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EXPOSIÇÕES ATUAIS


De Perlas y Burbujas, 2014 Grafite s/papel banhado em cera 80,5x61cm


La Florecida, 2014 Grafite s/papel banhado em cera 85,5x69,5cm


La voz, 2014 Grafite s/papel banhado em cera 74,5x54,5cm


A Sonar las Castañuelas, 2014 Grafite s/papel banhado em cera 50x39,5cm

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CATARINA REAL

ARQUIVO:


SANDRA VÁSQUEZ DE LA HORRA

Todas íbamos a ser reinas




GALERIA JOÃO ESTEVES DE OLIVEIRA
Rua Ivens, 38
1200-224 Lisboa

25 SET - 21 NOV 2014


Todas íbamos a ser reinas é o nome da exposição de Sandra Vásquez de la Horra (1957), artista chinela a residir na Alemanha, onde a especificidade do desenho carrega em si uma ligação ontológica que nos leva ao questionamento de onde paira a realidade de uma ficção que se quer real. Roland Barthes diz-nos que o “ mito é um sistema de comunicação, uma mensagem” [1], uma fala que “pode perfeitamente não ser oral; pode ser formada de escritos ou de representações: o discurso escrito, mas também a fotografia (…) tudo isso é susceptível de servir de suporte à fala mítica” [2], que a artista utiliza através do desenho imerso em cera, dando-lhe mistério e densidade na leitura do que é o quê na estruturação da sua técnica.

 

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Todas Íbamos a ser Reinas, 2014. Grafite s/papel banhado em cera
35x25cm

 

O titulo da exposição parte de um desenho que a artista fez apropriando-se das palavras da poetisa Gabriela Mistral (Chile, 1889- 1957). Poesia e vida estão patentes nesta mostra, onde a dimensão mitológica da cultura Chiloé se desvela em várias camadas na leitura do observador, como podemos observar, por exemplo em A sonar las castañuelas (2014) ou Hipnotizada (2014), entre tantos outros desenho patentes na mostra. Alterando as memórias pessoais, criando uma narrativa mítico-política onde a figura da mulher se torna uma arma de questionamento tanto a nível simbólico como de uma praxis que âncora o real no estranhamento do mundo, os seus desenhos rementem-nos para uma dimensão arcaica do ser humano, onde as figuras femininas se debatem entre uma natureza animal e uma imagem social da mulher.

A autora Karen Armstrong diz-nos que “o mito lida com o desconhecido: com aquilo que não tínhamos palavras, inicialmente” [3], lida com o que não conseguimos nomear. Mas essa não-nomeação, por ser desconhecida aos mecanismos racionais (“ onde há pessoas, dizem, há coisas” [4]), transforma-se em comunicação para que assim o Homem possa entender e dar forma ao Inominável. Serve-se do mito para compreender a realidade que o circunda e o faz Ser.

Entendendo o mito como o suporte material da compreensão do Homem em relação aos fenómenos que surgem, para que assim possa participar no processo cosmogônico da criação do mundo, fazendo a ligação com essa não-nomeação, o ser habita essa pertença quando materializa a sensibilidade abstracta e a transforma em algo concreto capaz de ser comunicado e apreendido.

Por isso, visitar esta exposição é entrar num universo fantástico, onde tanto o lado mais poético como o lado perverso do ser humano está em constando diálogo, sem que exista um anulamento nem uma leitura moral de ambos, apenas um desvelar das dimensões arcaicas que nos ajudam a formar uma visão do mundo.

 

 

Maribel Mendes Sobreira

Arquitecta, com Pós-graduação em Património, vertente Património Urbano (2008) na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, actualmente prepara a dissertação de tese de Mestrado em Filosoa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na área da Filosofia da Arquitectura e Filosofia da Arte. 


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Notas

[1] Barthes, Roland, Mitologias, Edições 70, pg. 249;
[2] Op. cit.,250;
[3] Armstrong, Karen, Uma pequena História do Mito, Editorial Teorema, 2006, p.9;
[4] Beckett, Samuel, Inominável, Edições Assírio & Alvim, 2002, p.8;



Maribel Mendes Sobreira