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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia cortesia Fundação Calouste Gulbenkian.


Vista da exposição. Fotografia cortesia Fundação Calouste Gulbenkian.


Manon de Boer, Caco, João, Mava and Rebecca (2019), still do vídeo. Cortesia Jan Mot, Bruxelas, e Fundação Calouste Gulbenkian.


Vista da exposição. Fotografia cortesia Fundação Calouste Gulbenkian.


Vista da exposição. Fotografia cortesia Fundação Calouste Gulbenkian.


Manon de Boer, Bella, Maia and Nick (2018), still do vídeo. Cortesia Jan Mot, Bruxelas, e Fundação Calouste Gulbenkian.


Manon de Boer, The Untroubled Mind (2016), still do filme 16mm, transferido para digital. Cortesia Jan Mot, Bruxelas, e Fundação Calouste Gulbenkian.

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MARC LENOT

ARQUIVO:


MANON DE BOER

DOWNTIME / TEMPO DE RESPIRAÇÃO




FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
Av. de Berna, 45 A
1067-001 Lisboa

31 JAN - 13 ABR 2020

O Tempo, a Liberdade e a Criação

 

 


Existem objetos que se acumulam, se combinam, dando formas mais complexas e equilíbrios precários (e mais tarde descobrimos que foi o filho da artista que assim os montou). Existem sons, ruídos, música, instrumentos de sopro e bateria, três jovens músicos que, sem descanso, brincam com um ou com o outro, divertem-se, experimentam, seguem as regras do música, mas também explorando os limites (e descobrimos que é no fim do mundo ou quase, em Saint-Ives). Existem corpos adolescentes que se movem e dançam, juntos mas solitários, concentrados e tensos, regulados e livres ao mesmo tempo (e então compreendemos que é na própria Gulbenkian). E, se não houvesse mais do que isso, já apreciaríamos o trabalho de Manon de Boer, a sua capacidade de filmar os adolescentes, deixá-los expressarem-se e a tentar agarrar como se exprime a sua criatividade, a sua relação com a música e o movimento: passar do nada a qualquer coisa a outra coisa.

 

 

Manon de Boer, Oumi (2019), still do vídeo. Cortesia Jan Mot, Bruxelas, e Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

Mas é o quarto filme desta exposição na Gulbenkian (até 13 de abril) que é a pedra angular, a síntese deste trabalho, o seu ápice. Oumi não é bailarina, mas tem a graça e a leveza; Oumi não é música, mas brinca com os objetos para obter sons sincopados, ruídos rítmicos; Oumi monta objetos, brinca e faz malabarismos com eles. Oumi improvisa, mas, contrariamente aos três músicos e aos quatro bailarinos, ela é a dona do tempo, ela suspende-o e alonga-o languidamente, ela não tem restrições, nem obrigações, nem agenda, e Manon de Boer inclina-se para ela e deixa ir.

 

Não estamos numa performance filmada, mesmo que esteja em total liberdade, estamos numa indiferença que se digna a oferecer-se à câmara com, negligentemente, um toque de ironia. E é muito bonita, essa combinação de criação e de liberdade.

 



MARC LENOT