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ARQUIVO:


DIANE ARBUS

Revelacions




CAIXAFORUM BARCELONA
Av. de Francesc Ferrer i Guàrdia, 6-8
08038 Barcelona, España

15 FEV - 14 MAI 2006


No “Quaderni di Serafino Gubbio Operatore†de Pirandello, Serafino, um operador de câmara nos inícios da sétima arte, reflecte sobre a sua existência por detrás da objectiva, sobre a sua frieza e distância face aos sentimentos e vivências que atravessam o seu olhar, sobre a sua condição de captador passivo da natureza humana, neste ser observador e ser presente sem ser presença.
Semelhantes pensamentos vêm-me à mente enquanto atravesso esta “Revelacions†de Diane Arbus (1923-1971), a primeira grande retrospectiva internacional da fotógrafa de Nova Iorque.
Arbus movia-se no limbo, na estreita fronteira existente entre uma América gloriosa e confiante (entre a vitória da II Guerra Mundial e um optimismo face ao conflicto com o Vietname) e uma outra, alheia aos grandes ideiais e totalmente ignorada. Duas Américas mas uma só, perscutada através de um mesmo modo de ver, marcado por uma total ausência de julgamento e de comoção, sem, no entanto, entrar no campo da fotografia documental.
Ao percorrer a exposição, sentimo-nos dentro de um álbum de curiosidades de uma Nova Iorque desaparecida, dentro de um labirinto interminável feito de visões extremamente lúcidas onde travestis, nudistas, artistas de circo e prostitutas são captados com o mesmo olhar de quem fotografa famílias de classe média, burgueses endinheirados, jovens patriotas e teenagers apaixonados em Washington Park.
Por vezes parece que Fellini e Cartier Bresson se combinaram numa única pessoa e partilharam um mesmo interesse pela natureza humana, pela fronteira entre teatro, circo e realidade, pela representação nua e quase antropológica daqueles que davam corpo a uma Nova Iorque dos anos 50 e 60.
Esta exposição, para além das imagens mais conhecidas de Arbus, apresenta cerca de 200 fotografias, algumas raramente vistas, como os auto-retratos. Para além disso, exibe uma série de objectos pessoais, blocos de notas, cartas, apontamentos e livros da sua colecção pessoal que nos dão a conhecer um pouco do pensamento, do método e do estranho mundo de afinidades improváveis em que se movia Arbus.


Filipa Ramos