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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Mark Dion, "The Octogon Room", 2008









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ARQUIVO:


MARK DION

The Octogon Room




TANYA BONAKDAR GALLERY
521 West 21st Street
New York, NY 10011

16 FEV - 15 MAR 2008

Uma perspectiva ecológica

Quando se entra no piso térreo da galeria Tanya Bonakdar, em Chelsea, o visitante é confrontado com uma presença escultórica onde a perspectiva é dominante. O “Octogon Room†remete-nos à Florença de Brunelleschi e ao seu Batistério de San Giovanni – um dos marcos da perspectiva Renascentista (também octogonal). Porém, não existe nada de sagrado aqui e isso é comprovado pelos inúmeros sacos de areia que transpõem a construção para uma vertente quase militar, que delimitam a única entrada existente.
As questões levantadas são nomeadamente o que há de tão importante a proteger no seu interior?
Entramos.

Contrastando com a frieza geométrica do seu exterior desvenda-se um interior confortável: inúmeras cadeiras gastas pelo tempo e pelo uso; as “amostras†outrora vivas e agora conservadas em formol, gavetas com mais amostras por catalogar, notas e urnas recriam uma história e movimentos de trabalho metódico e naturalista. A paisagem é para este artista uma natureza morta, mas cientificamente catalogada.

Mark Dion é um biólogo de formação, mas foi na arte que encontrou a sua forma de se apropriar do mundo e de o partilhar com os seus contemporâneos. O visitante é também confrontado com a presença de um vigilante da galeria, que simpaticamente convida os visitantes a interagir com a obra. Todas as gavetas, caixas, blocos de notas podem ser abertos ou lidos cuidadosamente. Entende-se então o porquê dos assentos de veludo gasto. O visitante é convidado a demorar-se nesta obra-memória, que levou 8 anos a ser concretizada.

O mixed media é a Historia da Ciência – neste caso a biologia e a geometria exterior divide o espaço interior, também meticulosamente dividido: a entrada com a parte das arrumações – inúmeras ferramentas de campo e fatos de trabalho de um lado (o lado prático) e na aresta oposta, molduras com retratos de pessoas que se induz que admire (destaco Freud e Edgar Allan Poe – que transmitem um contexto entre o subsconsciente e o fantástico, e a curiosidade humana; um efeito que a Natureza normalmente induz na Natureza Humana e que ultrapassa a contemplação); outra aresta com as suas amostras outrora vivas e agora conservadas em formol de peixes, répteis e insectos e em cima animais em vias de extinção “conservados†em fotografias.
A “maré negra†– um detalhe que recorda o ecologismo, é tambem invocada nas esculturas taxidérmicas, às quais são adicionados objectos inúteis e que normalmente perdemos ou deixamos perder, como botões, moedas, pregos; ou então nos troféus de caça na parede oposta à da entrada e sobre a lareira com o acesso obstruído.

A chávena de chá ainda está presente sobre a secretária onde se presume que o trabalho tenha sido criado. O artista deixa assim a potencialidade em poder aparecer e voltar ao trabalho a qualquer instante. Entre mapas, desenhos de campo, fotografias antigas, enfim, na atmosfera museológica criada pela mobília disposta junto às paredes, destaca-se um assento estrategicamente colocado no centro da sala-escritório. É aqui que os visitantes se podem sentar e demorar-se em cada uma das arestas; ou consultar a documentação deixada pelo artista acerca do seu trabalho de campo.

Para lá do que é deixado propositadamente visível percebe-se então o que o exterior tem a intenção de proteger – a própria Natureza, enquanto linguagem artística e um pouco a História das Ciências da Vida enquanto área de construção de conhecimento sobre o mundo que nos rodeia. Contudo, tudo isto sob o olhar presente do investigador-explorador-artista– não se tratasse o “Octogon Room†do seu espaço privado, onde desenvolve o seu trabalho (e da sua postura, diga-se Renascentista). Do ser humano que analisa metodicamente o ambiente à sua volta e que o tenta infrutiferamente conservar, coleccionando-o. Saímos.

“Octogon Room†é um trabalho que marca o visitante. Qualquer pessoa que o visita, de certa forma vive as memórias do seu criador, tornando-se parte do imaginário por ele criado.




Pedro dos Reis