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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Olafur Eliasson, “Your mobile expectations: BMW H2R project”, 2007. Instalação, 145 x 525 x 255 cm. Foto: Brøndum & Co., Poul Buchard. Cortesia do artista e BMW AG München


Gardar Eide Einarsson, “The World Is Yours”, 2005. Instalação no Louisiana Museum of Modern Art. Instalação. Foto: Brøndum & Co., Poul Buchard. Cortesia do artista e Louisiana Museum


Monica Bonvicini, “Don’t Miss a Sec’”, 2004. Instalação. Foto: Brøndum & Co. / Poul Buchard. Cortesia da artista e Louisiana Museum


Superflex, “Flooded McDonald’s”, 2008. Vídeo. Foto: Brøndum & Co. / Poul Buchard. Cortesia dos artistas e Louisiana Museum


Cao Fei, “Whose Utopia”, 2006. Vídeo. Foto: Brøndum & Co. / Poul Buchard. Cortesia do artista e Lombard-Freid Projects


Rafael Lozano-Hemmer, “Frequency and Volume”, 2003. Instalação. Foto: Brøndum & Co. / Poul Buchard. Cortesia do artista e Louisiana Museum

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ARQUIVO:


COLECTIVA

The future is yours




LOUISIANA MUSEUM OF MODERN ART
Gl. Strandvej 13
3050 Humlebæk, Denmark

05 SET - 10 JAN 2010


Letras luminosas constituídas individualmente por lâmpadas de luz amarela constroem a frase “The world is yours” (O futuro é vosso). Visível a uma distância de cerca de 500 metros (apesar de os ramos das árvores atrapalharem a visibilidade), o título da exposição é o trabalho feito em 2005 pelo artista Gardar Eide Einarsson (n. 1976, Oslo) e ocupa o telhado da entrada do Museu Louisiana até 10 de Janeiro de 2010.

A entrada do Louisiana é enganadoramente modesta. À primeira vista, estamos perante mais uma moradia burguesa de Humlebæk, a 45 minutos de comboio de Copenhaga. Contudo, basta passar a porta para perceber a magnificência do espaço. “The future is yours” começa na entrada do Museu e prolonga-se pelo jardim com vista para o mar e por três andares do edifício. Paralelamente, uma exposição sobre arquitectura e uma exposição da colecção existem no mesmo edifício que, num primeiro olhar, parece mais uma casa do que um museu.

Durante muitos anos, artistas, realizadores, escritores, sociólogos concentraram atenções na alienação do Homem no mundo moderno. Obras como “Não-Lugares” do antropólogo francês Marc Augé e os filmes “Alphaville” e “Mon Oncle” dos realizadores de cinema também franceses, respectivamente, Jean Luc-Godard e Jacques Tati são exemplo desta problemática.

O mundo moderno tornou-se inabitável na sua alienação, segundo afirmação do historiador dinamarquês Hans-Jørgen Schanz. O título da exposição é um passo em frente nesta constatação, é um apelo ao lado humano das decisões e do poder de mudança. Neste caso, mudar para um mundo participativo e consciente em oposição a um mundo alienado ou, de outro modo, um mundo pós-moderno.

As gerações desde os anos 80 até hoje são encorajadas a pensar o mundo enquanto lugar pequeno e acessível. Este facto deve-se, essencialmente, ao desenvolvimento tecnológico e consequente conceito de “aldeia global” introduzido por Marshall McLuhan nos anos 70.

A arte contemporânea está num espaço híbrido concedido pelas novas tecnologias e media que se por uma lado criam uma alienação ao espaço real, contraditoriamente favorecem também as ideia de interacção e participação. Estas ideias, na arte contemporânea, são cada vez mais transpostas para o lugar do real – tomemos como exemplo o trabalho da artista norueguesa Sissel Tolaa “The Fear of Smell – The Smell of Fear” em que duas paredes são cobertas por suor de oito homens apelando ao sentido humano do olfacto. Os suores destes oito homens foram analisados quimicamente e reconstruídos também quimicamente na matéria que forra duas das paredes da primeira sala da exposição no primeiro andar da “The world is yours”, no Louisiana.

“The world is yours” apresenta trabalhos que são reflexo do “aqui e agora”, segundo o curador Anders Kold. E esse reflexo é explorado de um modo humanista, em oposição ao mundo moderno. Desde trabalhos que exploram os sentidos a trabalhos que exploram as emoções, o percurso de “The world is yours” não pretende ser um percurso visionário mas um retrato da actualidade.

A consciência do corpo numa dialéctica entre o público e o privado é explorada pela artista italiana Mónica Bonvicini em “Don’t miss a sec.” No jardim do Louisiana. Os mais curiosos entram dentro deste cubículo espelhado e fecham-se lá dentro enquanto outros ficam do lado de fora a tentar perceber o que acontece lá dentro. No entanto, quem está a ser observado é quem está do lado de fora já que, do espelho para dentro não se vislumbra quaisquer movimentos. Já de dentro do cubículo que é uma casa de banho pública (a mais limpa e com melhores equipamentos que alguma vez vi), tudo é transparente para que não se perca um segundo de vida do que se passa lá fora.

No filme do colectivo dinamarquês Superflex “Flooded McDonald’s”, entramos nos antípodas do lugar privado. Em “30 secs.” de Douglas Gordon (n. 1966, Glasgow) voltamos ao apelo da consciência humana. Neste caso, da consciência da mortalidade. Tal como é hábito em Gordon, lança questões sobre o corpo e a alma, a vida e a morte. Com este trabalho, ficamos a saber que uma cabeça decapitada por uma guilhotina pode abrir os olhos e mostrar sinais de consciência nos primeiros (e últimos) trinta segundos fora do corpo.

“The world is yours” apresenta 24 trabalhos de 24 artistas internacionais de diferentes gerações. Desde trabalhos que já foram vistos em Bienais a trabalhos de colecções privadas, apresenta um percurso sólido que é apresentado duas vezes, temos que voltar à entrada para sair da exposição. Apesar de não ser comum e ter sido uma escolha técnica e não conceptual, fez sentido numa exposição desta dimensão e com estes conceitos. Voltar atrás e poder entrar (literalmente) no trabalho de Olafur Eliasson (n. 1967, Copenhaga) e experimentar o frio de um congelador industrial em que estava uma fila de cerca de 10 pessoas para entrar, fez todo o sentido em “The world is yours”, um mundo de possibilidades e de realidades, por mais absurdas que sejam.


Luísa Santos