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REVELADOS VENCEDORES DA SEXTA EDIÇÃO BES REVELAÇÃO

2010-07-23




O júri do BES Revelação, composto por Margarida Mendes (curadora independente, programadora do espaço The Barber Shop, em Lisboa), Simon Rees (curador-chefe do CAC de Vilnius), Simone Menegoi (curador e crítico de arte italiano, colaborador da revista Kaleidoskope) e Pierre Leguillon (curador e artista, Paris), seleccionou, por unanimidade, os projectos enviados a concurso por Carlos Azeredo Mesquita, Eduardo Guerra, Miguel Ferrão e Mónica Baptista.

Carlos Azeredo Mesquita (1988) apresentou a concursoThe Radiant City. Este projecto partiu de uma estadia do artista em Budapeste. Depois de encetar uma reflexão sobre as cidades socialistas e idealistas construídas de raiz em países ex-comunistas, Carlos Mesquita decidiu fotografar (catalogar e arquivar, de certa maneira), nos subúrbios de Budapeste, um conjunto de caravanas (pequenos estabelecimentos comerciais) estacionadas em frente a casas, mais ou menos uniformes, de habitação social. Este projecto comenta o destino de determinadas utopias, ao mesmo tempo que nos confronta com a utilização da fotografia enquanto mera ferramenta documental, nomeadamente por parte de artistas que trabalharam nos anos de 1960 – justamente a década de todas as utopias.

Eduardo Guerra (1986) apresentou um projecto intitulado Uma Teoria Particular e que parte de Teoria das Cores, de Goethe – texto composto, em grande medida, por descrições de experiências ópticas realizadas a meia luz. O artista propõe uma situação escultórica onde o som desempenhará o papel central de compreensão da peça: “O excerto lido faz referência a diversas experiências visuais e faz alusão a modos de representação e à forma como estes estão dependentes de um modo de ver, referindo a observação não como uma acção neutral, mas como profundamente activa no sentido do que vê”.

Miguel Ferrão (1986) concorreu ao BES Revelação com um projecto intitulado Diálogo de Ornitólogos. Recorrendo ao vídeo, à serigrafia e ao texto, o projecto, iminentemente instalativo, prevê a criação de três núcleos de peças, todas relacionadas com um “encontro entre ornitólogos, numa determinada circunstância espacial, interagindo através do discurso indirecto, ou seja, intercalando o seu posicionamento, em termos de discurso, entre a coincidência e o desfasamento”.

Mónica Baptista (1984) propõe-se executar um filme animado a partir de centenas de rolos fotográficos (de diapositivos). Prosseguindo as suas pesquisas em torno do filme documental, e sobre a relação entre imagem fixa e imagem em movimento, a artista pretende misturar em filme os registos diarísticos, pessoais (diários de viagens) e políticos (nomeadamente apresentando um Portugal que difere muito da imagem pretensamente urbana e cosmopolita, ou, pelo contrário, rural e exótica, que os turismos tentam vender).

O BES Revelação é um prémio instituído pelo Banco Espírito Santo e que visa fomentar a mais jovem produção artística nacional. Graças a um concurso aberto, a que podem concorrer todas as pessoas até aos 30 anos, portuguesas ou que residam em território nacional, são seleccionados – sempre por um competente e legitimante júri internacional – até quatro dos projectos enviados a concurso. Para realizar estes projectos, cada um dos artistas vencedores recebe uma bolsa de produção de 7500 euros. O prémio consiste ainda na oportunidade de ver os seus trabalhos expostos numa exposição no Museu de Serralves, que, nesta sexta edição, terá lugar em Novembro de 2010.

Informação disponível em: www.bes.pt