 x 300 cm


Da série "A Madrugda de Wilhelm e Leopoldine", 2004-2006, Tinta-da-china s/ papel esquisso, 150 x 100 cm

Outras exposições actuais:

PEDRO CABRITA REIS

“COM O CORAÇÃO LIVRE DE CUIDADOS”


MAAT, Lisboa
MARIANA VARELA

MARIA TRABULO

WINE-DARK SEA


Galeria Presença (Porto), Porto
CONSTANÇA BABO

NUNO FÉLIX DA COSTA

SOBRETUDO


MIRA Forum, Porto
MADALENA FOLGADO

ANA PÉREZ-QUIROGA

MOVO-ME EM TEMPO ELÉTRICO


Sismógrafo (Heroísmo), Porto
SANDRA SILVA

MARIA MADEIRA

YOU, ME, US [O, HAU, ITA; TU, EU, NÓS]


Museu do Oriente, Lisboa
MIGUEL PINTO

COLECTIVA

UM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNO


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

MAHKU - MOVIMENTO DOS ARTISTAS HUNI KUIN

CIPÓ - PINTURAS HUNI KUIN NA COLEÇÃO MAR


Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro
ISABEL STEIN

JENNY HOLZER

WRONG ANSWERS


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CARLOS FRANÇA

JAMES NEWITT E CARLOS M. OLIVEIRA

ACTOS DE LÍNGUA


Carpintarias de São Lázaro, Lisboa
JAMES MAYOR

TATIANA MACEDO

RADICAL GESTURES


Rialto6, Lisboa
KATYA SAVCHENKO

ARQUIVO:


ADRIANA MOLDER

A Madrugada de Wilhelm e Leopoldine




FUNDAÇÃO CARMONA E COSTA
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1- 6º A e D, Edifício de Espanha (Bairro do Rego)
1600-196 Lisboa

09 JAN - 02 MAR 2007


Adriana Molder apresenta na Fundação Carmona e Costa (com comissariado de Filipa Oliveira) uma nova série de obras: doze desenhos de grande formato a tinta-da-china sobre papel esquisso que reafirmam a importância do retrato, da fotografia e do cinema no corpo central do seu trabalho e introduzem novas explorações relacionadas com a recriação de ambientes urbanos exteriores. Dividem-se entre retratos de duas personagens (um homem e uma mulher) e imagens de edifícios envoltos em ambiente nocturno.

O título da exposição (“A Madrugada de Wilhelm e Leopoldine”) sugere ao espectador o fio condutor para traçar uma narrativa. Remete para as duas personagens retratadas que foram buscar inspiração a um conto de Arthur Schnitzler: um homem e uma mulher elegantes, sedutores (Katharine Hepburn e Rudolph Valentino interpretam-nos) revelam um certo fatalismo e tragédia nos grandes planos do seu rosto, através de um olhar que nos interpela desafiando a interpretação dos seus segredos ocultos. Intuímos que algo de dramático e irreversível se passa entre eles, uma história cujo final adivinhamos impossivelmente feliz depois do dia nascer.

O cenário poderá situar-se na madrugada de uma cidade sombria com reminiscências de Nova Iorque e Budapeste, possivelmente na passagem para o século XX; um ambiente simultaneamente glamoroso, decadente e solitário que é revelado nos desenhos de edifícios de vários andares envoltos em iluminação nocturna. A madrugada, ideia base da série, é por definição o período do dia em que tudo permanece suspenso, tudo se encontra numa angustiante e indefinida transição de possibilidades e percas. Metáfora da posição em que o espectador é colocado: totalmente livre para encenar o percurso das duas personagens.

Ressaltam assumidas referências ao Expressionismo Alemão, quer na sua vertente cinematográfica: inspiração em “Metropolis” (Fritz Lang), nomeadamente nos ambientes sombrios e nos planos picados dos edifícios; mas também através da invocação da pintura de dois dos seus mais importantes representantes: Munch e Schiele cujos retratos revelam igualmente as perturbações internas dos modelos, sugestionadas através da manipulação de traços fisionómicos – o rosto enquanto espelho da intimidade.

Das especificidades que envolvem o processo criativo de Adriana Molder destaca-se o facto de partir sempre de imagens previamente existentes, normalmente de personalidades famosas da área artística, facilmente identificáveis, que reinventa, reinterpretando – desmascarando-as e colocando-lhe novo disfarce, adaptável à sua intencionalidade; atribuindo-lhes, portanto, uma nova expressão: ocasional e de circunstância. A artista dispõe de um amplo arquivo imagético que invoca em cada uma das suas séries, como se submetesse a uma espécie de casting todas as personagens que o compõe, seleccionando as que melhor se adaptam ao seu guião. Já noutros trabalhos figuras do cinema se revelaram as protagonistas ideais (Catherine Deneuve e Gena Rowlands, por exemplo).

O suporte utilizado (papel esquisso), pela sua aparência frágil recordando a própria pele através do efeito enrugado e escamoso que transmite, revela-se bastante pertinente. Tem também associado, pela transparência, a possibilidade de cópia – ressaltam à memória as práticas infantis em torno do papel vegetal; o volátil lápis de carvão foi no entanto substituído pela infalível tinta-da-china.

Em “A Madrugada de Wilhelm e Leopoldine” a manipulação a que Adriana Molder submete as imagens de que parte (reconstruindo-as) transfere-se para o espectador que se mantém num estado de entorpecimento latente, confuso quanto à ambígua vontade de adormecer (na expectativa de sonhar) ou de acordar de uma espécie de pesadelo do qual se lembra muito vagamente.

Cristina Campos