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IBRAHIM MAHAMA LIDERA A LISTA POWER 100 DA ARTREVIEW2025-12-05O artista ganês ganhou destaque na última década com grandes instalações, utilizando frequentemente sacos de juta e retalhos têxteis – como restos da indústria do cacau do Gana – costurados por equipas para formar colchas gigantes que depois estende sobre edifÃcios. Mahama é a primeira pessoa do continente africano a ocupar o primeiro lugar na lista Power 100, sendo a sua posição o resultado do seu papel tanto como artista como criador de infraestruturas que auxiliam outros artistas a concretizar as suas visões. O trabalho de Mahama aborda questões de trabalho, extração e exploração. Utiliza a sua posição no panorama artÃstico global para refletir sobre estas questões de forma prática, criando instituições educativas e artÃsticas, bem como estabelecendo parcerias colaborativas. Nos últimos anos, Mahama tem direcionado os lucros obtidos com a venda das suas obras em galerias de prestÃgio para uma série de instituições na sua cidade natal, Tamale: o Red Clay Studio, o Savannah Centre for Contemporary Art (SCCA) e o Nkrumah Volini, que acolhem residências artÃsticas, projetos de estudantes, workshops para crianças e exposições. À medida que os modelos tradicionais de museus e galerias enfrentam dificuldades, o potencial para novas formas de apoio e partilha da arte torna-se crucial para o presente e o futuro próximo. Mahama é emblemático da forma como muitos artistas contemporâneos estão a assumir o controlo tanto dos meios de produção como dos de distribuição. A lista dos dez artistas mais importantes deste ano é, em parte, definida por artistas que, tal como Mahama, estão a criar a sua própria infra-estrutura, reflectindo o desejo de aproximar a produção artÃstica do mundo da arte. O egÃpcio Wael Shawky está a "curar" uma feira de arte, enquanto o artista singapurense Ho Tzu Nyen está a curar uma bienal. Outros nomes na lista incluem fundadores de programas de residências artÃsticas (Mark Bradford, Yinka Shonibare, Tracey Emin), criadores de centros e escolas de arte (Wolfgang Tillmans, Theaster Gates, Marina Abramovi?, Emily Jacir, Dalton Paula, RAQS Media Collective) e criadores de novos ecossistemas através de bienais e festivais (Sammy Baloji, Bose Krishnamachari). Isto acontece em paralelo com grupos como Forensic Architecture, blaxTARLINES e Cercle d’Art des Travailleurs de Plantation Congolaise, que estão a reinventar a forma como o seu trabalho deve ser distribuÃdo e quem deve ser o seu público. Muitos destes indivÃduos ou grupos actuam em locais e contextos fora dos centros tradicionais de recursos comerciais, governamentais e filantrópicos. A crescente presença dos Estados do Golfo no topo desta lista (Sheikha Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani, Sheikha Hoor Al Qasimi, Badr bin Abdullah Al Saud) reflecte outra forma de construção institucional, com os enormes recursos que estão a investir nas artes e na cultura, tanto a mudar o foco das suas economias centradas no carbono como a reconhecer as artes como um meio de fortalecer a marca nacional. Com as guerras culturais e a austeridade em pleno vigor em antigos centros de poder artÃstico, como os EUA, a Alemanha e o Reino Unido, o Golfo está a tornar-se cada vez mais uma plataforma a partir da qual os artistas e os curadores podem expandir o seu trabalho. Esta mudança é também um reconhecimento de que os museus e as galerias estão num momento de transição. Em muitos centros de arte tradicionais, os museus estão num impasse em relação ao financiamento e à programação, há preocupação com o encerramento de tantas galerias de média dimensão conhecidas e muitas das grandes galerias de renome estão a reportar quedas drásticas nos lucros (chegando a quase 90% em algumas regiões, segundo relatos de jornais). Nos últimos 12 meses, muitos mecenas das artes (como Miuccia Prada, Bernard Arnault, François Pinault e Han Nefkens) eliminaram os antigos intermediários para financiar diretamente os artistas através das suas próprias instituições privadas ou fundos de produção. As galerias que permanecem na lista da ArtReview (e são certamente menos numerosas do que no passado) fazem mais do que simplesmente vender arte, com os projetos editoriais de David Zwirner; as fusões entre a pop e a moda de Emmanuel Perrotin; e a Hauser & Wirth, Prateek Raja e Priyanka Raja da Experimenter e Liza Essers da Goodman abraçando a pedagogia. A lista no seu todo reflete o nosso momento atual, confrontando questões de censura e subjugação: artistas, curadores e pensadores que lidam com representação e tecnologia, ao mesmo tempo que questionam o que a arte pode fazer num mundo cada vez mais definido por conflitos. Fonte: Artreview |













