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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Simon Starling, [24 hr. Tangenziale], Galleria Franco Noero, Turim

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ARQUIVO:


SIMON STARLING

[24 hr. Tangenziale]




GALLERIA FRANCO NOERO
Via Giolitti, 52/A
10123 Turim

30 MAR - 15 MAI 2006


Fotografias de carros dos anos 50, papéis amarelecidos com esquemas de motores, um enorme protótipo de um radiador de madeira, pequenas peças de metal, desenhinhos, esboços, notas e apontamentos, imagens de um Fiat Panda saído das Wacky Races a percorrer a periferia de uma cidade industrial… tudo isto iluminado por longos néons de uma intensidade constrangedora que realçam o branco das paredes e o minimalismo das delicadas vitrines, onde se exibe esta colecção de memórias repercorridas e revividas.
É isto que vemos ao entrar na exposição de Simon Starling na galeria Franco Noero, em Turim: vestígios, documentações, manifestações físicas de um processo que, densamente estruturado e articulado, se torna visível através de pequenos sinais, de receitas, segundo as palavras do artista.
Actuando como um antropólogo que interpreta o mundo através dos mecanismos da arte e se dedica à investigação dos ideais utópicos modernistas, Starling toma como ponto de partida ideias e substâncias às quais altera o contexto, questionando assim a sua validade.

Nesta “[24 hr. Tangenziale]â€, o artista britânico inspira-se no Bisiluro, um automóvel (que literalmente significa duplo torpedo) com inúmeras inovações técnicas, como ser extremamente ligeiro e aerodinâmico, criado pelo arquitecto visionário turinense Carlo Mollino em 1954, e que participou nas 24 horas de Le Mans em 1955.
Paralelamente à exposição, na qual deu a conhecer a sua extensa pesquisa sobre Mollino, Starling reproduziu manualmente em madeira o radiador do Bisiluro, instalou-o no capot de um Fiat Panda de 1986 e integrou-o no seu motor. Querendo testar a potencialidade deste projecto de design dos anos 50, o artista realizou uma viagem de 24 horas na tangenziale (a estrada que circunda a cidade natal de Mollino). Logo depois, o automóvel foi exposto à entrada do Teatro Regio de Turim (projectado pelo mesmo arquitecto entre 1967 e 1973).
Por entre a viagem, o automóvel com o seu radiador transplantado e os elementos em mostra, o que realmente Starling nos dá a ver em “[24 hr. Tangenziale]†é um processo ou, de acordo com suas palavras, “a manifestaçao física de um processo pensado†que confere um novo olhar a uma figura-chave do Modernismo italiano e às suas criações.

Esta exposição torna ainda mais evidente o porquê da sua vitória do Turner Prize: unindo fragmentos dispersos com uma delicadeza, uma inteligência extremas, e elaborando uma releitura dos sonhos e dos esforços do passado, Starling desenvolve uma actualização crítica sem juízos, tornando-se, deste modo, um dos artistas mais interessantes da sua geração.



Filipa Ramos