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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Lecture de “L’Erouv de Jérusalem”, Sophie Calle, Actes Sud, Arles, Juin 1996. Fotografia de Jean Breschand


Lecture de “L’Erouv de Jérusalem”, Sophie Calle, Actes Sud, Arles, Juin 1996. Fotografia de Jean Breschand


Lecture de “L’Erouv de Jérusalem”, Sophie Calle, Actes Sud, Arles, Juin 1996. Fotografia de Jean Breschand


Lecture de “L’Erouv de Jérusalem”, Sophie Calle, Actes Sud, Arles, Juin 1996. Fotografia de Jean Breschand


Lecture de “L’Erouv de Jérusalem”, Sophie Calle, Actes Sud, Arles, Juin 1996. Fotografia de Jean Breschand


Lecture de “L’Erouv de Jérusalem”, Sophie Calle, Actes Sud, Arles, Juin 1996. Fotografia de Jean Breschand


Lecture de “L’Erouv de Jérusalem”, Sophie Calle, Actes Sud, Arles, Juin 1996. Fotografia de Jean Breschand


Sophie Calle, “L'Erouv de Jérusalem”. Musée d'art et d'histoire du Judaïsme

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ARQUIVO:


SOPHIE CALLE

L’Erouv de Jérusalem




MUSÉE D’ART ET D’HISTOIRE DU JUDAISME
71, rue du Temple
75003 Paris

28 JUN - 01 OUT 2006

A teia de Sophie

Tal como o fio do Erouv que transforma o lugar público em lugar privado, para os seguidores da Tora, as obras de Sophie Calle fazem esta passagem do íntimo pessoal ao público.
O seu percurso artístico, tal como uma teia de aranha, confunde-se voluntariamente com o seu percurso individual.


Sophie captura nessa rede, finamente tecida, anónimos transeuntes em Paris (“Filatures Parisiennes” 1978-79), um homem que foi seguido por ela em Veneza (“Suite venitienne” 1980), invisuais de nascença (“Les Aveugles” 1986), visitantes de museus (“Disparition” 1991), utilizadores de caixas multibanco (“Unfinished” 2003).
Esta captura é registada em fotografias e textos.


O nó desta teia é a cama.
Começando por convidar 28 pessoas para dormirem na sua cama, ininterruptamente, em “Les Dormeurs” (1979), Calle prossegue este périplo da alcofa com “Room with a view” (2003), instalando a sua cama na Torre Eiffel e entrevistando os diversos visitantes que por ela passam numa noite branca.
A cama é o barómetro da (sua) desilusão amorosa, no filme “No sex last night” (1992), com o seu companheiro Greg Shephard, um road movie por terras americanas.


Sophie Calle tece cenários reais roubados à esfera íntima como no caso de “L’Hotel” (1984), livro resultante da sua experiência de três semanas como empregada de quarto num hotel de luxo em Veneza, onde fotografou desde as camas desfeitas aos restos deitados pelos hóspedes no lixo.
Esta exposição da esfera íntima do Outro é por vezes feita sem consentimento da “presa”, como foi o caso de “Le Carnet d’adresses” (1983), obra pela qual a artista foi perseguida judicialmente.


Sophie contribuiu com os seus inúmeros trabalhos para uma tendência cultural nascida nos anos 80 que consistiu em transportar o registo da vida privada para o universo da exposição. É de relembrar a publicação da História da Vida Privada sob a co-direcção de Georges Duby e Philippe Ariès em 1985, que nos permitiu entrar desde o ano mil nos quartos da história.
Esta dupla atracção pela esfera “intra muros” individual e o registo diarístico é preconizada por escritores tão diferentes como Michel Leiris e Philip Roth, e fenómenos mais recentes no microcosmos parisiense como os livros-diários de Christine Angot.
Esta produção literária e artística é sintomática de uma renovada valorização da “pessoa normal”, transformada em heroína da realidade quotidiana que assume os contornos romanescos de uma ficção.


Voltamos ao fio da exposição, “L’Erouv de Jérusalem”, actualmente apresentada no Museu de Arte e História do Judaísmo.
O Erouv é uma extensão do domínio privado sobre o espaço público num perímetro delimitado por um muro simbólico. Este perímetro é traçado actualmente por fios de aço que ligam postes de electricidade.
Esta instalação temporária reproduz as fotografias e os textos do livro da artista com o mesmo nome “L’Erouv de Jérusalem” (1996) e nasce do pedido feito por Sophie Calle a alguns habitantes de Jerusalém, israelitas e palestinianos para a levarem a um lugar público que a seus olhos tivesse um carácter privado.
Desta proposta nascem catorze histórias-depoimentos de habitantes de Jerusalém.


Na pequena sala do museu, almofadada a madeira, encontramos uma mesa com a planta da cidade onde se encontram distribuídas as fotografias dos lugares que acompanham os textos dos participantes. Nos quatro muros vemos as imagens fotográficas dos fios de Erouv que parecem circundar o pequeno universo interior que é a planta da cidade. O espaço público do museu é como um pequeno Erouvium, onde Jerusalém é uma casa.
Erouv pode ser etimologicamente traduzido por mistura.


É com esta mistura de traçados públicos e privados que nos perdemos na obra de Sophie Calle, como quando por acaso se trocam as linhas telefónicas e entramos num diálogo privado.


E a “petite voleuse” de pares de sapatos vermelhos na adolescência lança uma nova provocação no mundo da arte contemporânea:

“Sophie Calle, artista seleccionada para representar a França na 52° Bienal de Veneza, procura um candidato entusiasta para comissariar a sua exposição. Pedem-se referências. Honorários a negociar.
Por favor, enviar carta de motivação e CV para:
scbiennale@galerieperrotin.com


Tudo em letras tecidas a preto, como uma pequena teia sobre a página branca.


Sílvia Guerra