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ESTUDO DESCOBRE QUE “ABSTRAÇÕES” NÃO PROVOCAM RESPOSTAS EMOCIONAIS UNIVERSAIS ENTRE OS ESPECTADORES

2020-08-14




No tratado da cor de Goethe de 1810, ele escreveu, "o vermelho-amarelo dá uma impressão de calor e alegria." Ainda acrescentou que “os sentimentos que despertam são rápidos, vivos, e ambiciosos”. A sua ideia de que os atributos visuais, como cor e forma, causam respostas universais nos espectadores, influenciou a teoria da arte desde então.

Num estudo publicado no início deste ano na revista PLOS ONE contestou-se a ideia de que a experiência poderia ser “universal”, as mesmas emoções perante as mesmas abstrações. Para desafiar esta teoria, os participantes foram convidados a observar reproduções de três obras de arte abstrata: Sem título de Wassily Kandinsky (1934), Sem título de Joan Miró (1961) e Siebdruck 6 de Fritz Winter (1950). Os investigadores que lideraram o estudo encontraram poucas evidências de respostas emocionais compartilhadas no que se referia a estas pinturas.

“Em todos os tipos de imagens, a maioria dos termos não apresenta concordância e não havia um padrão consistente no qual os indivíduos concordassem com os mesmos termos”, relataram os investigadores. “Esta refutação da universalidade desafia um pressuposto fundamental no qual se baseiam os discursos históricos e contemporâneos sobre arte.”

Durante o estudo, os espectadores foram em primeiro lugar solicitados a olhar para as pinturas abstratas como um todo. Os investigadores então extraíram os elementos de cada trabalho - uma linha preta, um círculo vermelho, um quadrado amarelo. Os participantes foram testados nos termos tradicionais atribuídos às cores na crítica de arte: quente e frio, pesado e leve.

Constatou-se que elementos isolados das obras desencadeavam reações mais imediatas e divisivas do que quando os espectadores consideravam uma pintura como um todo. Isso levou a mais desacordos entre os participantes sobre o que os pintores poderiam estar a tentar comunicar. O significado do círculo vermelho de Kandinsky, por exemplo, provocou reações mais variadas do que a totalidade da pintura Untitled.

A pesquisa contou com dois grupos de participantes: um composto por estudantes de história da arte e outro composto por pessoas sem qualquer conhecimento significativo de história da arte. Para surpresa dos investigadores, a experiência em arte quase nada tinha a ver com a experiência do espectador com a obra. O único efeito da educação artística, foi o de estabelecer associações básicas entre cor e emoção - associações que o estudo concluiu serem frequentemente falsas. “Os efeitos estéticos não são compartilhados universalmente, mas sim grandemente determinados por uma avaliação privada”, afirmaram.

Fonte: ARTnews