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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Paula Rego “Metamorfose”, 2002. Pastel sobre papel montado em alumínio. 110 x 140 cm. Kistefos-Museet, Jevnaker, Noruega


Paula Rego, “O homem almofada”, 2004 (tríptico). Pastel sobre cartão. Três partes, 180 x 120 cm. c/u 180 x 360 cm no total. Colecção da artista.


Paula Rego, “O homem almofada”, 2004 (tríptico). Pastel sobre cartão. Três partes, 180 x 120 cm. c/u 180 x 360 cm no total. Colecção da artista.


Paula Rego, “O homem almofada”, 2004 (tríptico). Pastel sobre cartão. Três partes, 180 x 120 cm. c/u 180 x 360 cm no total. Colecção da artista.


Paula Rego, “A Pequena Assassina”, 1987. Acrílico sobre papel montado em tela. 150 x 150 cm. Colecção privada, Londres

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ARQUIVO:


PAULA REGO

Paula Rego




MUSEO NACIONAL CENTRO DE ARTE REINA SOFÍA
Santa Isabel 52
28012 Madrid

26 SET - 30 DEZ 2007


A generalização esclarecida da importância do posicionamento artístico internacional de Paula Rego, no sentido da confirmação da exemplaridade do seu corpo de trabalho, está ainda aquém do necessário para lhe assegurar o papel de inequívoca incontornabilidade histórica que detém. A consensualidade co-existe nos seus domínios geo-biográficos, entre Portugal e a Grã-Bretanha (onde o CCB e a Tate Liverpool Gallery lhe dedicaram visões retrospectivas em 1997), apesar de nunca lhe terem sido atribuídas honras de representação. Outras exposições, nacionais e internacionais, direccionadas para um meio específico, período de produção ou série temática, foram determinantes para a divulgação da obra de Paula Rego, mas a actualização alargada dos conteúdos que retrospectivamente, pressupõe, impunha-se. O ano de 2007 rompe, finalmente, embora em considerável atraso no reconhecimento, a volátil fronteira ibérica para além do circuito meridional: Paula Rego expõe no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, onde arrisca apresentar uma das exposições do ano.

Marco Livingstone foi o historiador de arte escolhido por Paula Rego para comissariar a exposição de Madrid. Mais interessante que a determinação do enfoque geral e particulares da monumental exposição, que segue uma linha cronológica e estabelece relações mais ou menos prováveis e literais entre os conjuntos temáticos ou seriais escolhidos e as obras que os integram, nas vinte salas que transparecem a neutralidade da curadoria, é o ensaio por ele publicado em catálogo. Isento de inibições dogmáticas, o texto vai tão dentro quanto emocionalmente possível do conjunto da obra, que é o mesmo que dizer do percurso biográfico da sua autora. Como intermediário, promove uma recepção profundamente comovida, esclarecida, contextualizada e intelectual do corpo de trabalho produzido por Paula Rego ao longo de mais de cinquenta anos. Outros exercícios de excepção completam a publicação: um ensaio de Robert Hugues, uma entrevista pelo comissário e uma série de comentários de Paula Rego sobre as obras em exposição.

Sem encenação ou subtilezas a exposição reúne, para além das obras anteriormente apresentadas, algumas inéditas dos últimos anos de produção, numa selecção muito alargada de trabalhos que compreende todo o tipo de suportes e técnicas utilizadas (89 pinturas, 44 gravuras, 5 livros e 64 desenhos). A vertigem da diversidade da experiência dos meios, da excelência dos resultados e da quantidade de obras produzida é aqui traduzida sem esforço ou qualquer risco. Funcional, recusa manifestamente a contaminação dos conteúdos. Opta pela intervenção mínima e privilegia a experiência estética como forma de recepção activa do corpo de trabalho apresentado (o que não implica que as tabelas de exposição não contenham informação técnica suficientemente detalhada), modelo com o qual o catálogo assume uma feliz complementaridade.

Da figuração ingénua dos anos da Slade School of Art (1952-1956); às primeiras colagens políticas; à narratividade do bestiário das Operas e das Vivian Girls; à visceralidade dos acrílicos com figuração humana; aos complexos estudos realizados a lápis, aguarela, aguada ou tinta sobre papel; às gravuras a água-forte e água-tinta em compulsiva reinvenção literária até aos primeiros pastéis de grande formato (1994), o trajecto desenvolve-se em progressivo naturalismo, complexidade, exigência técnica e domínio obsessivo do desenho. O encontro determina todo o trabalho subsequente e o lugar de produção maior de Paula Rego: a tela, primeiro, o papel depois, desconcertantemente riscado a pastel.

À seminal série “Mulher Cão” (1994) sucedem outras de importância fundamental no corpo de trabalho de Paula Rego, como as “Avestruzes Dançarinas do filme Fantasia de Disney” (1995); “O Crime do Padre Amaro” (1997-98) ou “Aborto” (1998-99). Obras como o tríptico “The betrothal, after Marriage à la Mode by Hogarth” (1999); “Metamorfose” (2002) ou “Guerra” (2003) são apresentadas junto a outras mais recentes como “A Sala de Shakespeare” (2005); “A tia (Nada)” (2006) ou Promessas Desfeitas (2006), que antecipam o derradeiro diálogo expositivo estabelecido entre os monumentais trípticos “O Homem Almofada” (2004) e “O Pescador” (2005), exibidos, respectivamente, na primeira e última salas do percurso. A referenciação e citação artísticas (Goya, Hogarth, Daumier, Ensor, Freud, Bacon); a “re-imaginação” literária (Charlotte Brontë, Franz Kafka, Hans Christian Andersen, Martin McDonagh); o naturalismo inventivo (produção fantasista dos cenários e sua observação directa) e o convencionalismo nos materiais utilizados são componentes de um classicismo intemporal que actua critica e desconstrutivamente sobre a contemporaneidade política, social e moral. Do particular para o geral, de dentro do seu próprio mundo, em grito, para a possibilidade de um entendimento da justiça universal. A exposição segue para Washington.




Lígia Afonso