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EXPOSIÇÕES ATUAIS


1. ARCOlisboa 2026: Catarina Dias, Leather Belt. © Bruno Lopes / Cortesia Jahn und Jahn, Lisboa-Munique


2. ARCOlisboa 2026, vista de instalação. © Carbonara Studio


3. ARCOlisboa 2026, vista de instalação. © Carbonara Studio


4. ARCOlisboa 2026, Marlon de Azambuja, Caminhar a noite (1º plano), e Espírito manual de Dayana Lucas (atrás). © Filipe Braga


5. ARCOlisboa 2026, Diogo Nogueira, Pagas agora e estudas depois.


6. ARCOlisboa 2026, vista do stand de RocioSantaCruz.


7. ARCOlisboa 2026, Hernâni Reis Batista, instalação Duas Bestas. © Samuel Duarte Figueiredo


8. ARCOlisboa 2026, Hernâni Reis Batista, Cão da pradaria. © Samuel Duarte Figueiredo

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ARQUIVO:


FEIRA DE ARTE

ARCOlisboa




CORDOARIA NACIONAL
Avenida da Ãndia
Lisboa

28 MAI - 31 MAI 2026

10 anos de ARCO Lisboa. Uma feira de arte elevada em tamanho e qualidade

 

A ARCO Lisboa cumpriu 10 anos com mais uma extensa exposição de arte contemporânea, tendo decorrido entre os dias 28 e 31 de maio, na Cordoaria Nacional. Celebrando e honrando a data assinalada, destaque-se a qualidade desta edição, sobretudo em comparação com anos anteriores. A imensa quantidade de obras, da autoria de um elevado número de artistas, foi impressionante e surpreendente. Deste modo, a ARCO provou e reforçou o seu lugar estável e seguro no panorama artístico atual e no mercado. Recordo a importância de termos, em Portugal, uma feira de arte com escala internacional. É fundamental apoiar os artistas e proporcionar-lhes oportunidades de apresentação e de exposição dos seus trabalhos, contribuindo ao mesmo tempo para a projeção da criação artística nacional. Mas, de igual modo, é importante incentivar e dar lugar à articulação e à relação entre diferentes países e culturas, práticas e plásticas, backgrounds e pontos de vista. São, aliás, destes cruzamentos e diálogos que se estrutura e redefine, continuamente, o cenário das artes contemporâneas, no qual se refletem e revelam as próprias diversidades e pluralidades que nos definem, a nós, humanos.

Foi apresentado um total de 86 galerias, 30 das quais portuguesas, selecionadas pelo Comité Organizador, este ano composto por João Azinheiro (Kubikgallery - Porto e São Paulo), Sabrina Amrani (Sabrina Amrani - Madrid) e Matteo Consonni (Consonni Radziszewski - Polónia, Milão e Lisboa). Participaram 18 países, tais como Angola, Moçambique, Brasil e Taiwan. Da Alemanha, mais especificamente, de Munique, a galeria Jahn und Jahn, que também tem um espaço em Lisboa, expôs a artista Catarina Dias que conquistou o prémio aquisição FLAD, com um dos seus três desenhos “Leather Belt” (img.1).

Dos stands portugueses, começo por destacar a galeria Encounter (Lisboa e Londres), com magníficas peças de Diogo Pimentão, impressionantes telas a acrílico e óleo de James Collins e belíssimos painéis trabalhados a óleo e cera de Johnny Abrahams. Assinalo, também, o espaço da Francisco Fino (Lisboa), que contou com a curadoria do comissário e crítico de arte Maurizio Bortolotti. A reconhecida qualidade da galeria confirmou-se, nomeadamente com Alfredo Jaar (img.2), que trabalha memória, história e políticas da representação, e com outros nomes tais como Helena Almeida (img.3), cuja presença na ARCO é incontornável e sempre valiosa. Sobre escolhas semelhantes, i.e., seguras e criteriosas, menciono Vera Cortês (Lisboa), com artistas como Vhils e João Louro, e Nuno Centeno (Porto), com José Pedro Croft e João Penalva. Também a Galeria Fernando Santos (Porto) apresentou os seus habituais artistas, entre os quais Ana Vidigal e Gerardo Burmester.

Mais estimulantes foram o stand da Lehnman (Porto), com o verde da natureza pelo artista Marlon de Azambuja, “Caminhar a noite” (img.4), em oposição ao “Espírito manual” de Dayana Lucas. Na Pedro Cera (Lisboa e Madrid), também em balanço, as sensíveis imagens de Nico Munuera e as peças dinâmicas de Antonio Bailester Moreno. Quanto à Galeria Presença (Porto), arriscou com um forte contraste entre as peças excepcionais de Isaque Pinheiro, tais como “Da Caverna”, e as encantadoras pinturas representativas de Diogo Nogueira, tendo sido uma delas (img.5) adquirida pela ARCO. Menciono, ainda, o artista Pedro Vaz, cujo valor se evidenciou na sua participação em dois stands, no da Document (Chicago e Lisboa), com uma maravilhosa série do artista, e no da Kubikgallery (Porto e São Paulo), tendo aqui também recebido o prémio aquisição FLAD.

 

ARCOlisboa 2026, Isaque Pinheiro, Da Caverna.

 

Sobre as várias galerias espanholas, sublinho duas. A Alarcón Criado (Sevilha), com o exímio trabalho escultórico da dupla Alegría y Piñero, com a exploração dos objetos de Cristina Mejías, numa visão antropológica, e a pintura em volume de João Marçal. Ainda desta galeria, a obra em têxtil de Belén Rodríguez, que trabalha as possiblidades formais e simbólicas da tecitura do tecido, num processo que a artista entende como um sistema aberto de estrutura, ritmo, variações e tensões. A segunda galeria espanhola que seleciono é a RocioSantaCruz (Barcelona), com as técnicas minuciosas em cartão e em tela de Anton Lamazares e Tresa Gancedo, respetivamente, e com as interessantes imagens escultóricas de Toni Amengual (img.6).

Também oriundos de Espanha são os dois artistas que assinalo da Solo - a secção da ARCO dedicada a apresentações individuais - Christian Lagata, pela ArtNueve (Murcia), que une o escultórico e a estética industrial, e Vírgilio Vallmajó (1914–1947), pioneiro da geometria e da vanguarda espanhola, mestre do ofício em madeira, recuperado pelo galerista José de la Máno (Madrid). Já na Opening, a zona da ARCO correspondente às galerias emergentes e aos novos espaços de arte, com curadoria de Sofia Lanusse e Diogo Pinto, realço a galeria Plato (Évora e Porto), com Eduardo Antonio e Hernâni Reis Batista. Deste último, tanto a instalação "Duas Bestas" (img.7) como a inesquecível e um tanto ou quanto melancólica tela cinzenta “Cão da pradaria" (img.8) são demonstrativas do crescimento do artista ao nível da prática, da linguagem e da mestria plásticas. Porém, o prémio Opening foi atribuído ao Espacio18 (Chile), que trouxe os artistas Javiera Gomez e Noël Saavedra.

Finda a visita à feira, creio ser oportuno e até justo referir que embora a ARCO tenha uma história e um legado espanhóis, tendo sido criada em Madrid em 1982, a sua edição em Lisboa é singular, própria e distinta. Tem mérito e valor, independentemente da herança, e um lugar assente e merecido no mercado e no campo da arte. Com expectativas elevadas, fico a aguardar, pelo próximo ano.

 

 

Constança Babo


(Porto, 1992) é crítica de arte e membro da AICA Portugal. É doutorada em Arte dos Media e Comunicação pela Universidade Lusófona, mestre em Estudos Artísticos - Teoria e Crítica de Arte, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, e licenciada em Artes Visuais - Fotografia, pela Escola Superior Artística do Porto. Realizou, igualmente, os cursos Curating New Media Art e Redefining Museums: Curatorial Theory and Practice for a New Era, no Node Center – Curatorial Studies Online, e Questions of Judgement, na Universitat der Kunst Berlin. Foi research fellow no projeto internacional BEYOND MATTER, no Zentrum fur Kunst und Medien Karlsruhe, e colaborou como investigadora no projeto MODINA, na Tallinn University. Também publica artigos científicos.

 



CONSTANÇA BABO