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BIENAL DE VENEZA DISTINGUE BANGARRA DANCE THEATRE COM LEÃO DE OURO DE CARREIRA2026-02-20A companhia australiana Bangarra Dance Theatre foi distinguida com o Leão de Ouro de Carreira e a coreógrafa sul-africana Mamela Nyamza com o Leão de Prata da Bienal de Dança, anunciou hoje a Bienal de Veneza. Os prémios, aprovados pelo conselho de administração da bienal sob proposta do diretor artístico do Festival Internacional de Dança de Veneza, Wayne McGregor, serão entregues no âmbito da 20.ª edição do evento, que decorrerá de 17 de julho a 01 de agosto deste ano. O Bangarra Dance Theatre, principal companhia de dança das Primeiras Nações australianas e primeira formação inteiramente composta por bailarinos aborígenes a receber esta distinção, é reconhecido pelo "contributo decisivo para a afirmação contemporânea das culturas indígenas australianas através da dança", sublinha a bienal em comunicado. Por seu lado, o Leão de Prata foi atribuído a Mamela Nyamza, bailarina, coreógrafa, diretora e ativista sul-africana, cuja obra cruza memória coletiva, história, género e política. Com formação em ballet, dança moderna, jazz, 'gumboot' e 'butoh', Nyamza constrói narrativas pessoais e politicamente incisivas nos seus trabalhos coreográficos. Fundada em 1989, a companhia australiana Bangarra Dance Theatre reúne 18 intérpretes aborígenes e das Ilhas do Estreito de Torres, combinando dança, música e poesia em criações que convocam uma herança cultural com mais de 65.000 anos, lembra a organização. Desde 2023, o coletivo é dirigido pela coreógrafa Frances Rings, descendente da tribo Mirning, depois de mais de três décadas de liderança de Stephen Page, que marcou o repertório com mais de 27 obras e projetou internacionalmente a companhia. No festival de Veneza, Bangarra apresentará a estreia europeia de "Terrain", coreografada por Frances Rings, nos dias 25 e 26 de julho, no Teatro Malibran. Ao distinguir esta companhia, Wayne McGregor justificou com a ambição de "destacar e apoiar artistas e companhias extraordinárias, cuja influência e impacto vão além do seu trabalho", referindo que os premiados "trouxeram uma mudança radical na compreensão da dança e do contexto cultural em que é apresentada". Mamela Nyamza revelou-se internacionalmente em 2008, quando apresentou o solo "Hatched" (2008), e criou também obras como "I Stand Corrected", "19-Born-76-Rebels", "Black Privilege" e "GroundeD", abordando temas como o "estupro corretivo" contra mulheres lésbicas na África do Sul ou os massacres de Soweto, a partir da sua experiência em Gugulethu. Desenvolveu ainda projetos de intervenção social, incluindo a codireção do Move 1524, da Universidade de Stellenbosch, iniciativa que utilizou terapia pela dança em contextos de VIH/SIDA, violência doméstica e abuso de substâncias. Nyamza apresentará em Veneza a estreia europeia de "The Herd/Less", nos dias 19 e 21 de julho, no Teatro Piccolo Arsenale, uma criação que questiona a ideia de harmonia coletiva associada ao conceito de "bando", confrontando-a com noções de controlo e vulnerabilidade. Entre anteriores vencedores do Leão de Ouro de Carreira em Dança contam-se Merce Cunningham, Pina Bausch, William Forsythe, Anne Teresa De Keersmaeker, Maguy Marin, Lucinda Childs, Germaine Acogny, Saburo Teshigawara, Simone Forti, Cristina Caprioli e Twyla Tharp. O Leão de Prata distinguiu, nos últimos anos, artistas como Marlene Monteiro Freitas, bailarina e coreógrafa cabo-verdiana, em 2018, quando a organização da bienal a descreveu como "uma das mais talentosas da sua geração", mais interessada na "metamorfose e deformação", e nas emoções do que os conceitos, apagando as fronteiras do que é esteticamente correto, lia-se na nota de imprensa. Outros artistas distinguidos com o Leão de Prata foram Steven Michel e Théo Mercier, Claudia Castellucci, Oona Doherty, Rocío Molina, Tao Dance Theater, Trajal Harrell e a atriz e dramaturga brasileira Carolina Bianchi. |













