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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vito Acconci, “Turn On”, 1974. Vídeo NTSC transferido para DVD, cor, som, 22’. Colecção do Musée national d’art moderne, Centre Pompidou, Paris, França


Dan Graham, “Present Continuous Past(s)”, 1974. Col. Centre Pompidou


Bruce Nauman, “Going around the Corner Piece”, 1970. Instalação vídeo em circuito fechado. Colecção do Musée national d’art moderne, Centre Pompidou, Paris, França. © Col. Centre Pompidou, difusão RMN


Stan Douglas, “Hors-Champs”, 1992. 2 projectores vídeo, sincronizador, ecrã dupla face, 4 colunas som, 2 vídeos, PAL, cor, som; 13’20". Edição 1/3. Col. Centre Pompidou. Fotografia: Philippe Migeat


Tony Oursler, “SWITCH”, 1996. Col. Centre Pompidou. © Tony Oursler


Jean-Luc Godard, “Scénario du film Passion”, 1982-1983. Still. Col. Centre Pompidou


Pierre Huyghe, “Third memory”, 1999. Vista das filmagens. © Col. Centre Pompidou, diffusion RMN

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Fortes D'Aloia & Gabriel - Barra Funda, São Paulo
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ARQUIVO:


COLECTIVA

Centre Pompidou Novos Media 1965-2005




MNAC - MUSEU DO CHIADO
Rua Serpa Pinto, 4
1200-444 Lisboa

19 OUT - 06 JAN 2008


A compreensão das principais características evolutivas das artes plásticas e visuais contemporâneas implica, invariavelmente, um olhar aos últimos quarenta anos de produção artística e, consequentemente, a verificação da importância dos cruzamentos de géneros e hibridez dos media e suas linguagens. Compreender o panorama artístico actual e, nomeadamente, as condições técnicas e tecnológicas que favoreceram ou condicionaram e experimentação de determinadas soluções de materialização estética, conduz-nos a um território de reflexão que tem por epicentro a assimilação, pelas artes, do vídeo, enquanto media específico de produção artística. Para essa reflexão contribuíram certamente as utilizações pioneiras do vídeo enquanto metodologia de registo de performances, em que os artistas gladiavam os limites de abordagem do próprio corpo, quer o seu, enquanto emissário da experiência, quer o do espectador, agora submetido a condições de experiência que, não só impunham novas categorias de fisicalidade e recepção, como definiam ainda novas possibilidades de construção narrativa.


Obras cujo processo de fruição se encontra armadilhado pela relação arbitrária da fisicalidade do espectador são, invariavelmente, designadas de Instalação e, neste caso concreto, de Instalação vídeo e uma das particularidades distintivas de uma outra forma de utilização do vídeo pelas artes é a cumplicidade com a individualidade espacial do espectador e sua liberdade de construção narrativa. Numa outra acepção, a linearidade narrativa da utilização do vídeo pelas artes interpõe-se a uma lógica de recepção cinemática e o tipo de relação espacio-temporal estabelecido é substancialmente diferente. Em ambos os casos, a utilização do vídeo pelos artistas tem constituido um dispositivo de autocrítica e reflexão tecnológica do/no suporte em que o mesmo é produzido.


Até Janeiro, o Museu do Chiado–MNAC apresenta um conjunto de trabalhos que permite revisitar alguns dos artistas que mais significativamente problematizaram essa relação conturbada e desafiante entre a arte e os novos meios tecnológicos de produção e exibição, relação essa cujo início remonta às décadas de sessenta e setenta. Christine Assche, curadora-chefe do departamento dos novos media do Centre Pompidou de Paris, organizou a exposição “Centre Pompidou, Novos Media” a partir de uma colecção iniciada pelo Centre Pompidou em 1976, com o objectivo de reunir, precisamente, um universo significativo de obras que reflectissem as novas linguagens artísticas e tecnológicas que desde então passavam a ser também ferramente de trabalho e forma de expressão das artes plásticas e visuais. Dessa colecção, que conta actualmente com mais de 1200 trabalhos, foi concebida uma mostra que traz a Portugal nomes como Bill Viola, Bruce Nauman, Chris Marker, Dan Graham, Dara Birnbaum, Douglas Gordon, Gary Hil, Jean-Luc Godard, Marcel Odenbach, Martial Raysse, Matthieu Laurette, Nam June Paik, Peter Campus, Pierre Huyghe, Samuel Beckett, Stan Douglas, Tony Oursler, Valie Export e Vito Acconci. Apenas 19 os artistas no MNAC e apenas 23 as obras mostradas, mas a importância deste conjunto para a compreensão do vídeo (e instalação vídeo) enquanto capítulo recente da História da Arte é inquestionável.


O percurso expositivo desenvolve-se segundo quatro blocos temáticos principais (“Para uma televisão imaginária”, “Questões de identidade”, “Do vídeo à instalação” e “Pós-cinema”) e esta, sendo uma divisão simplificada, permite enunciar questões centrais de um debate sobre esses “novos media”, enriquecido pelo contributo de áreas aparentemente distintas como o teatro, o cinema ou as artes plásticas. De resto, e considerando a exiguidade do espaço expositivo do Museu do Chiado e a especificidade que a instalação deste tipo de obras sempre acarreta, seria difícil conceber um formato muito diferente do adoptado, sem que para tal não se sacrificassem algumas das obras expostas; sendo itinerante, o conjunto de possibilidades combinatórias da actual exposição estaria, à partida, salvaguardado. Ainda assim, e face ao tempo de exibição/recepção que algumas obras impõem, alguns pontos estratégicos da circulação requerem uma disponibilidade (física) acrescida, superada pela avidez de descobrir ou revisitar trabalhos fundamentais para uma história crítica dos “novos media”.


Miguel Caissotti