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EXPOSIÇÕES ATUAIS


David Ancelin, "Avis de grand frais". Fotografia: Jean Breschand


Tatiana Trouvé, "Double bind". Fotografia: Jean Breschand


Tatiana Trouvé "Double bind". Fotografia: Jean Breschand


Tatiana Trouvé "Double bind". Fotografia: Jean Breschand


Tatiana Trouvé "Double bind". Fotografia: Jean Breschand


"Musique pour plantes vertes". Projecto de Peter Coffin. Fotografia: Jean Breschand


Joe Coleman. Fotografia: Jean Breschand


"Etats (faites-le vous-même) / Grow Your Own". Projecto de Peter Coffin. Fotografia: Jean Breschand


Michel Blazy "Post Patman". Fotografia: Jean Breschand


Michel Blazy "Post Patman". Fotografia: Jean Breschand


Michel Blazy "Post Patman". Fotografia: Jean Breschand


Michel Blazy "Post Patman". Fotografia: Jean Breschand


Palais de Tokyo. Entrada e vista geral. Fotografia: Jean Breschand

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ARQUIVO:


COLECTIVA

M Nouvelles du Monde Renversé/News from the upside-down




PALAIS DE TOKYO - SITE DE CREATION CONTEMPORAINE
13, Avenue du Prèsident Wilson
75 116 Paris

01 FEV - 06 MAI 2007

A medida da arte

Será que a inteligência humana na sua dimensão científico-matemática irá salvar a arte do futuro?
Tal como nos livros de Max Brooks “Zombies survival Guide” (Crown 2003) do qual um excerto serve de introdução à Palais, a nova revista do Palais de Tokyo e ao mais recente “World War Z” (Crown, 2006) ,é o raciocínio que salva os humanos dos zombies e de todos aqueles que se recusam a pensar. Os físicos costumam colocar um traço sobre a letra M para identificar as partículas de antimatéria e é com esta fórmula subtitulada de “Nouvelles du Monde Renversée” que se abre o segundo ciclo de exposições do Palais de Tokyo, com nova gestão.


A inauguração atraiu no dia 1 de Fevereiro uma multidão de visitantes ansiosos por ver o segundo capítulo da programação de Marc-Olivier Wahler no edifício concebido em 1937 para a exposição Internacional de Arte e Técnica de Paris.
O complexo programa expositivo engloba mostras individuais e projectos especiais articulados num conjunto de: 2 módulos (com novos artistas todos os meses), 3 exposições individuais e 2 projectos especiais.


No primeiro módulo temos uma “instalação rural de interior” nas palavras do seu autor, David Ancelin, intitulada “Avis de Grand Frais”, (2006) um caminho aberto por uma moto-cultivadora, entre os ladrilhos de cozinha ; é uma refrescante lufada de ar fresco na “scène française” trazida pelo timoneiro deste Palais.


O segundo módulo é muito mais anódino embora também se insira na temática do mundo às avessas, pela inversão de lógica e medidas: a vitória do monstro gigante sobre a liliputiana sociedade humana, trata-se de “King Kong Addition” de Camille Henrot. Um trabalho vídeo de sobreposição de três versões cinematográficas de King Kong projectado em grande ecrã.


Na exposição mais cativante destas “Nouvelles du Monde Renversée” entra-se por uma porta de 1 metro e 20 de altura; entramos num universo onde os habitantes parecem ter saído para ir apanhar lenha na floresta, um mundo de aliens ou de mutantes da humanidade futura, com instrumentos musicais misteriosos, sala de treino físico, jardim pós-nuclear (onde é só a terra que faz o jardim). Todo o percurso é pontuado por filamentos de cobre que nos anunciam a passagem destes seres de palmo e meio.

“Double Bind” é o mundo de Tatiana Trouvé, nascida em Itália, a viver e trabalhar em França. Tatiana criou, desde 1997, um universo artístico evolutivo denominado “Bureau des Activités Implicites”.
Este “escritório” especial tem como principais elementos módulos e polders: os primeiros são lugares de trabalho e concentração, os segundos são espaços em redução, enigmáticos, porque não se sabe exactamente a sua função e são constituídos por elementos heteróclitos.

Chegamos a comunicar com as plantas?

Dentro de uma pequena estufa uma boa centena de plantas verdes convive com instrumentos musicais e os diversos músicos, das mais variadas latitudes sonoras, são convidados a vir tocar para as plantas.
Este “Musique pour plantes vertes” é um dos projectos especiais de Peter Coffin que também apresenta numa outra sala: “êtats: faites-le vous-même” – uma exposição sobre as micro-nações, nações-conceito e nações-maquete.
O próprio artista criou em 2000 a sua própria micro-nação.


O que são as micro-nações? São países (muitas vezes sem território) concebidos por artistas, excêntricos, desiludidos politicamente ou egocêntricos. Emergem da sua imaginação e abraçam um mundo paralelo onde por vezes basta não existirem impostos.


Excentricamente gótico-icónica será a obra de Joe Coleman que desfila entre três paredes do Palais de Tokyo. Estes cerca de vinte trabalhos em pintura, desde o início dos anos 90, são uma mistura de trípticos religiosos ortodoxos com imagens não de santos mas de figuras do cinema e da política internacional. A linguagem BD dos trash “crime comics” americanos, dos anos 5O, está tão presente nas suas obras como os pintores renascentistas italianos.


And last but not the least… Michel Blazy apresenta “Post Patman”, depois de em “5.000 Millions d’années…”, a precedente exposição comissariada por Wahler, ter apresentado a monumental escultura Patman.
Do outro lado de uma gigante cortina de plástico crescem os cogumelos arranha-céus de Michel Blazy, que ocupa toda a ala sul do edifício.
De galinhas negras (trangénicas) a espuma nuclear, produzida nos contentores verdes da Mairie de Paris, o artista cria novas formas de vida, manipuladas cientificamente, cobre as paredes em craquelure de papel de alumínio e pinta nuvens róseas de poluição.


Verfica-se com esta rica e inquietante exposição uma nova corrente de pesquisa artística no Palais de Tokyo.
Há um novo pensamento que subjaz a estas exposições:
A arte aliada à ciência é uma das correntes mais estimulantes da arte contemporânea, mesmo quando se trata da ciência dos sonhos, praticada no mundo do imaterial.

Porquê então anunciar os metros quadrados de obras em exposição?
“Tatiana Trouvé ocupa 500 metros quadrados do edifício com as suas esculturas” tal como na exposição sobre os anos 80 do Museu de Serralves se anunciava esta equação... Será preciso dar uma medida à arte?


Sílvia Guerra