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EXPOSIÇÕES ATUAIS


António Olaio, “My hand, a readymade”, 1991. Óleo sobre tela. 90 x 200 cm


António Olaio, “Pictures Are Not Movies”, 2005. Still de vídeo, preto e branco, som, 4’30’’


António Olaio, “Pictures Are Not Movies”, 2005. Still de vídeo, preto e branco, som, 4’30’’


António Olaio, “Pictures Are Not Movies”, 2005. Still de vídeo, preto e branco, som, 4’30’’


António Olaio, “My left hand is changing I”, 2000. Óleo sobre tela. 90 x 160 cm


António Olaio, “Bambi is in Jail”, 1997. Still de vídeo

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ARQUIVO:


ANTÓNIO OLAIO

Brrrrain




CULTURGEST
Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego
1000-300 Lisboa

24 OUT - 23 DEZ 2009


A língua no Planeta Olaio é una e onomatopaica, dada a simultaneidade das suas dimensões sónicas, fonéticas, imagéticas e semânticas. Reveste-se de uma inventividade formal e expressiva que decorre da interdependência, programaticamente combinatória, entre performance, pintura, poesia, música e vídeo, suportes a partir do cruzamento dos quais protagoniza uma excêntrica revolução idiomática que ocorre ao nível do cérebro, o lugar arquétipo preferido de Olaio. Corporizado e arrastado “assim, com muitos erres”*, em deliberado artifício estilístico, “Brrrrain” esteve quase a ser um disco. Não se salvou, no entanto, de se tornar numa grande exposição, para visitar com muito tempo e com o corpo todo na Culturgest, em Lisboa.

Para além da figura de estilo importa ainda considerar o estilo da figura que nos é ritualmente apresentada no início da exposição em retratos fotográficos, videográficos e auto-retratos pictóricos. O pontapé de saída é cosmogónico e faz colidir Olaio consigo próprio: entre a sua exposição sistemática e a procura de uma invisibilidade; entre o ruído da acção do fazer performático e a condição omissiva de um corpo encontrado já feito; entre a aproximação a uma memória sensorial e o devir do pensamento conceptual de Duchamp; entre o herói e a sua antítese.

A exposição organiza-se, a partir daí, em grandes ou pequenos grupos de pinturas seriais que os vídeos, apostos em salas escuras contíguas, sintetizam em clips pop legendados, cantados e dançados por Olaio e com música composta por João Taborda, o seu compagnion de route. Se para a generalidade da sua fruição é imprescindível a utilização dos auscultadores facultados, existem quatro momentos em que essa contenção é subvertida de forma a contaminar todo o espaço expositivo. “Post-nuclear country” (1994); “Bambi is in jail” (1997); “Sit on my soul” (1999) e “Pictures are not movies” (2005) constituem, deliberadamente, o ruído antológico estrutural da maior e mais transversal exposição de Olaio depois das apresentações na Bienal da Maia (2001) e no Centro Cultural Vila Flor (2007). Comissariada por Miguel Wandschneider, esta exposição dignifica, em grande formato, os vídeos que anteriormente se disseram de qualidade doméstica; dignifica a leitura da pintura em relação aos primeiros; dignifica a performance enquanto instância fundadora no seu percurso e dignifica, finalmente, nas características e qualidade da montagem, o próprio processo criativo de Olaio.

Quantas estrelas coubessem neste Universo, todas lhe seriam prontamente oferecidas.



* António Olaio em entrevista de Victor Diniz a António Olaio, I think Differently Now that I Can Paint (cat. Exposição Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, 2007)


Lígia Afonso