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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Paulo Mendes, “Nas traseiras…un terrain vague”, 2001/2008. Vista da instalação. Foto: Arquivo PM / Blues Photography Studio


Paulo Mendes, “Nas traseiras…un terrain vague”, 2001/2008. Vista da instalação. Foto: Arquivo PM / Blues Photography Studio


Paulo Mendes, “Construções, Porto Abril 2001”, 2001. Inkjet print 100 x 150 cm. Fotografia da série “Tráfico / Tráfego (Freeze Frame)”, 1991-2008


Paulo Mendes, “Oficina, Sintra Março 2001”, 2001. Inkjet print 100 x 150 cm. Fotografia da série “Tráfico / Tráfego (Freeze Frame)”, 1991-2008


Paulo Mendes, “Abandonado Tráfico / Tráfego (Entre Imagens) Porto Março 2006”, 2006. Still do vídeo. DVD loop, cor, som, 54 min.


Paulo Mendes, “Abandonado Tráfico / Tráfego (Entre Imagens) Porto Março 2006”, 2006. Still do vídeo. DVD loop, cor, som, 54 min.

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ARQUIVO:


PAULO MENDES

Nas traseiras… un terrain vague




GALERIA NUNO CENTENO
Rua Da Alegria 598
4000-037 Porto

08 NOV - 06 DEZ 2008


Está patente na galeria Reflexus, no Porto, uma exposição de Paulo Mendes: “Nas traseiras…un terrain vague”. A instalação que pode agora ser vista na galeria Reflexus constitui um terceiro momento de um work in progress intitulado “Tráfico/Tráfego (Freeze Frame)”, iniciado em 1991. Deste work in progress foram já apresentados: “Abandonado, Tráfico / Tráfego (Entre Imagens)”, um vídeo de 2006, e uma série de 200 imagens fotográficas, configurando uma instalação site-specific na exposição de arquitectura “Casa Portuguesa, Modelos Globais para Casas Locais” que teve lugar na Cordoaria Nacional em 2005.

No conjunto destes trabalhos, Paulo Mendes debruça-se sobre a experiência da cidade contemporânea, sobre o modo como, no conjunto de fluxos que a constituem, se erradicam marcas, acontecimentos ou memórias que são considerados como uma negação do tipo ideal de cidade neste início de milénio. O artista assinala esses locais, resgatando-os das suas conotações estereotipadas e conferindo-lhes a dignidade da memória individual e colectiva.

E se as memórias resultam do confronto do tempo com a sua representação, formalmente, o artista recorre ao longo destes trabalhos a um expediente que lhe permite operar esse conceito: o da imagem como natureza morta. Pasolini refere que é graças à morte que as nossas vidas se tornam expressivas; é a morte que, interrompendo o curso aleatório dos acontecimentos, lhes atribui significado. A natureza morta traduz, em termos simbólicos, a natureza imutável daquilo que não cessa de se alterar.

Em 2005, foram apresentadas em série, numa caixa de luz de grandes dimensões, 200 imagens fotográficas de espaços considerados marginais à cidade, mas carregados de sentido. O conjunto confere uma organicidade à perenidade da fragmentação de cada imagem /espaço considerada individualmente.

Em “Abandonado” temos num vídeo com 54 minutos, apresentado em loop, uma sucessão de planos fixos, todos com a mesma duração, 1’ 30’’e com som captado no local. Nessa sucessão de diferentes planos do espaço, é exactamente a sua duração que nos permite aceder à subtil alteração dos seus estados.

Por fim, na instalação objecto desta exposição, “Nas traseiras…un terrain vague” (2001/2008), duas projecções vídeo remetem para dois momentos marcantes na identidade do local a que se referem. Numa delas, um movimento de câmara transporta-nos para o outro lado do enquadramento, para o olhar. Somos então colocados na posição do sujeito que olha, exige-se um compromisso por parte do observador que é assim compelido a tomar parte do curso dos acontecimentos.

Se a cidade é, como referimos anteriormente, conformada por um conjunto de fluxos, a cartografia desses fluxos oscila entre os estados iniciais e o seu término. Mas neste processo há também que considerar a entropia entre os estados. São essas franjas de entropia que são erradicadas no conjunto da legitimação dominante da cidade que interessam a Paulo Mendes. E se a função histórica da natureza morta é o de nos recordar o conceito de vanitas colocando em oposição transitoriedade/perenidade, ou como nos lembra Deleuze, num único momento temos a forma inalterável daquilo que muda, Paulo Mendes assinala essa sucessão de estados incorporando as memórias entrópicas no contexto da nossa memória colectiva.





Alexandra Beleza Moreira