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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Francis Alÿs


Francis Alÿs


Francis Alÿs


Isa Genzken


Isa Genzken


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ARQUIVO:


ISA GENZKEN, FRANCIS ALYS, TOBA KHEDOORI

Isa Genzken, Francis Alÿs, Toba Khedoori




DAVID ZWIRNER GALLERY - NEW YORK
525 & 533 West 19th Street e 519 West 19th Street
New York, NY 10011

15 FEV - 17 MAR 2007

Três Exposições na Galeria David Zwirner, em Nova Iorque

Comecemos por Isa Genzken (n. 1948) – “Recent Work”, onde há uma evocação pop e informal de atrocidades de guerra, que convoca diferentes materiais e usa tinta derramada, e a assemblage de algo que se assemelha a detritos atraentes, comprados na loja. Há referências ao corpo através de objectos, como cadeiras de rodas, sofás e cabides antropomórficos. Estas esculturas são sobretudo espaços vazios do corpo humano, mas com uma estranha aparência humana. Os trabalhos de parede juntam plásticos brilhantes, com cores pop, fotografias de referência pessoal e fitas, tinta que escorre, vários elementos sobrepostos e indecifráveis. Há a influência de Sigmar Polke na relação hermética dos materiais e talvez de Beuys, ao dispor o objecto mágico na galeria. Há uma tentativa de magia na escolha de materiais sedutores, misturados de forma abjecta.
É uma critíca da cultura contemporânea e uma tentativa de purificação, através duma sinceridade dura e maximalista. A justaposição frenética parece querer controlar o terror do caos.
Genzken vai representar a Alemanha, na Bienal de Veneza de 2007.


Isa Genzken está de um dos lados da galeria de David Zwirner, que aumentou recentemente, de um para três grandes armazéns na rua 19, entre as avenidas 9 e 10, em Chelsea.

Genzken ocupa o espaço correspondente à galeria inicial.
A caminho de Francis Alÿs, passamos pelo espaço do meio, onde se mostra Toba Khedoori. Khedoori (n. 1964) está interessada em criar desenhos gigantes, que funcionam como dúvidas espaciais porque se transformam em cenografias ilusionistas. A receita parece simples, contudo – recriação de espaços vazios onde ficaram alguns objectos, indiferentes.


Francis Alÿs (n. 1959) produz a exposição que é das três a mais complexa e interessante: “Sometimes Doing Something Poetic Can Become Political And Sometimes Doing Something Political Can Become Poetic”.
A instalação inclui um vídeo, esculturas, uma mesa com mapas, pinturas, notas e textos de informação. Alÿs combina objectos diferentes que se informam mutuamente e informam o visitante sobre o seu estado de artista-observador deambulante. Neste caso, analisa a forma como israelitas e árabes coabitam na área que geograficamente os separa. Ou antes, na zona que teoricamente os separou. Alÿs percorreu recentemente essa zona de separação definida, aquando do armistício de Moshe Dayan - uma linha marcada a verde num mapa, depois de terminada a Guerra da Independência de Israel, em 1948 - e derrama tinta verde enquanto anda, vê e pensa, ao longo dessa linha imposta, presente e ausente, seguindo o mapa.

O texto que acompanha o vídeo (colaboração com Julien Devaux) é-nos dado pela voz off de Alÿs, a acompanhar o passeio. Questiona o efeito de uma zona de ninguém, hoje, em termos culturais; o facto de as zonas baixas terem sido dadas aos árabes, na lógica de uma hierarquia espiritual medieval; e o papel das zonas vazias que representam o conflito. A realidade é uma metáfora da realidade. A análise de Alÿs é a sua demonstração ou estudo. Uma acção que pretende chamar a atenção para o absurdo da situação que promove a clivagem social – tornar a linha verde visível, e ver o que acontece ou não. As esculturas espalhadas pelo espaço da exposição exploram a mesma critíca irónica que se dá no confronto dos transeuntes israelitas e palestinianos com a tinta verde que simbolicamente derrama. Fazendo a ligação desse confronto para a galeria de objectos de luxo, onde quem entra vê apontado a si um exército de gun cameras, esculturas que representam metralhadoras feitas de restos de madeira, arame e película, que deixam um rasto de culpa porque os objectos são vestígios abstractos de uma impossibilidade de paz, imposta pela linha verde, igualmente abstracta, real e absurda.


Ana Cardoso