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MUSEU DO CHIADO INAUGURA 4 NOVAS EXPOSIÇÕES2026-02-25“Linhas Cruzadas" dá título a esta exposição que põe no seu centro a artista Maria Augusta Bordalo Pinheiro, irmã de Rafael e Columbano Bordalo Pinheiro, "duas figuras centrais da cultura do século XIX e XX em Portugal", sublinhou Filipa Oliveira, diretora do museu. Nesta exposição, obras pouco conhecidas da artista serão apresentadas no Museu Nacional de Arte Contemporânea -- Museu do Chiado (MNAC-MC) em diálogo com trabalhos das artistas Ana Silva, Joana Vasconcelos e Sonia Gomes, até 02 de maio. "Eu queria que este primeiro início de ciclo no museu criasse um cruzamento entre o modernismo e a contemporaneidade, fazendo um arco temporal daquilo que é a missão do Museu do Chiado: estudar, investigar, expor e trabalhar a arte contemporânea em Portugal desde 1850, até ao presente", sublinhou a diretora, que assumiu o cargo há um ano, em março de 2025, no quadro dos concursos internacionais de dirigentes realizados pela Museus e Monumentos de Portugal (MMP). Irmã de duas personalidades destacadas da cultura da época, em Portugal, Maria Augusta Bordalo Pinheiro "acabou por ser uma figura completamente apagada da História da Arte, e o objetivo foi recuperar a sua obra de artista, designer, pedagoga, que viria a recuperar a arte das rendas de bilros e a abrir uma oficina própria para produzir e ensinar os seus desenhos em Lisboa". A artista foi a primeira diretora da Escola de Desenho Industrial Rainha D. Maria Pia, em Peniche, entre 1887 e 1889, mais tarde renomeada como Escola Industrial de Rendeiras Josefa de Óbidos, e teve um papel fundamental na recuperação e divulgação desta arte tradicional e na profissionalização deste trabalho feminino. "Nesta grande exposição quisemos colocar Maria Augusta Bordalo Pinheiro em diálogo com três artistas contemporâneas cujo legado influenciou, uma delas muito diretamente: Joana Vasconcelos", salientou Filipa Oliveira, recordando que a artista portuguesa esteve a trabalhar na recuperação da Fábrica Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha. Ali, Joana Vasconcelos "encontrou um pote feito pelo Rafael e pela Maria Augusta Bordalo Pinheiro, e percebeu a dimensão do seu trabalho extraordinário, inspirando-se muito, não só na sua ética profissional, mas também na recuperação das artes ditas menores e cruzamento com as artes ditas maiores, nomeadamente das rendas com a cerâmica", apontou a diretora do MNAC-MC. Quanto à artista angolana Ana Silva, e à artista brasileira Sonia Gomes, também representadas na exposição, "trazem uma memória cultural onde a renda era um momento de afirmação de um saber e identidade muito marcada no Estado Novo, que recuperaram também para questionar essa identidade nacional e a sua construção", acrescentou. "Esta exposição é muito um manifesto daquilo que eu gostava que o museu fosse: investigação historiográfica séria sobre a História da arte em Portugal, mas através de uma leitura contemporânea, com elos e ligações à contemporaneidade", disse à Lusa Filipa Oliveira, sobre a visão que marcará as programações futuras do museu criado em 1911, após a divisão do antigo Museu Nacional de Belas-Artes. Nas quatro novas exposições estarão também dois jovens artistas que pela primeira vez apresentam obras numa grande instituição museológica: Jaime Welsh, com "A Oferta", e Mariana Duarte Santos, com "Calafrio", e ainda a proposta coletiva e performativa dos alunos de mestrado de Curadoria do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra na exposição "Anti-Isto. Manifesto-Poema", ainda traçada pela direção anterior, de Emília Ferreira. Para Filipa Oliveira, "é importante abrir a coleção do museu, fazê-la viajar em parceria com instituições nacionais e internacionais, para que seja partilhada com o público em geral, numa estratégia de abrir o museu à comunidade". Outra ideia forte do projeto da historiadora de arte e curadora é pensar "o que é um museu nacional, o seu papel e lugar, numa ideia de geografia porosa que mostra também um pensamento para além das fronteiras, tentacular, do que pode ser a história da arte portuguesa, ou de Portugal, e as influências fora do país". "O museu nacional tem de ir muito além do que é feito no seu território, mas esta ideia de uma história de arte de Portugal pode ser contada aqui, estendendo as fronteiras", vincou a curadora, entre 2018 e 2025 programadora de Artes Visuais da Câmara Municipal de Almada, tendo a seu cargo a direção artística da Casa da Cerca, Galeria Municipal de Almada, Convento dos Capuchos e Solar dos Zagalos. Ao mesmo tempo, o MNAC-MC irá desenvolver parcerias com escolas e outras instituições como museus e universidades, para "reforçar uma programação de atividades paralelas para vários públicos", desde festivais, seminários e conferências. "Tem sido uma relação muito difícil com a Faculdade de Belas Artes, aqui ao lado, mas o nosso objetivo é conseguir criar laços afetivos. É uma questão muito importante para mim", comentou ainda a diretora. Questionada sobre o ponto da situação do projeto das obras de remodelação e ampliação do Museu do Chiado - no valor de oito milhões de euros - que a MMP anunciou em novembro de 2024 não irem avançar por falta de financiamento, Filipa Oliveira disse que "continua caído". |













