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EXPOSIÇÕES ATUAIS


On the Roof


The Last Cigarrette


Vista da exposição.


Iggy Pop


Vista da exposição.


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Vista da exposição.


Inauguração - vista da exposição.


Vista da exposição.

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ARQUIVO:


RITA BARROS

Bohemia – life and death in the Chelsea Hotel




BIBLIOTECA FCT/UNL - CAMPUS DA CAPARICA
Universidade Nova de Lisboa, Campus de Caparica
2829-516 Caparica

15 SET - 15 NOV 2014


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Eye on Roof

 

Na Sala de Exposições da FCT/UNL – Campus de Caparica, está patente ao público Bohemia – life and death in the Chelsea Hotel, uma exposição retrospetiva da carreira da fotógrafa Rita Barros, radicada há cerca de trinta anos em Nova Iorque, e que adotou o Chelsea Hotel como residência. Apesar de retrospetiva, a exposição centra-se no auge e queda de um local icónico da cultura nova-iorquina – o Chelsea Hotel, fonte de inspiração para muitos dos que lá passaram, mostrando-nos a vida e a personalidade dos que lá residiram, através de uma ambiência muito própria e especial.

Decorrendo até 15 de novembro, a exposição tem início com alguns dos primeiros trabalhos mais representativos dos primeiros anos da carreira da artista, predominantemente na área da música, ainda que simbolicamente a imagem de abertura seja a de Nova Iorque. Sendo as primeiras imagens a preto e branco, como quem chega de novo à grande cidade, a fotografia de Rita Barros rapidamente ganha cor assim que se vêem as imagens seguintes, terminando em cores suaves, deslavadas, como que a lembrar a decadência do espaço, numa sequência de ancestralidade, apogeu e decadência. É, também nisso, uma exposição pensada e sentida.

São vários os aspetos a merecerem a devida atenção nesta exposição comissariada por Jorge Calado. Em primeiro lugar a importância de uma exposição que abarca as várias fases da vida artística de Rita Barros. Depois a intensidade de alguns retratos ali presentes, assim como a modernidade de algumas imagens, cuja proposta estética se cruza com novos olhares em matéria de paisagem urbana ou da utilização da cor. Aliás Jorge Calado, diria na mesa redonda que se realizou, que a artista pensa e compõe a cor. Nada mais certo. Depois, excelentes impressões, quer em preto e branco, quer em cor, seja em cibachrome, seja em digital. Por fim, toda uma montagem expositiva, que só poderia ser aquela naquele espaço. Desde a presença da personalidade da artista, materializada no conjunto sobre fundo vermelho, à sequência da leitura das imagens, passando pelos diálogos entre diferentes pontos da sala, até mesmo às questões de escala e de mancha visual. Tal como um cigarro e um café nos transmitem odores e paladares fortes, intensos e inesquecíveis, também a nossa postura perante as imagens pode marcar a diferença. A artista agarra nas memórias que nos sugere e mostra-nos a sua paixão pela vida e de como tira partido dela, vivendo-a de uma forma intensa. Desafia-nos e intimida-nos com o seu olhar direto. Provoca-nos com a sua ousadia em The Last Cigarrette e atinge-nos: os olhos ficam presos em cada movimento, em cada ponto do seu corpo, em cada pormenor Incrementando essa agressividade e paixão pela vida, ora com o vermelho, ora com os padrões floridos ou frutados que a acompanham no dia-a-dia e que caracterizam uma pessoa com paixão, audaz e decidida, mas também madura e segura. Com o seu olhar direto e até desafiador, chama-nos, toca-nos, atinge-nos. Usa abusivamente da cor vermelha que a caracteriza, tal como ela refere, mas arriscamo-nos a dizer que quase não seria necessário recorrer a essa cor, quando ela consegue mostrar a sua forte presença em cada imagem.

Ao mesmo tempo, é bem patente na montagem desta exposição a evolução estética e a maturidade atingida pela artista. Desde o recurso ao psicadélico da cor nos primeiros retratos (Shizo, 1989) onde o conjunto deve ser visto como um todo, até às imagens do local (Roof with Scaffolding, 2012 ou o magnífico Eye on Roof, 2012). E, recorrendo uma vez mais às palavras de Jorge Calado, é preciso conhecer um artista para perceber a sua obra. Fez-nos lembrar uma afirmação semelhante de João Tabarra, na Carpe Diem, a propósito de quando se opina sobre uma exposição ou sobre uma obra e se desconhece o contexto da produção ou o artista e a sua personalidade ou a sua cultura, estamos a amputar a compreensão de uma parte significativa dessa mesma obra, quando mesmo não estamos a compreendê-la de todo.

O largo conjunto de imagens, cronologicamente sequenciais da vida da artista em Nova Iorque, não se cinge à caracterização do espaço ou da envolvente. Rita Barros entra também por caminhos mais íntimos e pessoais centrados no seu quotidiano. São também imagens que nos fazem recuar a algumas anteriores exposições da artista, quer nos Encontros de Fotografia de Coimbra, quer na saudosa Galeria Pente 10, quer mais recentemente na Galeria da Atalaia.

Se o Chelsea Hotel é um longo repositório da vida boémia de Nova Iorque, desde o século XIX até aos dias de hoje, com o seu cortejo de artistas, escritores ou figuras famosas que o escolheram como residência – Andy Warhol, Marilyn Monroe, Arthur C. Clarke, Leonard Cohen e muitos outros, as imagens de Rita Barros constituem uma forma de acolhimento na grande cidade e no microcosmos que é o Chelsea Hotel, fazendo-nos sentir em casa, fundindo-nos com elas. São imagens que conseguem traduzir o ambiente de liberdade e de multiculturalismo, que está na génese do Chelsea Hotel, como se fosse uma grande aldeia vertical. Um espaço onde cada um é aquilo que é, sem preconceitos, e onde se aprende a aceitar e ajudar o outro.

Mas estas imagens, no seu todo, são também, simultaneamente e paradoxalmente, uma memória e um grito de revolta contra a desvalorização da memória e da história de um passado culturalmente determinante, em troca do brilho de algumas opções económicas. O hotel foi vendido em 2011, começando nesse ano as obras e o despejo dos seus residentes. As imagens de Rita Barros, pela sua força e pelo sentir com que foram realizadas, conseguem-nos retratar essa condição de paraíso perdido, de lugar único, que vemos porque ainda resiste fisicamente, mas que contraditoriamente sabemos que de facto já não existe. Como se a possibilidade da liberdade de cada um estivesse em perigo. Não são só as imagens das paredes vazias que nos transmitem a destruição do objeto propriamente dito. Para quem esteve presente no dia da artista (e dê-se por feliz por isso), também pôde sentir, sem ficar indiferente, ao que levou o fim do Chelsea Hotel. Despedaçou lares e deixou pessoas destroçadas. Vazias por dentro. Então, praticamente no início e no fim da exposição, a autora agarra-se ao seu auto retrato para nos mostrar a sua paixão pela vida. Fica-nos o orgulho de sabermos que alguém luta para que não se perca definitivamente aquele espaço e aquela Liberdade!


 



António Lopes / Sandra Osório

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