Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Andy Warhol, “TDK, commercialâ€, 1982. Collection Andy Warhol Museum, Pittsburgh, USA


“Filmscape†na exposição “Andy Warhol Other Voices, Other Roomsâ€. The Hayward Gallery. Foto: Marcus Leith


“TV Scape†na exposição “Andy Warhol Other Voices, Other Roomsâ€. The Hayward Gallery. Foto: Marcus Leith


Exposição “Other Voices, Other Roomsâ€. The Hayward Gallery. Foto: Marcus Leith


Andy Warhol, “Self-Portrait with Skullâ€, 1977. The Andy Warhol Museum, Pittsburgh; Foundling Collection © 2008 The Andy Warhol Foundation for the Visual Arts, Inc.


Andy Warhol, “Flowersâ€, 1970. Collection Groninger Museum, Groningen, The Netherlands


Andy Warhol, “Mario Banana (No.1)â€, 1964. Filme 16mm, pb, 4 minutes, 16 frames por segundo. ©2008 The Andy Warhol Museum, Pittsburgh, PA, a museum of Carnegie Institute.

Outras exposições actuais:

SILVESTRE PESTANA

COLAPSO


Galeria Municipal do Porto, Porto
ANA CAROLINA ESTEVES

TARRAH KRAJNAK

REPOSE EXPOSE COUNTERPOSE


Fondation A Stichting, Bruxelas
ISABEL STEIN

COLECTIVA

O PODER DE MINHAS MÃOS


Sesc Pompeia, São Paulo
CATARINA REAL

HELENA VALSECCHI

VAMPATA


Galeria Pedro Oliveira, Porto
SANDRA SILVA

ANNA MARIA MAIOLINO

TERRA POÉTICA


MAAT, Lisboa
MARIANA VARELA

SILVESTRE PESTANA

COLAPSO


Galeria Municipal do Porto, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

DANIEL BLAUFUKS

(AINDA) À ESPERA DE GODOT


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

AGNES ESSONTI LUQUE

HOTEL DEL ARTEFACTO EXPOLIADO


Museo Nacional de Antropología - Madrid, Madrid
FILIPA BOSSUET

ABEL RODRÃGUEZ

MOGAJE GUIHU: A ÃRVORE DA VIDA E DA ABUNDÂNCIA


MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo
CATARINA REAL

JESSE WINE

AMOR E OUTROS ESTRANHOS


Fortes D'Aloia & Gabriel - Barra Funda, São Paulo
CATARINA REAL

ARQUIVO:


ANDY WARHOL

Other Voices, Other Rooms




HAYWARD GALLERY
South Bank Centre Belvedere Road
London SE1 8XZ

07 OUT - 18 JAN 2009


“Think you know him? Think Again†é o slogan propositivo da mostra imperdível de Andy Warhol que a The Hayward Gallery apresenta até 18 de Janeiro de 2009. Refere-se, fundamentalmente, ao carácter histórico-revisionista que a exposição ambiciona e que determinou a nossa curiosidade científica: após anos de discussão sistemática, espectacular mediatização e toneladas de documentação produzida, será possível desconhecer ainda a completude identitária do fenómeno Warhol?

Eva Meyer-Hermann é a curadora da exposição “Other Voices, Other Rooms†e a editora do seu catálogo cronometrado, no qual os objectos exibidos são amplamente analisados em duas horas e cinquenta e seis minutos (A guide to 706 items in 2 hours 56 minutes, NAi Publishers, Roterdão), conforme velocidade voraz da ambição (democratizadora) de Warhol. Foi ela, em 1968, a curadora da primeiríssima retrospectiva de Warhol em espaço europeu, apresentada em Estocolmo e Amesterdão, nos mesmos locais que entusiasticamente reincidem no mapeamento da itinerância actual. Também hoje, como no passado, a exposição resulta da conjugação de esforços diferenciados, agora entre o Stedelijk Museum (Amesterdão), o Moderna Museet (Estocolmo), o Wexner Centre for the Arts (Ohio) e a The Hayward (Londres), espaços designados para a sua apresentação intercontinental, em cooperação com o The Andy Warhol Museum (Pittsburg).

Quarenta anos depois, a mesma equipa base prossegue a investigação, partindo, simultaneamente, da sua própria experiência de causa e do distanciamento histórico que o tempo e o luto de Warhol permitiram. Desafiou-se a inflectir profundamente a sua própria perspectiva sobre a globalidade do seu legado, através da confrontação activa de trabalhos icónicos com material inédito, negligenciado ou excepcionalmente apresentado e ousou re-emoldurar-lhe a essência, declarando o filme e o vídeo como o derradeiro cerne do seu trabalho (e as pinturas e outros trabalhos gráficos como fontes para a realização dos mesmos).

A homonímia com “Other voices, other rooms†de Truman Capote (1948), título, autor e figura masculina de eleição de Warhol, sublinha a identidade como motivação motor (e graal) subjacente à revisão instalativa e tripartida que propõe. “Cosmosâ€, “Filmscape†e “Tv-Scape†são as secções autonomizáveis (ou as múltiplas faces de Warhol), que a exposição congrega, reificadas em incríveis, inéditas, polémicas e dramáticas mise-en-scènes, cujo design reclama para si a liberdade reinventiva inata à atitude e ao corpo de trabalho do próprio Warhol.

O cenário de “Cosmosâ€, a sala introdutória, pretende induzir à experiência da excentricidade ambiental de Warhol. Assinala a abertura do “Warhol Archive†ao público, através, por exemplo, da exploração investigativa das “Time Capsules†– parafernália que sistemática e quotidianamente colectou em seiscentas caixas (cada uma com aproximadamente duzentos objectos) desde 1974 e que é surpreendentemente reveladora do seu apaixonado ecletismo mundano; ou dos “Factory Diariesâ€, vídeos que revelam as curiosidades associadas à vivência e frequência diária, mais ou menos glamorosa, do seu atelier “comunitárioâ€, entre 1970 e 1982. Apresenta, necessariamente ainda, uma caixa brillo, uma marilyn, uma cadeira eléctrica, um auto-retrato, flores e uma lata de sopa em cabeçalho expositivo (beneficiando do incrível pé-direito da sala); e os primeiros trabalhos, como os realizados a folha de ouro, colocados em rodapé sobre o inevitavelmente feérico papel de parede (dezenas de vacas e maos como pano de fundo). Ainda os Velvet Underground, polaroids e folhas de contacto sem fim, magazines Inter/VIEW e Interview, as suas célebres citações “filosóficas†(aliás, forjadas pela edição de Gretchen Berg a partir da sua entrevista a Warhol em 1966), os ritualistas “screen test†ou milhares de minutos em gravações áudio. Imersão total: objectos elevados à sua máxima potência numérica, a perder de vista, num espaço deliberadamente restrito.

“Tv-Scape†concentra todo, mas mesmo todo, o trabalho que Warhol desenvolveu para o formato televisivo, desde o fim da década de setenta até à data da sua morte, e que marcou em definitivo a expansão radical dos (e inerente aos) seus princípios artísticos. São quarenta e dois episódios das séries “Fashionâ€, “Andy Warhol’ s TV†e “Andy Warhol’ s fifteen minutes†a que podemos assistir na íntegra, sentados sobre as estrelas do palco, no lugar do convidado.

“Filmscape†apresenta dezanove filmes (outros oito, que completam vinte e sete dos cerca de cento e sessenta por ele realizados, são exibidos em salas de cinema integrados na programação paralela), produções independentes de cinema experimental, em exibição simultânea e espaço único, como se de uma monumental instalação multi-projectiva e tridimensional se tratasse. A disponibilização de informação relativa à sua duração e tempo remanescente garante a liberdade da definição de uma estratégia individual de recepção: sincopada, mais próxima do carácter imediato e reconhecível da sua pintura; ou demorada, imersa no detalhe e variabilidade mínima dos seus intensos retratos vivos. De “Sleep†(1963) a “Blow Job†(1964), de “Empire†(1964) a “The Chelsea Girls†(1966) ou “Lonesome Cowboys†(1967-1968).

Uma pequena sala biográfica redunda, afinal, na pura leveza das suas nuvens prateadas. Que flutuam. Fosse o hélio tão inacessível como em 1968 e teriam, como lá, ficado a rasar o chão. Que importa o hélio? Que importa o Warhol?



Lígia Afonso