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PAVILHÃO DA RÚSSIA EM VENEZA SERÁ ENCERRADO AO PÚBLICO EM CONFORMIDADE COM SANÇÕES2026-04-29Os organizadores discutiram a possibilidade de tornar o pavilhão do país acessível apenas durante as datas da vernissage para convidados selecionados e imprensa, segundo relatos. Após intensas críticas, apelos a boicotes e o aviso oficial da União Europeia sobre a intenção de cortar milhões em financiamento, parece que o regresso da Rússia à 61ª Bienal de Veneza empregará diversas soluções alternativas para cumprir as sanções internacionais. Reportagens de órgãos de imprensa italianos indicam que o Pavilhão Russo estará fisicamente acessível apenas durante as datas da vernissage, que antecedem a abertura da Bienal, de 5 a 8 de maio, altura em que alguns dos artistas participantes na exposição "A árvore está enraizada no céu" realizarão performances para a imprensa e outros profissionais do setor. A partir de 9 de maio, o edifício manter-se-á encerrado e a documentação multimédia das performances estará disponível para os futuros visitantes em telas instaladas nas janelas do pavilhão. Estes detalhes provêm de conversas por e-mail entre o presidente da Fundação Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, o diretor-geral Andrea Del Mercato e a comissária do Pavilhão Russo, Anastasia Karneeva, analisadas e publicadas pelos órgãos italianos Open e La Repubblica. A correspondência revela que o caminho para a participação da Rússia remonta a junho de 2025 e que, em janeiro deste ano, Karneeva já tinha fornecido detalhes, materiais didáticos e imagens para a exposição do pavilhão. Um e-mail entre Karneeva e Del Mercato, de novembro de 2025, mostra os esforços deste último para ajudar a garantir um visto de viagem para o curador do pavilhão, Petr Musoev, citando excertos da sua conversa com um funcionário da missão diplomática italiana na Rússia. Em resposta aos e-mails publicados, a Fundação da Bienal disse ao Il Giornale, que a inclusão da Rússia foi facilitada com “absoluto respeito pelas regras, tendo agido em estrita conformidade com as leis nacionais e internacionais aplicáveis dentro dos limites dos seus próprios poderes e responsabilidades”. “Nenhuma proibição das sanções europeias foi contornada, como afirmam as reportagens jornalísticas. As sanções foram rigorosamente aplicadas”, continuou o comunicado da Fundação, acrescentando que, tal como todos os outros participantes nacionais com pavilhões nos Giardini, “a viabilidade dos projectos da Federação Russa e a sua conformidade com as normas em vigor também foram rigorosamente avaliadas”. A pressão sobre a Bienal está a aumentar devido à participação da Rússia e de Israel no evento deste ano. Na semana passada, o júri internacional de atribuição do prémio declarou publicamente que não consideraria “países cujos líderes estejam atualmente a ser acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional (TPI)” para a atribuição do prémio, excluindo, na prática, a Rússia e Israel. Os novos detalhes sobre o pavilhão da Rússia surgem poucos dias depois de o Ministro da Cultura italiano, Alessandro Giuli, ter anunciado que não iria comparecer nos dias de antestreia e na cerimónia de abertura da Bienal, a 9 de maio. Giuli tinha anteriormente solicitado à Fundação Bienal que entregasse documentos e comunicações com as autoridades russas para avaliar “a sua compatibilidade com o actual regime de sanções” imposto pela União Europeia (UE). Pediu ainda a demissão da representante do Ministério da Cultura, Tamara Gregoretti, do conselho da Fundação Bienal, afirmando que não alertou o Ministério da Cultura para o possível ressurgimento da Rússia e para o “facto de se ter manifestado a favor da sua participação — apesar de estar plenamente consciente da sensibilidade internacional em torno do assunto”. Após duas ausências consecutivas, a Rússia regressará ao seu pavilhão nacional nos Giardini pela primeira vez desde o início da sangrenta invasão da Ucrânia. Os artistas Kirill Savchenkov e Alexandra Sukhareva, juntamente com o curador Raimundas Malašauskas, retiraram a exposição do pavilhão em 2022 em protesto contra os ataques russos. Em 2024, a Rússia optou por emprestar o seu pavilhão nacional à Bolívia, que participou pela primeira vez na Bienal. Fonte: HyperAllergic |













