Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Ana Rito, "On Stage", 2006. Still vídeo de alta definição transcrito para DVD pal, cor, s/ som, 8’.

Outras exposições actuais:

SILVESTRE PESTANA

COLAPSO


Galeria Municipal do Porto, Porto
ANA CAROLINA ESTEVES

TARRAH KRAJNAK

REPOSE EXPOSE COUNTERPOSE


Fondation A Stichting, Bruxelas
ISABEL STEIN

COLECTIVA

O PODER DE MINHAS MÃOS


Sesc Pompeia, São Paulo
CATARINA REAL

HELENA VALSECCHI

VAMPATA


Galeria Pedro Oliveira, Porto
SANDRA SILVA

ANNA MARIA MAIOLINO

TERRA POÉTICA


MAAT, Lisboa
MARIANA VARELA

SILVESTRE PESTANA

COLAPSO


Galeria Municipal do Porto, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

DANIEL BLAUFUKS

(AINDA) À ESPERA DE GODOT


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

AGNES ESSONTI LUQUE

HOTEL DEL ARTEFACTO EXPOLIADO


Museo Nacional de Antropología - Madrid, Madrid
FILIPA BOSSUET

ABEL RODRÃGUEZ

MOGAJE GUIHU: A ÃRVORE DA VIDA E DA ABUNDÂNCIA


MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo
CATARINA REAL

JESSE WINE

AMOR E OUTROS ESTRANHOS


Fortes D'Aloia & Gabriel - Barra Funda, São Paulo
CATARINA REAL

ARQUIVO:


ANA RITO

Melancolia




CAPC - CÃRCULO DE ARTES PLÃSTICAS - SEREIA
Piso Térreo do Edíficio da Biblioteca Municipal Parque de Santa Cruz, rnJardim da Sereia
3001-401 Coimbra

20 MAI - 30 JUN 2006


Ana Rito apresenta três novos projectos no espaço do CAPC. Dois vídeos e uma instalação que inclui escultura e fotografia. “On Stage†e “Melancolia†foram ambos filmados na Sala das Batalhas do Palácio do Marquês de Fronteira. No primeiro, ensaia-se a construção de um corpo que foi intencionalmente encenado para apresentar uma narrativa que não é linear. Não conta uma história, pelo contrário, coloca o espectador perante momentos distintos: um corpo melancólico, suicida, em vertigem, um corpo em espera, em perda ou um corpo em lamento. A complexidade da expressão é da ordem do non sense, do absurdo. A narrativa, a existir, será fruto de um exercício externo que apenas pode ser potenciado por quem visione o vídeo.

No dia da inauguração, e no espaço de projecção desta vídeo-instalação, foi realizada uma performance pela actriz Maria Gil. Em “Deliriaâ€, título da performance, não é a acção que potencia o corpo que se desenvolve no tempo; antes, trata-se de um corpo possuidor de toda e qualquer possibilidade de acção que vemos arrastar-se pelas paredes da sala estabelecendo uma relação de continuidade e/ou confronto com as imagens projectadas. Durante os oito minutos da performance, os mesmos da duração do vídeo, as alegorias bélicas sugeridas pela Sala das Batalhas do Palácio de Fronteira foram absorvidas pela performer que se debate corporalmente, primeiro em vertigem, depois em lamento numa permanente contrariedade entre o que é percepcionado no vídeo e o que é fisicamente visionado, sentido ou saboreado no sal oferecido aos espectadores na sala. A esquizofrenia dos contrastes é evidente. O silêncio frio das imagens do vídeo, os movimentos fechados, contidos, vestidos e medidos pela actriz Sara de Castro confrontam-se numa virulência quase muda com os murmúrios, os lamentos, as frases soltas, os segredos, os olhares invasores da performer, as citações de AlBerto – tempo branco, tempo de nenhuma paixão –, a nudez que se oferece ao olhar… Defrontam-se formas corporais, corporizam-se emoções e estabelecem-se relações de intimidade entre espaço e corpo, entre o corpo e a arquitectura, entre estes e o observador, construindo-se, como sublinha a artista, “uma acomodação para a quietude que não existe em mais nenhum lugar, pois tudo o resto lá fora tende a escapar às implicações silenciosas do aquiâ€. O confronto que se desenha entre “On Stage†e “Deliria†pressente-se igualmente nos outros dois projectos.

“Parachute†é uma instalação que integra duas enormes sombrinhas de sol produzidas com napas, fitas de cetim e que foram suspensas a diferentes alturas no tecto da primeira sala do CAPC. No mesmo espaço, colocadas axialmente, duas fotografias da Sala das Batalhas que apresentam duas personagens – as actrizes Sara de Castro e Maria Gil corporalizam as personagens. Uma de negro, outra de branco, ambas em posição invertida despidas da cintura para baixo revelando a sua sexualidade. O mesmo espaço, a mesma arquitectura, dois corpos, dois opostos, uma só identidade. A antinomia mantém-se quando se relacionam as duas fotografias com as sombrinhas. Sexualidade versus santidade é um tema recorrente nos projectos da autora (“Verónica†e “Muteâ€), e em “Parachute†mantém-se actual o interesse por ambos os conceitos. Explícita a sexualidade e implícita a santidade, “Parachute†assume formalmente o desenho dos baldaquinos, construções que referenciavam a distinção religiosa, e cuja suspensão revela a ascese investigada pela artista.

Também em “Melancolia†o espectador é confrontado com uma identidade que se transmuta, com um corpo sem invólucro. “(…) Nasci sem pele (…) por acaso sabem vocês o que é ser tocado por um ser humano?†diz o texto de Anaïs Nin retirado de “Casa do Incesto†e recitado por uma personagem andrógina que, de pé sobre uma cadeira colocada no centro da Sala das Batalhas, lê pausadamente o texto. Mais uma vez, o carácter bélico das dicotomias: corpo vestido, corpo sem pele, masculino versus feminino…

A objectualização emotiva do corpo, a obsessão pela identidade, a sexualidade e a santidade são os conceitos centrais explorados por Ana Rito nesta exposição.



Ana Luísa Barão