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EXPOSIÇÕES ATUAIS


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ARQUIVO:


COLECTIVA

Postcapital. Política, ciudad, dinero




FUNDACIÓ ANTONI TÀPIES
Carrer d'Aragó, 255
08007 Barcelona, España

12 ABR - 25 SET 2006


“En una frase: el Muro de Berlín ha caído, también, hacia Occidente” I. Nuez, C. Garaicoa, D. Andujar

O Palau de la Virreina acolhe no piso nobre uma exposição temática multidisciplinar que observa, discorre e convida à análise do reequilíbrio geopolítico e económico que tem tido lugar após 1989. “Postcapital” é uma exposição-ensaio que propõe a reaferição de duas posições antagónicas: a denominada condição “póscomunista”, iniciada com a queda do muro de Berlim, traduziu-se na imposição da política liberal do Ocidente, e da lógica de mercado, ao Leste, frustrando as suas expectativas de bem-estar, ao mesmo tempo que o Ocidente se vê ainda mais homogéneo, reinventando novas oposições (para as dualidades da oposição moderna) nas quais o Islão, o Terrorismo, o mundo Árabe substituem o Socialismo.

“Postcapital” está organizada por três mãos que contribuem para a inclusão de contributos de áreas, formatos e linguagens distintas. Iván de la Nuez (La Habana, Cuba, 1964), ensaísta e crítico de arte, dedicado ao estudo da evolução dos movimentos de esquerda no mundo pós-comunista, divide o comissariado com dois artistas plásticos, e únicos participantes, Carlos Garaicoa (La Habana, Cuba, 1967), que vem trabalhando sobre símbolos do poder nas cidades, e Daniel García Andujar (Almoradí, Alicante, 1966), artista, criador de bancos de imagens e activista multimédia.

A exposição propõe dois percursos que constroem duas narrativas antagónicas, literalmente, o “da direita”, que inicia com um vídeo de Andujar em que Ronald Regan repete “Mr. Gorbachov, tear down this wall!”, e o “da esquerda” que inicia com um vídeo de Garaicoa sobre a construção de muros/fronteiras intitulado “Yo no quiero ver más a mis vecinos”. A peça central da exposição denominada “Ahora juguemos al desaparecer II”, de Gairocoa, define o território em análise, dando acesso a ambos corredores/discursos: num ecrã projecta-se a fusão de uma paisagem urbana filmada por quatro câmaras de vigilância, reportando uma cidade/superfície onde vão derretendo maquetes de edifícios/monumentos em cera, perdendo contornos e poder simbólico.

Em cada um dos percursos, sucedem-se peças escultóricas/instalações de Garaicoa, que evocam o poder do/da capital, compondo miniaturas de paisagens simbólicas recorrendo a técnicas de construção de maquetes de urbanismo (terreno, paisagem, miniaturas, legendas, mesa, acrílico) e ao uso de elementos da iconografia do capital (selos, sede de banco, ícones da banca, moedas e notas), recordando o jogo Monopólio, e, simultaneamente, transformando a moeda corrente em peça museológica. O grande poder evocativo destas peças tridimensionais complementa-se com as projecções audiovisuais do material que Daniel G. Andujar vem reunindo no projecto TTTP – Technologies to the People. Andujar instala ao longo dos corredores do palácio vídeos em que edita imagem real (da história do comunismo, da opisição Leste-Ocidente, de noticiários e documentários, vídeo jogos, downloads da Internet, arquivos de imagem parada e texto) interligando, através de conceitos retirados de ensaios e dicionários, o trabalho mais metafórico de Garaicoa com um grande centro de documentação e informação híbrida que, mais à frente, completa o ensaio. Aí, bancos de imagens, biblioteca, dispositivos e multimédia variado estão acessíveis em três grandes salas, apresentando em bruto algum do material tratado na exposição, facultando a consulta e outras interpretações dos discursos percorridos nos corredores “da esquerda” e “da direita”.

As várias referências à condição das capitais do mundo globalizado são fortes metáforas do Capital (recordemos aqui os étimos caput, ou cabeça de um império, e polis, cidade ou local da política) encerrando os paradoxos da sua representação: o capitalismo e o mundo liberal, os fluxos de capital, pessoas e mercadorias conduzem à desaparição da importância simbólica da capital, e dos centros de poder, resultando, da economia e da política, a desagregação de símbolos que, isolados, têm teor difuso e são destituídos de um sentido único, representando na sua fragmentação e perda de centro as questões do “postcapital”.

Nota:
A temática de Postcapital pode ser complementada na visita a duas outras exposições também em Barcelona, o confronto Oriente-Ocidente retratado em “Representaciones árabes contemporáneas. La ecuación Iraqui” (ver www.artecapital.net) e em “Berlin Tendenzen”, uma exposição na “La Capella” - espaço adjacente a “Virreina” – que apresenta excertos da prolífica cena artística contemporânea berlinesa através de trabalhos, dos últimos 4 anos, de 16 artistas estrangeiros residentes em Berlim, numa perspectiva, não ensaística, sobre a produção artística em Berlim após a queda do muro. Participam Jovan Balov, Charif Benhelima, Martin Dammann, Kerstin Drechsel, Shahram Entekhabi, Assaf “Safy” Etiel, Sofia Hultén, MK Kähne, Peter Kees, Shin il Kim, Alexei Kostroma, Stu Mead, Elke Marhöfer, JM Pozo, Tere Recarens, Stephen Wilks.




Inês Moreira