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DESVENDANDO O ENIGMA DA ANTIGA CIVILIZAÇÃO SANXINGDUI DA CHINA

2025-12-10




A redescoberta fortuita da antiga civilização chinesa Sanxingdui é lendária por si só. Em 1929, um camponês incauto da província de Sichuan encontrou um tesouro de relíquias de jade enquanto escavava uma vala de esgoto nos arredores da cidade de Chengdu, desenterrando assim objetos culturais que tinham permanecido perdidos durante milhares de anos.

Na década seguinte, uma investigação preliminar oficial liderada pelo missionário e arqueólogo norte-americano David Crockett Graham revelou a existência de uma cidade inteira esquecida que se estendia por mais de onze quilómetros. As escavações no local — obstruídas pela Revolução Chinesa e pela subsequente turbulência política — só foram retomadas na década de 1980, mas quando finalmente ocorreram, os especialistas rapidamente desenterraram um tesouro de artefactos antigos. Na ausência de documentos escritos, estes objectos (50.000 e a contar) são o nosso único meio de descobrir quem eram os Sanxingdui, como viviam e porque desapareceram.

Acredita-se que Sanxingdui (que partilha o nome com a própria civilização) tenha sido habitada entre 1700 a.C. e 1050 a.C., sendo frequentemente descrita como uma das maiores cidades da Idade do Bronze em todo o Sudeste Asiático, bem como um importante centro do reino de Shu, em Sichuan, que durou do século X a.C. a 316 a.C. O nome da cidade, que significa "Três Montículos Estelares", refere-se ao que os arqueólogos presumem serem os restos empilhados da sua muralha defensiva. No seu auge, o centro urbano de Sanxingdui parece ter coberto uma área de 5,7 quilómetros quadrados. Segundo Shengyu Wang, curador do Museu de Sanxingdui, perto da cidade moderna de Guanghan, a antiga metrópole estava dividida por um rio e atravessada por outro. De um lado do rio Mamu, que dividia a cidade, ficava um distrito palaciano que albergava os governantes. Do outro lado, erguia-se um complexo religioso com fossos de sacrifício. Noutros locais, os arqueólogos descobriram vestígios de oficinas e edifícios residenciais.

Hoje, Sanxingdui é mais famosa pela sua vasta coleção de máscaras bem preservadas que, embora variem em tamanho e peso, e ocasionalmente sejam revestidas com folhas de ouro, apresentam traços faciais expressivos e altamente estilizados, incluindo olhos salientes, orelhas alongadas e sobrancelhas pontiagudas. Algumas podem ter sido usadas pelos sacerdotes, enquanto outras serviam de decoração, possivelmente para honrar os deuses e os antepassados ??da cultura. Ao contrário do que os desenhos únicos destas máscaras sugerem, Sanxingdui não estava isolada de outras culturas e civilizações chinesas antigas. Embora rodeada de cadeias de montanhas de difícil acesso, a cidade fazia parte de uma rede comercial que se estendia até aos confins do mundo conhecido. Isto foi evidente durante as escavações de 2021, que revelaram não só mais máscaras e estátuas, mas também seda, um dos produtos de exportação mais cobiçados da China antiga.

O colapso de Sanxingdui, bem como a sua ascensão, permanece envolto em mistério. Durante décadas, arqueólogos e historiadores especularam que a cidade foi conquistada e destruída — uma ocorrência comum ao longo do passado recente e remoto da China. Uma hipótese recente atribui o desaparecimento da cidade não a pessoas, mas à Mãe Natureza, uma vez que os levantamentos geológicos da paisagem circundante sugerem que poderá ter sido vítima de sismos, inundações e outras calamidades. Isto coincide com as fontes chinesas antigas que registaram tais ocorrências durante o século XI a.C., quando o rasto arqueológico de Sanxingdui se desvanece subitamente.

Apesar da sua importância histórica e cultural, Sanxingdui ainda não foi designada Património Mundial da UNESCO — uma distinção que salvaguardaria e facilitaria a sua preservação. Por enquanto, as escavações em curso dão motivos para esperar que mais informações sobre esta civilização perdida venham um dia a público, e a sua rica história seja iluminada mais uma vez.


Fonte: Artnet News