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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Monkey Business. Cortesia: Cristina Guerra Contemporary Art


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ARQUIVO:


JOÃO PAULO FELICIANO

Monkey Business




CRISTINA GUERRA CONTEMPORARY ART
Rua Santo António à Estrela, 33
1350-291 Lisboa

19 JAN - 07 MAR 2012


Monkey Business (n. informal): mischievous, suspect, dishonest or meddlesome behaviour or acts.” (1)




Monkey Business é o título da mais recente mostra de João Paulo Feliciano na galeria Cristina Guerra. Uma exposição que reflete e é reflexo do seu trajeto, o seu passado, das suas continuidades e descontinuidades. Monkey Business é, na sua essência, apesar do uso de meios e de um vocabulário familiar, um ato disruptivo, um ato que não pode deixar de ser visto como um ato político, que demarca a posição de uma figura ímpar no contexto e mercado atuais. Em 2012, João Paulo Feliciano regressa com a atitude espirituosa e a ironia que o caracterizam desde a década de 1990.

A música, palavra-chave na produção deste artista transdisciplinar - um “criador independente” (palavras de João Silvério) – que para esta mostra cria três espaços distintos, mas complementares: um de galeria, outro para venda de merchandise e memorabilia e, um último, dedicado à venda de vários objetos pessoais, num formato idêntico ao de uma venda de garagem. A ironia sente-se no ar assim que se põe o pé dentro da galeria. A familiaridade também. Achamo-nos, por momentos, no estúdio do artista, na sua cave, no seu ambiente. João Paulo Feliciano recorre a uma (des) e uma (re)contextualização dos espaços da galeria, deixando o visitante/espetador numa posição deslocada daquela que é habitual numa visita a uma exposição. Ao passar da primeira para a segunda sala, transita-se de flâneur a potencial consumidor. A galeria desvincula-se do seu estatuto e posição hierárquica, passando-se a associar à venda de materiais ligados à atividade musical do artista e uma série de objetos em segunda mão, vestígios do seu quotidiano.

Num primeiro olhar e abordagem à exposição, as palavras nostalgia, quotidiano e memória parecem fazer algum sentido: filas de cor outorgadas por centenas de capas de single, ocupando a parede principal da primeira sala, fazendo, ao longe, lembrar um spot painting invertido. À esquerda, engradeadas, impressões de teclados amontoados outrora esquecidas e visivelmente maltratadas: vestígios da ação do tempo (e não só). Ao centro, um par de órgãos A Pair of Pair.ies : aqui, a ilusão opera um jogo onde o objeto refletido se confirma do outro lado do espelho, fazendo com que os pares (pairies) se multipliquem. À direita, uma multidão manifesta-se, silenciosa. Impõe-se: trata-se de uma composição criada por trinta e seis capas do single “Vozes Livres – Avante Camarada Avante”, onde sobressaem os tons laranja (oops).

No segundo espaço, uma mesa repleta de materiais gráficos e discos; na parede, uma série de t-shirts: merchandise da sua editora Pataca, cartazes e edições de catálogos relativos ao seu trabalho plástico. Tudo para venda (a preços convidativos). Até aqui nada é surpreendente já que a dualidade/complementaridade entre as artes plásticas e a música é intrínseca e inseparável no trabalho de Feliciano.

O statement mais assertivo de João Paulo Feliciano é consumado quando, ao descer para a última sala, o terceiro momento expositivo, se é confrontado com uma instalação, ou melhor, um garage sale, repleto de objetos, agora comummente designados vintage, onde o autor coloca à disposição do público o seu “espólio” pessoal, procedendo à transferência do objeto hierático vendido pela galeria para o objeto profano, utilitário, vivido, a preços de feira da ladra. Ao estilo de uma liquidação total, de um everything must go, esta exposição reflete a posição do artista em relação ao estado do mercado da arte em Portugal.



Notas
(1) Collins Trivia Dictionary – Complete and Unabridged, Harper Collins Publishers, 2003.


Patrícia Trindade