Links

NOTÍCIAS


ARQUIVO:

 


RETRATO DO CONDE-DUQUE DE OLIVARES ATRIBUÍDO A VELÁZQUEZ PELO DIRETOR DO INSTITUTO DE ARTES DE DETROIT

2026-07-07




Salvador Salort-Pons, diretor do Instituto de Artes de Detroit (DIA), revelou recentemente a descoberta de um retrato de Diego Velázquez, pintado durante os primeiros anos do artista como pintor da corte do rei Filipe IV. Salort-Pons, especialista em Velázquez, publicou as suas descobertas na edição mais recente da revista ARS Magazine, editada pelo Museu do Prado, em Madrid.

Intitulada «O Conde-Duque de Olivares em Armadura» (1626), a pintura redescoberta retrata Gaspar de Guzmán y Pimental, vulgarmente conhecido como o Conde-Duque de Olivares, que foi primeiro-ministro de Espanha entre 1623 e 1643 e um «valido» (favorito da corte) de Filipe IV. A obra pertence atualmente a uma coleção privada, segundo Salort-Pons, que não fornece informações sobre a proveniência recente da obra.

Publicado em espanhol, o ensaio de Salort-Pons refere que, aquando da sua chegada à corte espanhola vindo de Sevilha, em 1626, Velázquez recebeu do Conde-Duque de Olivares a encomenda de realizar dois retratos: um do próprio Conde-Duque e outro de Francesco Barberini, um cardeal italiano que era sobrinho do Papa Urbano VIII, para comemorar a missão diplomática de Barberini junto da corte espanhola. Após a conclusão, as duas obras deveriam ser trocadas, ficando o conde-duque com a de Barberini e vice-versa.

«Fontes contemporâneas revelam que nenhum dos retratos obteve a aprovação do italiano», escreve Salort-Pons. «Enquanto o retrato de Barberini continua perdido, o que se acredita ser o de Olivares é aqui apresentado.»

O DIA está atualmente a organizar uma exposição intitulada «Velázquez & Olivares: Os primeiros anos na corte», centrada na carreira do pintor durante a década de 1620, quando «passou de um jovem e ambicioso forasteiro de Sevilha a pintor oficial da corte do rei Filipe IV de Espanha», de acordo com a descrição. Essa exposição terá início em janeiro de 2027, e o ensaio de Salort-Pons é uma adaptação de outro texto que será publicado no catálogo que a acompanha.

São atualmente conhecidos outros três retratos do Conde-Duque de Olivares, da autoria de Velázquez, pintados entre 1623 e 1626 para refletir tanto «o poder do favorito real na corte e a sua proximidade com o rei» como «para apresentar a nova monarquia e a sua administração sob uma perspetiva significativamente diferente da do reinado anterior, refletindo um espírito de reforma e austeridade», escreve Salort-Pons.

As três versões mostram Olivares vestido todo de preto, com uma capa sobre o ombro esquerdo e uma corrente de ouro a atravessar-lhe o peito, o que, como Salort-Pons observa, estava «muito na moda na época». Ele encontra-se ao lado de uma mesa coberta com veludo vermelho. A versão mais antiga, de 1624 e atualmente propriedade do Museu de Arte de São Paulo, acrescenta uma chave e esporas de ouro ao seu traje para simbolizar os seus cargos.

As outras duas versões datam ambas de cerca de 1625 e são atribuídas a Velázquez. Uma pertence à Hispanic Society of America, em Nova Iorque, e a outra à Coleção Varez Fisa, sediada em Madrid. Estas duas apresentam diferenças subtis em relação ao retrato anterior, uma vez que substituem esses acessórios pela cruz bordada da Ordem de Alcántara, uma ordem militar, bem como por um bastão apoiado na mesa e pelo conde-duque a segurar um chicote de equitação. Salort-Pons acrescenta que estes símbolos representavam «as suas obrigações políticas e militares», bem como «a sua capacidade de governar a nação».

A pintura de 1626, recentemente atribuída, sugere, segundo Salort-Pons, que Velázquez criou «um terceiro protótipo do retrato de Olivares», que o mostra mais como um líder militar do que nas representações anteriores, que destacavam Olivares como estadista. Além disso, em vez de um retrato de corpo inteiro, o mestre opta por um retrato de busto, e Olivares é agora «retratado a usar armadura e a faixa vermelha de um general», com o cabelo «ligeiramente despenteado, com uma madeixa a cair sobre o lado esquerdo da testa».

Para reforçar ainda mais a sua tese, Salort-Pons escreve que a «pincelada fluida e o impasto mais espesso», característicos de Velázquez, são visíveis na armadura, na faixa, nos detalhes metálicos dourados e nas pregas do tecido, que empregam «um estilo e uma técnica comparáveis aos encontrados no Retrato de Filipe IV (1626–1628)», que, segundo ele, também partilha a sua composição com o retrato de Olivares de 1626.

Salort-Pons conclui dizendo: «Em resumo, este retrato ilustra de forma magistral a interseção entre a arte e a diplomacia entre a corte espanhola e o Vaticano em 1626. Representa a adição mais significativa ao catálogo de Velázquez nos últimos anos e constitui a primeira imagem documentada do favorito real em armadura.»


Fonte: Artnews