Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Newsha Tavakolian, série Listen, 2011. Cortesia: New Art Exchange


Tamara Abdul Hadi, série Picture an Arab man, 2009. Vista da exposição. Fotografia: Inês Valle


Tanya Hadjouqa, série Fragile Monsters: Arab Body Building, 2009. Cortesia: New Art Exchange


Tanya Hadjouqa, série Jerusalem in Hells: Transsexuals of the Holy Land, 2006. Cortesia: New Art Exchange


Vista geral das obras de Dalia Khamissy, série Abandoned Spaces, Líbano, 2007; Newsha Tavakolian, série Mothers of Martyrs, 2006. Fotografia: Bartosz Kali


Laura Boushnak, série Survivor, 2007-2012. Cortesia: New Art Exchange


Newsha Tavakolian, série Mother of Martyrs, 2006. Cortesia: New Art Exchange


Dalia Khamissy, série The missing: Lebanon, Líbano, 2010. Cortesia: New Art Exchange


Tanya Hadjouqa, série Women of Gaza, 2009. Cortesia: New Art Exchange


Tanya Hadjouqa, série Women of Gaza, 2009. Cortesia: New Art Exchange


Myriam Abdelaziz, série Egyptian Revolution, 2011. Fotografia: Inês Valle


Myriam Abdelaziz, série Transition, 2012. Fotografia: Inês Valle

Outras exposições actuais:

CORPO, ABSTRACÇÃO E LINGUAGEM

OBRAS DA SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA EM DEPÓSITO NA COLEÇÃO DE SERRALVES


Museu Municipal de Espinho / FACE, Espinho
SORAIA FERNANDES

COLECTIVA

PAUSA | LIVROS - PARTE 2


PLATAFORMAS ONLINE,
SÉRGIO PARREIRA

ZHENG BO

THE SOFT AND WEAK ARE COMPANIONS OF LIFE


Kunsthalle Lissabon, Lisboa
DIOGO GRAÇA

PEDRO VALDEZ CARDOSO

O FILHO DO CAÇADOR


Appleton [Box], Lisboa
FRANCISCA CORREIA

CATARINA BRAGA

POST-WORLD


PLATAFORMAS ONLINE,
CATARINA REAL

COLECTIVA

PAUSA | LIVROS - PARTE 1


PLATAFORMAS ONLINE,
SÉRGIO PARREIRA

NATÁLIA AZEVEDO ANDRADE

THORNS AND FISHBONES


PLATAFORMAS ONLINE,
CATARINA REAL

LOURDES CASTRO

A VIDA COMO ELA É


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

TÂNIA CARVALHO

COMO SE UMA CAMADA DE ESCAMAS BEM FECHADA


PLATAFORMAS ONLINE,
CATARINA REAL

FRANCISCO VIDAL

OFICINA TROPICAL


Zet Gallery, Braga
FRANCISCA CORREIA

ARQUIVO:


COLETIVA

Realism in Rawiya – photographic stories from the Middle East




NEW ART EXCHANGE
39 - 41 Gregory Boulevard
NG7 6BE

25 JAN - 20 ABR 2013

Rawiya_ Aquela que conta a história

please scroll down for English version
>>>>>>>>>>>>>>




Nos dias que correm vulgarizou-se mundialmente uma ideia sobre a região do Médio Oriente, na qual é reduzida a um território de conflito, violência e miséria; lugares que acolhem ou refugiam aqueles que são hoje a imagem banalizada do terrorista, do agressor ou opressor. Infelizmente, esta é mais uma conceptualização extremamente limitada gerada por uma visão ocidentalizada, que com o 11 de Setembro e as recentes revoluções árabes se tem tornado cada vez mais vincada. Com estes últimos eventos, esta região tem obtido uma visibilidade incomparável nos mais diversos meios de comunicação internacional mas também, se observou um exponencial acréscimo de interesse por parte dos vários atores do mundo da arte, que incitaram a produção, reflexão e exibição de arte contemporânea do Médio Oriente, uma nova fonte de rendimento agora em voga.

Rawiya é o primeiro coletivo fotográfico feminino que emerge do cenário do Médio Oriente, e surge como uma plataforma para combater estereótipos e reinterpretações equivocadas à qual a região está hoje associada. Através dos seus projetos artísticos procura tornar visível questões políticas e sociais comummente ignoradas, refletindo sobre os estereótipos e descriminações a que a região e população árabe é constantemente alvo, tanto no mundo ocidental como oriental. O próprio estereótipo da mulher árabe acabou mesmo por conduzir à decisão de tornar este coletivo artístico num exclusivamente feminino, numa tentativa de ganhar e demonstrar autonomia numa sociedade que é vista como dominada pelo homem, acabando também por ser uma forma de se destacarem tanto no panorama artístico como na arena sociopolítica.

As artistas que constituem este coletivo desenvolvem um carreira paralela como fotojornalistas e, na sua maioria possuem dupla nacionalidade ou uma dupla herança cultural e identitária, o que além de lhes proporcionar um maior discernimento face aos medos e intolerância inerentes à visão do mundo árabe, dá-lhes a vantagem de uma fácil mobilidade, algo que normalmente é condicionado ou negado a cidadãos da região do Médio Oriente. Exemplo é a restrição quer da entrada de palestinianos em Israel, ou de árabes nos Estados Unidos.

Determinadas em expor memórias rejeitadas ou ignoradas desta região, Dalia Khamissy, Laura Boushnak, Myriam Abdelaziz, Newsha Tavakolian, Tamara Abdul Hadi e Tanya Habjouqa, elementos do Rawiya, apresentam a sua primeira grande exposição coletiva no Reino Unido, intitulada Realism in Rawiya, patente na New Art Exchange e co-curada por Saleem Arif Quadri.

Esta exposição é uma oportunidade de enriquecermos o nosso discernimento sobre idealizações ou juízos estereotipados, onde são expostas histórias desconhecidas, como a contribuição das mulheres na revolução egípcia, a equipa de rally feminina na Palestina, ou mesmo um olhar distinto sobre os transsexuais em Israel.

Ao entrarmos nesta exposição somos imediatamente confrontados com o núcleo central, constituído pelos únicos projetos fotográficos apresentados que exploram diretamente a identidade contemporânea do homem árabe. Trabalhos que procuram desmistificar ou desconstruir a imagem que vulgarmente se difundiu na imprensa, um homem híper-masculino rígido de barba e turbante. Tamara Abdul Hadi apresenta-nos a série Picture an Arab man, retratos que exploram sensivelmente a identidade do jovem homem árabe, que tanto vive no oriente como no ocidente. Retratos em que todos os elementos identificativos da cultura árabe são retirados, destacando a individualidade pessoal de cada homem retratado, e onde a exploração da sensualidade masculina árabe é salientada ao máximo. Esta nova visão de Hadi acaba por redefinir uma imagem alternativa e contrária à ideia propagandeada de um homem fanático, possessivo e intolerante, fomentada pelas mesmas sociedades que patrocinam as guerras pela liberdade e democracia no Médio Oriente. Uma outra aproximação ao tema são as séries de Tanya Habjouqa: Fragile Monsters: Arab Body Building e Jerusalem in Hells: Transsexuals of the Holy Land. Estes são trabalhos que exploram uma realidade geralmente fechada em que os seus atores procuram encontrar o seu lugar numa sociedade que os discrimina. Os primeiros, retratam participantes do décimo sétimo campeonato anual árabe de culturismo em Amã, e expõem as inseguranças e fragilidades de homens que procuram uma carreira profissional como culturistas. Habjouqa ao abrir os bastidores deste campeonato, revela-nos tanto imagens de ostentação de beleza como imagens de emoção, abate, fragilidade destes homens. Uma das imagens desta série mostra todo o excesso e pressão a que estes homens se sujeitam, um homem completamente extenuado no chão devido à excessiva privação de líquidos para maximizar a definição muscular. A segunda série apresenta uma realidade que desafia a conceptualização convencional da “terra santa”, a existência de travestis palestinianos e israelitas, e a sua presença e convivência em diversos bares noturnos na cidade de Jerusalém. Habjouqa através das suas fotografias desmistifica a ideia deste lugar “sagrado” − excessivamente religioso e conservador, em permanente confronto entre árabes e judeus − revelando uma das comunidade que desafia as convenções políticas e sociais impostas.

O constante estado de conflito a que esta região tem sido submetida nos últimos tempos é também dissecada nesta exposição, não através de imagens gratuitas de violência ou horror, que habitualmente vemos nos noticiários, mas através de uma perspetiva contada na primeira pessoa do pós-conflito e seus sobreviventes. Os trabalhos que abordam estas temáticas acabam por envolver ou monopolizar quase toda exposição, ou não fosse este um dos assuntos que mais interpela a nossa condição humana.

Duas grandes impressões fotográficas preenchem as duas paredes laterais direitas, transpondo ou ampliando de algum modo o espaço expositivo para um lugar onde as marcas e memórias da devastação pela guerra ocorreram. Estas são imagens de espaços abandonados no sul do Líbano, resultado do ataque de Israel ao Líbano em 2006, ao que a artista Dalia Khamissy define-os como imagens “que não são a história do Líbano, mas a história da guerra” [1]. Casas particulares e espaços de convívio familiar carregados de memórias tornaram-se lugares expostos, públicos e devastados pelo poder da guerra. Khamissy ao fotografar estes espaços procura restituir-lhe um pouco da sua dignidade, como que quisesse reter a lembrança da história de quem lá viveu.

Já na série Survivor de Laura Boushnak, um projeto desenvolvido durante seis anos em que a artista documenta as lutas diárias de jovens sobreviventes de bombas, durante a guerra entre Hezbollah e Israel. Boushnak apresenta uma série de fotografias de Mohammed, um rapaz que aos 11 anos de idade perdeu ambas as pernas por causa de uma bomba de fragmentação, contando-nos uma das muitas histórias de sobrevivência e perseverança, uma luta contra todos os obstáculos e impedimentos num país que abandonara todos os incapacitados, deixando-os à mercê da sua sorte.

Todos nós temos plena consciência que qualquer conflito ou guerra deixa escoriações profundas na memória de cada um, no entanto, quem não as suportou esquece-se facilmente do que sucedera, mal esta deixe de ser notícia de destaque. Newsha Tavakolian e Dalia Khamissy documentam em Mother of Martyrs e The missing: Lebanon respetivamente, duas realidades aparentemente muito próximas, retratos de mulheres que perderam os seus filhos e ou maridos devido à guerra. Tavakolian retrata o aparente orgulho de mães de mártires da guerra entre o Irão e o Iraque; e Khamissy a perpétua história de mulheres que sobrevivem com tristeza por não saberem o paradeiro dos seus amados. Em Mother of Martyrs vemos estas mães , num misto sentimento de tristeza e orgulho, a segurarem com as suas mãos a última fotografia que possuem dos seus filhos. O abismo geracional visível neste duplos retratos, entre a mãe e o retrato do filho, origina uma reflexão sobre o quão antinatural é esta relação. A imagem e a memória heroica dos filhos permanece intacta enquanto as mães envelhecem, mas o passar do tempo dá-lhes oportunidade de refletir se esta perca foi realmente valiosa ou recompensadora.

As mulheres retratadas por Khamissy demostram visivelmente o descontentamento e revolta pela guerra lhes ter retirado os seus filhos ou maridos. Dados oficiais, confirmam que ainda existem 17.000 pessoas desaparecidas durante o período da guerra civil, entre 1975 e 1990, no qual muitas foram raptadas ou assassinadas nas mãos de diferentes militares do Líbano, Síria, PLO [2], Israel ou mesmo dos seus aliados. São fotografias de imensa carga emocional, onde através do olhar destas mulheres se vê um terrível sofrimento, mas também a forma como estas pessoas carregam a memória dos seus amados. Múltiplos altares de objetos pessoais propagam-se pelas suas casas, objetos que permanecem no mesmo local aquando estes homens foram levados pelas autoridades, como que existisse uma réstia de esperança de que os seus proprietários ainda estejam vivos e retornem a casa.

Habjouqa, por viver em Israel e saber a língua, mas também por possuir um passaporte americano, consegue aceder com facilidade a territórios que são extremamente controlados e interditos, como o território de Gaza. Procurando mostrar um lado optimista e perseverante de mulheres neste território, Habjouqa acaba por se aproximar de várias famílias e retratar os seus quotidianos e momentos de lazer, tentando mostrar que apesar de viverem numa condição de constante perigo iminente, estas procuram gozar de uma vida “normal”. Na série Women of Gaza, documenta por exemplo uma família num estranho piquenique numa praia aparentemente deserta, onde esta se reúne alegremente na retaguarda do seu carro com a porta-bagagens aberto (talvez como uma precaução que algum perigo ocorra). Ou então, um momento de aparente liberdade, onde retrata estudantes extremamente felizes por fazem uma pequena viagem de 10 minutos de barco pela costa de Gaza no Mar Mediterrâneo, o mais longe permitido pelas autoridades locais.

A liberdade de expressão é sem dúvida um dos direitos mais ambicionados por aqueles que sobrevivem em sociedades opressoras, onde a censura e descriminação é imposta através de certos governos conservadores ou autoritários. Muitos artistas que vivem nestes lugares e que possuem uma opinião contrária às da autoridade, são forçados a adaptar-se ou encontrar meios alternativos para se poderem expressar ‘livremente’. Deste modo a fotografia ou vídeo tornaram-se sem dúvida meios de expressão privilegiados para quem trabalha sob estas restrições político-sociais, proporcionando uma fácil reprodução e disponibilização dos seus trabalhos internacionalmente. O graffiti também se tem tornado numa das formas de expressão artística mais possantes, principalmente em países do norte de África, funcionando como uma ativa plataforma de expressão política, e simultaneamente encorajando uma arte pública participativa.

Myriam Abdelaziz, esteve no Cairo durante o período em que decorreu a revolução egípcia, participando como cidadã e documentando simultaneamente as múltiplas manifestações que sucederam. Transparecendo para as séries Egyptian Revolution e Transition um olhar próximo de quem compreende as lutas culturais, políticas e económicas do povo egípcio, na primeira série destaca a participação corajosa e triunfante da mulher egípcia, que juntamente com os milhares de protestantes marchara na reivindicavam os seus direitos. Já a série Transition documenta o período transitório em que a SCAF [3] esteve no poder, e através de um olhar atento à evolução dos graffitis exibidos em paredes do Cairo, documenta o violento diálogo entre os vários intervenientes da revolução no Egito. A morosidade da SCAF em cumprir as suas promessas, levaram a que a população começasse a expressar a sua opinião de descontentamento face à ausência de progresso para uma democracia real. Assim, sobre os graffitis já existentes começou a proliferar um conjunto de manifestações políticas revelando a frustração de uma inteira população. O interessante é que aqueles que outrora eram vistos como os libertadores nestas manifestações ou expressões políticas (SCAF), agora abafam-nas com tinta branca, proporcionando por sua vez paredes limpas para a continuação do debate sobre o futuro do Egito.

No Irão, a fotografia foi introduzida em 1844, mas foi só imediatamente antes à revolução de 1979 que esta passou a ser utilizada por iranianos como um dos meios de expressão privilegiados, sendo um dos seus primeiros percursores o fotojornalista Abbas. No entanto também o fotojornalismo acaba também por ser alvo de censura política. Por esta razão, a artista iraniana Newsha Tavakolian que apresenta a sua obra nesta exposição, passou do fotojornalismo para a fotografia conceptual como modo de tentar ultrapassar esta censura imposta na imprensa do país, à qual ela descreve como “uma forma de conseguir respirar dentro do mundo sufocante de censura” [4]. A sua série Listen explora a sujeição de restrições a cantoras profissionais femininas, que segundo as crenças islâmicas impostas, é-lhes negado poderem cantar a solo, atuar em público ou produzir CDs, estando limitadas a cantar em coros ou como vocal de apoio de cantores líderes masculinos. Por este motivo Tavakolian decide idealizar quatro capas de CDs com retratos individuais de mulheres, sendo estes paralelamente apresentadas com 6 vídeosclips mudos de mulheres a cantarem a solo para a sua câmara. A importância que este trabalho encerra em si, expõe não só a censura a que as mulheres no Irão são condicionadas, mas funciona também como uma declaração da própria artista, que considera que “a voz da mulher representa um poder que, se for silenciado, desequilibra e deforma a sociedade”.



NOTAS

[1] Catálogo da exposição, Realism in Rawiya – photographic stories from the Middle East, New Art Exhange, 2013.
[2] PLO é a sigla para Palestine Liberation Organization.
[3] SCAF é sigla utilizada para o Conselho Supremo das Forças Armadas.
[4] Catálogo da exposição: Realism in Rawiya – photographic stories from the Middle East, New Art Exhange, 2013.


>>>>>>>>>>>>>>>>>



RAWIYA: AQUELA QUE CONTA A HISTÓRIA
Text by Inês Valle, 2013


Collective exhibition
Realism in Rawiya – photographic stories from the Middle East
New Art Exchange
Nottingham, United Kingdom
25 January - 20 April/ 2013



Currently there is a widespread idea of the Middle East region, where it is reduced to a territory of conflict, violence and misery; places that welcome or shelter those who represent the hackneyed image of the terrorist, aggressor or oppressor. Unfortunately, this is just another extremely restricted conceptualization engendered by the westerns policy makers, one that with the 9 / 11 and the recent Arab revolutions, has become more engraved in peoples’ minds. Since these last events, this region has been given an incomparable visibility in the international media, as never before, and also, there has been a remarkable increase of interest in the art-world, which has stirred up the production, criticism and exhibition of contemporary Middle Eastern art, representing a ‘new’ source of income, now in vogue.

Rawiya is the first all female photographic collective emerging from the Middle Eastern region, and has been brought up together as a platform to reflect and struggle against stereotypes or misrepresentations that this region has been frequently associated with. Through its artistic projects it exposes political and social issues commonly ignored, either by the occidental or oriental worlds. The very Arab woman´s stereotype has lead to the decision of an exclusively female photographic collective, in an attempt to achieve or demonstrate the woman´s autonomy in a society that is seen as dominated by man, which eventually ended up highlighting the collective not only in the artistic panorama but also in the socio-political arena.

The artists part of this group, also develop a parallel career as photojournalists and its majority owns either a dual nationality or/and a dual identity and cultural inheritance, which gives them not only a wider discernment of the fears and intolerance towards the Arab world, but also the advantage of an easy mobility, something that is usually restrained or denied to these region´s citizens. An example is the restriction of Palestinians into Israel, or Arabs in the United States.

Determined in disclosing rejected or ignored memories and stories of this region, Dalia Khamissy, Laura Boushnak, Myriam Abdelaziz, Newsha Tavakolian, Tamara Abdul Hadi and Tanya Habjouqa, members of the Rawiya, present their first major exhibition in the United Kingdom, titled Realism in Rawiya: Photographic stories from the Middle East, at New Art Exchange and co-curated by Saleem Arif Quadri.

This exhibition is an opportunity to deepen our discernments about idealizations or stereotyped judgments, where unheard or unfamiliar stories are displayed, such as the women´s involvement in the Egyptian revolution, or a female rally team in Palestine or even a distinct vision of the transsexuals in Israel. When entering the exhibition we are faced with a set of works that explore the contemporary Arab man’s identity. Artworks that try to demystify or deconstruct the common image of the Arab man, typically disseminated in the mainstream media - a hyper-masculine rigid man with beard and turban.

Tamara Abdul Hadi presents the series “Picture an Arab man”, portraits that feelingly explore the identity of the nowadays young Arab man, either living in the Middle East or abroad. Photographs where the identifiable elements of the Arab culture have been removed, highlighting the personal individuality of the portrayed man, where its sensuality is stressed to its maximum. This fresh new vision of Hadi, ends up redefining an alternative and contrary image to the one propagandized, of the fanatic, possessive and intolerant man, an idea fomented by the same societies that sponsor the wars for freedom and democracy in the Middle Eastern.

Another approach to this issue is Tanya Habjouqa’s series: “Fragile Monsters: Arab Body Building” and “Jerusalem in Hells: Transsexuals of the Holy Land”. These are works that explore usually veiled realities, with its actors seeking a place in a society that constantly discriminates them. The first series, presents portraits of contestants of the 17th annual Arab Body Building Championship held in Amman, exposing the insecurities and weaknesses of these supersized mans. By opening to the viewer, the championship backstage, Habjouqa simultaneous disclose us images of ostentatious beauty as well strong images of emotion, depression and fragility. One of the photographs shows the excesses and pressures that these mans subject themselves, an overwrought man lying down on the floor due to the privation of liquids, in order to maximize his muscular definition. Its second series reflect a reality that defies the conventional conceptualization of the “Holy land”, the existence of Palestinians and Israeli travesties and its presence and acquaintanceship in nocturnal bars in the city of Jerusalem. Photographs that end up demystifying the idea of this “sacred” place - excessively religious and conservative, in a permanent confrontation between Arabs and Jews - disclosing one of the communities that defy social and politics conventions imposed.

The constant state of conflict that this region has been submitted these last times is also dissected in this exhibition, not through the common images of violence or horror that we are so accustomed too, but through an individual perspective presented in the first person, of the after-conflicts and its survivors. The artworks that approach these subjects end up surrounding almost all of the exhibition space, as it would be expected as these are subjects that challenge the most our human condition.

Two huge photographic prints fill the two right sidewalls, transposing or extending in some way the exhibition space to a place with marks and memories of the havoc of war. These are images of abandoned spaces in the south of the Lebanon, resulted from the 2006 attack of Israel to Lebanon, images that the artist Dalia Khamissy defines as “not the story of Lebanon, but a story of a war” [1]. Private spaces and familiar houses loaded with memories, witnesses of the power of war, now devastated, exposed, public and ravaged. When Khamissy photographs these places she tries to return them back some dignity, as if she wanted to hold back some of the memories of those who once lived there.

In Laura Boushnak’s “Survivor” series we can have a glimpse of the daily struggle of those trying to survive in the aftermath of war. A project developed throughout 6 years, Boushnak documents the reality of life after the war between Hezbollah and Israel, and presents us the story of Mohammed, an eleven-year-old boy who lost both legs due to a cluster bomb. This is one of the many stories of survival and perseverance, a struggle against all obstacles and deterrents in a country that has abandoned their disabled people, leaving them to the mercy of their own luck.

We all have full conscience that any conflict-war leaves deep excoriations into the memories of those who had lived it; however those who didn´t actually lived through it will easily forget them as soon as the conflict stops being covered on the spotlight news. In Newsha Tavakolian and Dalia Khamissy’s series - “Mother of Martyrs” and “The missing: Lebanon” respectively, they explore two apparently similar realities, of women who lost their loved ones due to the consequences of war.

In “Mother of Martyrs” we can easily perceive through the eyes of these women, a mix of feeling of sadness and pride, when holding in their wrinkled hands the last portrait of the forfeit children. The generational abyss evident in these double portraits, of mother and son, leads us immediately to reflect on how abnormal this realness is. The perpetual photograph as the heroic memory of the sons will be timeless, while the mothers will get older and eventually perish, but this lingering time will maybe give them the chance to reflect if this loss was in fact in vain. However, in the woman portrayed by Khamissy we don’t see this uncertain of emotions, it´s evident the discontentment and revolt against a war that had taken their sons and/or husbands. Official data, confirms that there are still 17,000 missing people in Lebanon from the period of the civil war, between 1975 and 1990, a period where many were abducted or assassinated at the hands of several military of Lebanon, Syrian, PLO [2], Israel or even its own country´s allies. These are photographs with a very strong emotional load, where through the eyes of these women we can see a dreadful suffering, but also the way they carry the memory of their loved ones. Multiple personal objects are erected throughout the different rooms in their house, as if they were altars; objects of their beloved remain in the same place when these men were taken by the authorities, a remnant glimmer of hope here represented by an unrelenting waiting for their owners to return home.

Habjouqa, not only for living in Israel and understanding the language, but also for holding an American passport, obtains an easy access to some territories that are extremely controlled and interdicted, as Gaza. Trying to show the optimist and perseverant side of the women that live there, Habjouqa manages to get closer to some families and portray their quotidian and some leisure moments, of people that although living in a constant condition of imminent danger, seek to enjoy life as “normal“. In one of the photographs of the series “Women of Gaza”, Habjouqa registers for example, a family on a strange picnic in a apparently desert beach, congregating in the rear of its car with its car boot open. Another portrays a moment of seeming freedom, of students extremely happy on a short 10-minute boat trip from Gaza´s coastline in the Mediterranean Sea, the farthest allowed by the local authorities.

Freedom of speech is without a doubt one of the most ambitions rights for those who survive in oppressing societies, where censorship and discrimination endures in the course of certain authoritarian or conservative governments. Many artists that reside in within these systems, and have opinions that contradict the authorities, are in a way forced to adapt or to find alternative ways to express them “freely”.

Maybe this is one of the reasons that have made photography or video such privileged mediums, by providing a tool that can easily reproduce and expose their works internationally. The graffiti has also become one of the most powerful forms of artistic expression, especially in the North of Africa, acting as a dynamic platform for political manifestations while simultaneously stimulating a collaborative public art.

Myriam Abdelaziz was in Cairo during the period where the Egyptian revolution took place, participating as citizen whilst documenting the numerous manifestations that had occurred. Transposing to the “Egyptian Revolution” and “Transition” series, an inmost look of someone who understands the cultural, political and economic fights of the Egyptian people, in the first series she emphasizes the courageous and triumphant participation of the Egyptian women, who together with the thousands of marchers demand of their rights.
Her other series “Transition”, documents the transitory period where SCAF [3] was in the power, capturing the violent dialogue between the several actors of the Egypt’s revolt, expressed in the multiple street’s graffiti in Cairo. The SCAF´s slowness in fulfilling its promises, namely the lack of progress for a real democracy, spread feelings of disappointment among the population, and, on top of the existing graffiti, a new set of political manifestations started to proliferate, demonstrating a frustration of an entire population. It´s interesting to observe that those who once were seen as the liberators (SCAF), now stifle with white paint the new graffiti, laughably providing in turn clean white walls for the extension of the debate about the Egyptian future.

Photography was introduced in Iran in 1844, but it was only just before the revolution of 1979 that it started to be used as privileged way of expression by Iranians, with its first forerunner the photojournalist Abbas. However in Iran, the photojournalism is also a target of political censorship and for this reason, the Iranian artist Newsha Tavakolian abandoned photojournalism for a more conceptual photography, as a way to surpass this imposed censorship which she describes as `a way of breathing within the smothering world of censorship`.

In the “Listen” series, Tavakolian explores the subjection that female professional singers are confined to. Due to imposed Islamic beliefs, they are denied to sing solo, perform in public or even produce CDs, and are confined to be choirs singers or back-up singers for male vocalists. In this exhibition the artist also presents us four idealized cover CDs with individual female portraits which are exhibited in parallel with six mute video-clips of woman “singing” solo, directed to the artist´s camera. The importance of this art project resides not only on the censorship that Iranian woman are restricted to but also gives as a strong personal statement of the artist, for whom the “women´s voice represents a power that if you silence it, imbalances society, and makes everything deform”[4].


FOOTNOTES

[1] Exhibition Catalogue: Realism in Rawiya – photographic stories from the Middle East, New Art Exchange, 2013.

[2] PLO: Palestine Liberation Organization

[3] SCAF: Supreme Council of the Armed Forces.

[4] Artist webiste www.newshatavakolian.com




Inês Valle