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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Thomas Struth, “Museo del Prado 7â€, Madrid, 2005


Thomas Struth, “Galleria dell’Academia 1. Venezaâ€, 1992. Vista da instalação (Sala 75, Museu Nacional do Prado), Madrid, 2007


Thomas Struth,“Alte Pinakothek, Self-Portrait. Munichâ€, 2000. Vista da instalação (Sala 55b, Museu Nacional do Prado), Madrid, 2007


Thomas Struth,“Alte Pinakothek, Self-Portrait. Munichâ€, 2000

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ARQUIVO:


THOMAS STRUTH

Making Time




MUSEO NACIONAL DEL PRADO
Calle Ruiz de Alarcón 23
28014 Madrid

06 FEV - 25 MAR 2007


Naquela que é sem dúvida uma das mais interessantes exposições actualmente visitáveis na capital espanhola, é possível ver pela primeira vez o resultado da colaboração que o fotógrafo alemão Thomas Struth (n. 1954, Geldern) encetou com o Museu do Prado em 2005, e através da qual somou à sua célebre série “Museum Photographs†um dos principais ícones da cultura europeia. O próprio Museu é agora espaço de acolhimento e objecto da mostra, distribuindo-se pelas suas salas um total de 10 imagens que assinalam momentos-chave no desenvolvimento da série.

Struth iniciou o seu projecto em torno dos espaços museológicos há precisamente duas décadas, ou seja, logo na sequência do emblemático retrato que fez de “Giles Robertson, Edinburgh†(1987), e que o Prado agora também mostra, reconhecendo o seu carácter sui generis e percursor no contexto da série. Trata-se da única imagem que não convoca um espaço expositivo famoso, mas constitui um elo de ligação importante entre a série dos Museus e o ciclo de retratos de indivíduos e grupos familiares que o artista produziu desde meados dos anos 80, nos quais já utilizava a fotografia como uma “ferramenta de origem científica para exploração psicológicaâ€.

No caso deste retrato-charneira, encontramos uma figura masculina da qual sabemos o nome através do título dado à fotografia, mas cujos traços fisionómicos são apenas parcialmente perceptíveis. Giles Robertson surge completamente absorto na leitura de um livro, no interior de uma sala de escala aparentemente doméstica e na qual se destacam três pinturas também antigas, dispostas na parede de fundo que serve de cenário ao retratado. Thomas Struth escolhe dar a ver o ambiente no qual o retratado se insere: ele opta claramente por trabalhar a dimensão psicológica do retrato.

Esta apetência por “retratos psicológicos†tinha sido resolvida de outro modo nos retratos individuais e familiares anteriores, pois era através da postura frontal das pessoas que Struth conhecia e fotografava que nos era devolvido um olhar tão aparentemente directo quanto o nosso enquanto espectadores. Em “Making Time†esse confronto de olhares foi completamente deslocado para o domínio da representação, e as figuras que agora nos olham são as que povoam as pinturas fotografadas no interior dos museus durante as visitas de outros espectadores.
São elas, as pinturas, que agora protagonizam as imagens de Struth. Duplicadas pela fotografia no seu próprio contexto de recepção, têm agora uma outra existência física – plana, lisa, superficial –, mas também um novo tempo: o tempo actual, contemporâneo, da própria imagem fotográfica. São fotografias que disponibilizam um novo olhar sobre a pintura, incorporando o próprio ritual que a celebra.

O museu torna-se assim um espaço de replicação de outros museus através dos seus tesouros mais simbólicos e desdobra-se em geografias que só as imagens permitem extravasar: partindo do Art Institute of Chicago, até à National Gallery de Londres, passando pela Alte Pinakothek de Munique e pela Galleria dell’Accademia de Veneza, ou mesmo pelo Museu Nacional de Tóquio, para afinal, revisitar o próprio Prado a partir do seu interior.

Por isso, o caminho que Thomas Struth desenha na montagem da exposição não podia ser mais eficaz. Aproveitando o encadeamento labiríntico das salas, somos levados a percorrer grandes distâncias entre as suas imagens, visitando ao mesmo tempo a colecção do Museu. É uma outra temporalidade que assim se soma à das imagens, presentificando uma vez mais a experiência da contemplação, da viagem metafórica, da constituição de memória, enfim, a experiência do tempo.

Em “Making Time†(Fazendo o Tempo) Thomas Struth afirma-se não apenas como um exímio construtor do tempo, mas sobretudo como um fazedor de imagens que, ao religar fotografia e pintura, recontextualiza a sua própria história.


Lúcia Marques