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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Jeppe Hein, “Distance”, The Curve - Barbican Art Gallery, 2007. Cortesia: Barbican Art Gallery. Créditos fotográficos: Jasmine Bilson


Jeppe Hein, “Distance”, The Curve - Barbican Art Gallery, 2007. Cortesia: Barbican Art Gallery. Créditos fotográficos: Jasmine Bilson


Jeppe Hein, “Distance”, The Curve - Barbican Art Gallery, 2007. Cortesia: Barbican Art Gallery. Créditos fotográficos: Jasmine Bilson

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ARQUIVO:


JEPPE HEIN

Distance




BARBICAN ART GALLERY
Barbican Centre, Silk Street
London EC2Y 8DS

09 FEV - 29 ABR 2007


O artista dinamarquês Jeppe Hein (Copenhaga, 1974) tendo vindo a desenvolver, desde o final da década de noventa, uma série de grandes estruturas interactivas assentes em instalações activadas pelo espectador. Neste momento, a sua peça “Distance”, um enorme labirinto de ferro com cerca de 800 metros, ocupa todo o espaço expositivo The Curve do Barbican Centre, em Londres.


A componente lúdica e interactiva das suas obras, associada ao uso frequente de elementos naturais como fogo, água e vento, é uma constante no percurso artístico de Hein, marcado por inúmeras intervenções que alteram o modo como o visitante concebe e se relaciona com um determinado espaço. Tal é o caso de obras como “Appearing Rooms”, que se tornou um elemento extremamente popular do South Bank de Londres. Nele, Hein criou uma série de paredes de água que aparecem e desaparecem ocasionalmente e que geram diferentes espaços em constante mutação e redefinição. Outro exemplo do seu trabalho com elementos naturais e com a sua criação aleatória e interactiva é “Did I Miss Something?”, que consiste num banco de jardim situado em frente a um lago. Assim que alguém se senta, surge uma enorme fonte dentro do lago, que desaparece quando a pessoa se volta a levantar.


No caso da instalação no The Curve do Barbican, Hein criou um diálogo com o complexo espaço da galeria que, tal como o nome indica, tem uma forma curva. “Distance” parece uma estrutura de arquitectura industrial em escala reduzida, ou uma linha de montagem desactivada, podendo também ter a aparência de uma montanha russa em miniatura. Ao entrar no espaço, o visitante tem a impressão de estar a observar algo de abandonado ou em fase de construção. Contudo, a sua entrada activa um sensor que faz accionar uma esfera branca que começa a girar sobre os carris metálicos e a percorrer o trajecto que lhe foi destinado. À medida que os visitantes vão enchendo o espaço da galeria, o número de bolas aumenta, o que gera um fluxo contínuo de movimento e de som que invade toda a zona expositiva. Estas esferas são depois transportadas, através de complexos mecanismos físicos, ao longo da estrutura metálica por um percurso que acaba por as deixar no ponto de partida inicial.


Em muitos casos, o trabalho de Jeppe Hein parece ter uma série de referências conceptuais retiradas do universo barroco e, sobretudo, extraídas dos mecanismos lúdicos desenvolvidos durante esse período, que revelam um semelhante fascínio pelo movimento, pela atenção dada ao estudo da reacção física das diversas partes que compõem o todo e que asseguram o seu bom funcionamento. O gosto pelo labirinto, pela ilusão, pelo engenho e pela articulação delicada do movimento são também elementos extremamente presentes no trabalho do artista dinamarquês e que estabelecem novamente uma ligação com os inventos setecentistas.


O tempo e o espaço parecem fluir de forma constante e ininterrupta em “Distance”, sendo apenas o ritmo e o pulsar dos diversos corpos que introduzem ligeiras diferenças na cadência mecânica desta peça em que Jeppe Hein, parece ter utilizado a gravidade e o movimento como as principais matérias primas.


Filipa Ramos