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EXPOSIÇÕES ATUAIS

RE.AL, Lisboa" data-lightbox="image-1">
Gustavo Sumpta, LAB 12, RE.AL, Lisboa

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ARQUIVO:


GUSTAVO SUMPTA

LAB 12.3




ATELIER RE.AL
Rua Poços dos Negros, 55
1200-336 Lisboa

07 MAI - 07 MAI 2006

A coisa e o corpo

A última performance de Gustavo Sumpta teve lugar no dia 7 de Maio no atelier da RE.AL, no contexto da décima segunda edição do LAB, um modelo de residência de artistas, com a duração de três semanas, no qual o trabalho é acompanhado por “facilitadores” que, neste caso, foram João Fiadeiro (assistido por Marie Mignot), Pedro Costa e João Fernandes. À apresentação do trabalho seguiu-se um debate entre estes intervenientes (à excepção de Pedro Costa), o artista e o público.

Analisar ou criticar o trabalho de Gustavo Sumpta não pode ser feito a direito, não podemos (nós, pelo menos) pretender referir uma ou outra localização e somos pudicos quanto a estabelecer uma família ou limitá-lo a um enquadramento. Sabemos que escaparia. O aparente imediatismo do seu trabalho parece-nos resultar do estudo apurado do assunto físico, de uma indagação da potência real da coisa e do corpo. Esta performance, como outras obras do artista, resulta na apresentação do objecto no seu estado de tensão máxima, impregnado por uma análise psicológica e intuitiva do espaço e do movimento. O corpo está presente, o autor é mínimo, a pessoa máxima, prudente e calma. Mudar o espaço (povoá-lo e habitá-lo) é uma responsabilidade colectiva que tem de ser negociada, passo a passo, entre o mundo-homem e mundo-objecto, porque as coisas acontecem também na nossa ausência. Sumpta, a partir deste apartamento, personifica o objecto fazendo-o imitar-se a si próprio, sejam pneus, mortalhas ou rolos de papel higiénico: há um momento limite da repetição em que a forma cede e, através de uma transformação compositiva, a coisa significa.

Nas suas Elegias de Duíno, Rilke escreveu: “Com todos os olhos a Criatura vê / o Aberto. Só os nossos olhos estão / como que ao contrário e envolvem-na toda / como armadilhas em volta da sua saída livre.” Nós acreditamos que o esforço de Sumpta é precisamente sentir a força das armadilhas da nossa interpretação, os limites que nos são impostos pelo racionalismo e pela intelectualização que tendemos a fazer do mundo, e das suas partes. Estando tão próxima do registo poético, a performance descarna o conceito das coisas, permitindo ao espectador reformular-se perante o objecto enquanto ele se transforma e modifica o espaço perante os seus olhos. As possibilidades de interpretação são imensas, mas fica a força. O impacto deste trabalho é o mesmo que sentimos perante o belo ou o irremediável.

Durante a apresentação e na conversa que se seguiu, fomos levados a pensar em Kurt Schwitters, nas suas colagens (a sala estava revestida pela publicidade postal do hipermercado) e no seu Merz (um pneu usado habitava a sala e viria a enrolar o chão mudando a qualidade do espaço). O óbvio diálogo entre o artista e os seus objectos fez-nos pensar se não estaríamos a assistir a uma efectiva tentativa de construção de uma Merz Sprache, uma linguagem afectiva que transporte o homem para a vida escondida em todas as coisas, que o una e obrigue a atentar à capacidade de cada corpo, e possa pacificar o furor ansioso com que estamos dispostos a devorar o mundo.


As próximas apresentações públicas do trabalho de Sumpta estão marcadas para 16 de Junho no espaço PêSSEGOpráSEMANA (Porto), para o primeiro fim-de-semana de Setembro no Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) e para Outubro (em dia a definir) no espaço “a sala”, também no Porto.



PêSSEGOpráSEMANA
Rua Antero de Quental, n.133, Porto

a Sala
Rua do Bonjardim, 253 2º, Porto



José Roseira