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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Cortesia do artista.


Vista da exposição. Cortesia do artista.


Vista da exposição. Cortesia do artista.


Vista da exposição. Cortesia do artista.


Vista da exposição. Cortesia do artista.


Marc Behrens, “White Phantoms”, 2015. Cortesia Sismógrafo.


Vista da exposição. Cortesia do artista.


Vista da exposição. Cortesia do artista.

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ARQUIVO:

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MARC BEHRENS

A MAGNET BETWEEN PROTEINS AND SUGAR




SISMÓGRAFO
Praça dos Poveiros 56, 1º andar, sala 1
4000 Porto

27 FEV - 14 MAR 2015

A Proteína e o Açúcar entre o Íman

 

Tudo nesta exposição parece vir de um passado que é metodicamente coleccionado e preservado num arquivo que se acumulou através dos anos. Esta é uma babel de vozes e corpos e paisagens. Todas têm algo de familiar: já nos cruzamos com esta alienação. [1]

 

 

Marc Behrens apresenta A Magnet Between Proteins and Sugar no espaço Sismógrafo (Porto) sob o signo de uma multidisciplinaridade que convoca a imagem, a palavra, o corpo enquanto instrumento político, a música (de John Cage ao jazz, do techno ao hip-hop, do rock ao registo experimental e concreto), e a narrativa multimédia para construir uma autêntica genealogia de objectos e memórias, entre o passado e o presente, cruzando o trabalho pessoal do autor com uma perspectiva familiar e íntima, biografia e auto-biografia confundindo-se e influenciando-se.

 

Na primeira sala, várias são as peças que permitem constituir um olhar crítico sobre a obra de Marc Behrens como artista, músico e performer, sobretudo desde meados dos anos 80 até 2013, a partir de Darmstadt, sua cidade natal. Sublinho a presença de três ilustrações feitas com base no seu próprio livro, Bitte Bleibt Blind, figurando um pesadelo no qual uma baleia monstruosa, qual Leviatã, persegue e assassina de forma suave os habitantes de uma cidade fictícia; um conjunto de quatro fotocópias que encenam uma performance-tortura em que Behrens surge a punir Chris Keller, personificando um manifestante de extrema-esquerda; as cassetes dos anos 80, esteticamente artesanais, que reúnem os mais variados géneros executados pelo autor, da clássica contemporânea à noise e electrónica, produzidas no tempo da sua anterior editora, a Animal Art, extinta em 1993; mas também o célebre manifesto assinado pelo próprio Marc Behrens (e no topo do documento vemos também a assinatura de Cage), um acto de guerrilha que pretendia contestar a hegemonia da música operática nos festivais de Darmstadt; e ainda várias capas de álbuns realizadas através de processos de colagem e associação de imagens, de inspiração surrealista, trabalhos gráficos de grande apuração técnica. E no centro da sala, uma peça icónica, lembrando uma forca, da qual brotam uma quantidade abundante de fita magnética, essencial às cassetes, estando assim Behrens a representar a morte de um conteúdo, a questionar a temporalidade de um médium aparentemente datado.

 

A segunda sala desta exposição é dedicada ao relato das histórias familiares, em paralelo com o som captado em lugares tão longinquamente próximos como a África do Sul, o deserto do Kalahari ou a Amazónia, oscilando entre a polifonia e o vazio fantasmagórico, que insiste numa experiência sensorial que a errância da viagem iniciou. Também as quatro pedras, chamadas White Phantoms, que o artista foi encontrar em Viseu, emitem pequenos sons produzidos por insectos registados na Namíbia, dialogando intrinsecamente com a sua oposta Black Phantoms, conjunto de pedras queimadas, resultado da destruição de uma pequena casa situada numa aldeia polaca.

 

O branco e o negro testemunham o contraste da memória. A invocação da imagem do pai e da mãe de Behrens surge igualmente em lógica de antítese: nove fotografias, ou nove mortes psicológicas, a par de uma partitura de rádio, acompanham a vida do elemento paterno, soldado nazi que participou na invasão da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial e que esteve detido num campo de concentração em Magnitogorsk (ex-URSS), culminando num objecto coberto de açúcar de contornos fálicos, derretendo-se com a energia de uma chama que flameja ininterrupta num Ipad, desenhando a forma de uma fechadura que poderá ser aberta por uma espécie de chave psicológica que desvende os impulsos insondáveis da psique. Com isto, está o autor a sugerir que, porventura, faltará alguma doçura à vida do seu pai. Piada trágica que se transforma em significado artístico.

 

O elemento materno é recordado através da peça The Six Desires of IAAW, a “materialização de um espírito num ectoplasma de plástico”, os desejos frustrados de uma mãe que queria desenhar e ser artista, mas que o trabalho numa padaria impediu definitivamente. Sonho esse transferido e concretizado pelo filho Marc Behrens. Ao lado, as marcas de uma clara de ovo que traduzem o poder de criação imanente à condição feminina. Desta forma, se por um lado, o pai corresponde ao açúcar (recorde-se o objecto fálico), a mãe está associada à proteína que compõe o ovo, a semente inalienável da criação. Marc Behrens, o artista, o músico, o filho, é o íman que atrai e mantém coesa esta ligação familiar, pessoal, estética, auditiva e visualmente complexa, esta biopolítica que se estrutura no lugar, no tempo, na memória, na arqueologia das coisas, no grande arquivo do mundo, bebendo de referências como Joseph Beuys, Cecil Taylor, William Burroughs ou Alejandro Jodorowsky.

 


A Magnet Between Proteins and Sugar, exposição-cosmos num só espaço, para visitar ou revisitar na Sismógrafo, até dia 14 de Março, data em que Marc Behrens encerrará esta mostra com uma audition especial, uma peça sonora da sua autoria.

 

 

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Notas

[1] De costas voltadas para o futuro, folha de sala de A Magnet Between Proteins and Sugar.