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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Jane e Louise Wilson, “Bivilleâ€, 2006. Fotografia a p/b sobre alumínio. 180 x 180 cm. Cortesia Haunch of Venison


Jane e Louise Wilson, “Spiteful of Dreamâ€, 2008. Instalação vídeo 9'36'' (filme 16mm). Encomendado por QUAD, Derby, Reino Unido


Jane e Louise Wilson, “Oddments Room I (Camping amongst Cannibals)â€, 2008 Prova cromogénea sobre alumínio e Diasec. 218x175. Cortesia das Artistas


Jane e Louise Wilson, “Unfolding the Aryan Papersâ€, 2009. (A Still from a film never made). Instalação de video. 17' 30'' (16mm) filme. Cortesia das Artistas

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ARQUIVO:


JANE E LOUISE WILSON

Tempo Suspenso




CAM - CENTRO DE ARTE MODERNA
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt
1050-078 Lisboa

21 JAN - 18 ABR 2010


“Tempo Suspenso†é a maior mostra individual apresentada até hoje pelas artistas e irmãs gémeas britânicas Jane e Louise Wilson (n. 1967, Newcastle upon Tyne) e toma como casa o espaço generoso de 1000 metros quadrados do Centro de Arte Moderna (CAM) entre 22 de Janeiro e 18 de Abril de 2010.



Sob a curadoria da directora do CAM, Isabel Carlos, “Tempo Suspenso†começa no Hall do CAM e tem por mote a primeira obra em vídeo das artistas, “Hypnotic Suggestion 505†(1993). As artistas Wilson têm um histórico de exploração de estados alterados de consciência com o uso de LSD e de referência ao trauma. Em “Hypnotic Suggestion 505â€, as artistas sentadas lado a lado em frente à câmara, rendem-se lentamente à voz do hipnotizador. O efeito de estranheza é aumentado pelo conhecimento que as Wilson são gémeas idênticas. A instalação vídeo adquire uma qualidade relativa aos filmes. Baseado numa ideia de Jean Cocteau sobre o efeito hipnótico que o cinema pode provocar nas massas, o vídeo é projectado num único ecrã (a partir de 1997 passam a usar múltiplos ecrãs, e imagens projectadas lado a lado), as artistas abdicam da sua consciência e tornam-se objectos de voyeurismo para o público. 


Para além dessas duas obras emblemáticas estão expostos filmes, fotografias e algumas obras inéditas, como uma série de cinco esculturas produzidas especificamente para o espaço do CAM e que dialogam com a arquitectura do espaço específico do CAM: réguas que medem e pontuam os vários espaços expositivos e uma escultura suspensa inspirada em Rodchenko. 



As instalações correspondentes aos últimos cinco anos envolvem o observador determinando igualmente uma forte presença arquitectónica nos espaços. É o caso dos trabalhos apresentados “Spiteful of Dream†(2008) criado em Derby, que produz uma sequência caleidoscópica a partir do movimento de uma enorme turbina e refere-se a uma pintura que contem a mesma citação, uma tradução directa de um dito Bósnio que fala de paradoxos, ou da obra “Unfolding the Aryan Papers†(2009) comissariado pelo Animate Projects e o BFI com o The Stanley Kubrick Archives, University of the Arts London, para ser uma resposta aos materiais dos arquivos de Kubrick.

“Unfolding the Aryan Papers†é tanto sobre o filme de Kubrick (um filme sobre o Holocausto) que nunca aconteceu como é um retrato da actriz Johanna ter Steege. Começa com imagens de Johanna feitas em 1993 por Stanley Kubrick. O trabalho toma o título do filme de Kubrick e toma acção com gravações feitas pelas artistas de Johanna quinze anos depois, a recriar as imagens da filmagem original.

“Tempo Suspenso†inclui ainda uma série de fotografias, a preto e branco e em generosas dimensões, dos bunkers da II Guerra Mundial, que serviram como extenso sistema de fortificações na costa da Normandia, comportando as marcas da guerra e a memória do conflito, e a disfuncionalidade no tempo presente que as configura como ruínas modernas.


A visão das Wilson é algo desconcertante e paranóica; são mestres em delinear ansiedade de espaços interiores. Se procurarmos desinquietação nas suas origens, não encontramos muito. Nasceram e cresceram numa familia de classe media de Newcastle. O pai era arquitecto naval e levava-as às docas para verem os barcos que ele desenhou. Na escola, as gémeas foram as únicas a estudar arte (Art A-level) e, como não estavam na mesma turma em mais nenhuma disciplina, a arte era a única coisa que faziam juntas na escola. “Juntávamas as nossas amigas para posarem e pintávamo-las. Normalmente, em roupa interiorâ€, conta Louise numa entrevista ao Guardian, em 1999.

Centrada na memória histórica, a obra das gémeas Wilson recupera lugares vazios, áreas evacuadas sem comando, ou espaços perdidos e abandonados, numa viagem que tem tanto de tempo psicológico como de arqueologia de lugares e vivências, transportando-nos para um tempo suspenso. Nas palavras de Isabel Carlos que apresentam a exposição no Hall do CAM, “trata-se de um tempo suspenso entre épocas, a Segunda Guerra Mundial e a actualidade; suspenso entre narrativas, da cinematográfica à quotidiana; suspenso entre referências artísticas, de Rodchenko a Kubrick.â€



O catálogo da exposição em português e inglês, ilustrado com as obras expostas, apresentará textos de Isabel Carlos e Mark Cousins.

Nomeadas para o Turner Prize em 1999, as gémeas Wilson, nascidas em 1967, trabalham e expõem juntas desde o início das suas carreiras, fazendo parte da geração dos Young British Artists. Jane & Louise Wilson vivem e trabalham em Londres.


Luísa Santos