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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.


Vista da exposição. Fotografia: Henrique Vieira Ribeiro.

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ARQUIVO:


HENRIQUE VIEIRA RIBEIRO

O ARQUIVISTA. PROJETO CT1LN: PARTE II




MNAC - MUSEU DO CHIADO
Rua Serpa Pinto, 4
1200-444 Lisboa

19 JUN - 13 OUT 2019


 

 

 

Interactivity also provides for artists concerned with social issues the opportunity to involve viewers in very heightened ways.
Rush (1999, p. 203)

 


O Aquivista. Projeto CT1LN: Parte II, de Henrique Vieira Ribeiro, exposição patente no Museu Nacional de Arte Contemporânea, assume uma espécie de sistema de comunicação que interage com o observador. Numa procura de um léxico de um radioamador, o artista projeta-nos para diferentes possibilidades de interrelação. «Conversas» com várias «linhas de campo» que se expandem em várias direções vão sendo construídas. Algumas cruzam-se; outras afastam-se, quer no tempo quer no espaço. Num mundo lusófono, viajamos pelo planeta. E «o visitante é agora o novo viajante», como afirma a curadora Adelaide Ginga.

Da voz, emergem as imagens. Da palavra, surgem pistas indexadas num diálogo codificado. Através de uma dicotomia entre palavra e tema; palavra e imagem; som e frame, o espectador navega numa semântica entre passado e presente, em «ondas» virtuais, simuladas pelos vários cartãos de identidade do protagonista Paulo V., o radioamador que os colecionou e acumulou durante um certo tempo.

Através de «clicking» e «surfing» num mapa-virtual, cuja operação mergulha numa espécie de identidade elaborada pelo autor, o viajante seleciona as suas escolhas.

Palavra versus imagem. Imagem versus palavra. Viajamos através do pensamento. «O pensamento é a palavra expressa, mas antes de ser essa palavra é o impulso a que ela fale e, portanto, de algum modo a sua virtualidade», disse Foucault (1966, p. 38).

O espectador passa a ser o autor do seu percurso. As imagens fluem com o som e a voz. Muda de sentido, continua na «conversa» com Paulo V., num lugar onde agrega o corpo ao virtual. A comunicação flui livrementre da obra de arte para o espectador.

Somos atores nesta encenação. O corpo é um mediador, e o virtual, um traço que deixa de existir. Aspira-se a conexão e a ampliação de um corpo obsoleto, como já descrito Dozois (1999, p. 244): «(…) o corpo está obsoleto e ultrapassado, e deve ser posto a par das novas tecnologias e dos novos espaços virtuais para que seja assegurada a sua viabilidade e a sua imortalidade».

Neste imerso espaço virtual, nasce uma nova poética contemporânea, em que o autor-criador, o artista-arquivista, se transfere para um outro, o autor-espectador, o viajante nesta demanda virtual. Temos também um terceiro elemento oculto nesta questão de alteridade, quando se adiciona ao artista-arquivista um duplo, o radioamador Paulo V., que, quer pela ficção quer pela realidade, cria no espaço virtual o simulacro, numa linha fronteiriça que se desvanece através da distorção do espaciotemporal. Tal como afirma Baudrillard (1981, p. 14): «(…) assim, surge a simulação na fase que nos interessa – uma estratégia de real, de neo-real e de hiper-real, que se faz por todo o lado uma estratégia de dissuação».

Todavia, prevalecem alguns objetos que nos transportam para o passado. Desfragmenta-se o autor num estilhaço caleidoscópico.

 

Vista da exposição Projeto CT1LN. Parte I: “As Viagens de Paulo V.”  Fundação Portuguesa das Comunicações, 18 Maio - 29 Junho, 2019.

 

O arquivo, a coleção de cartões, o microfone, entre outros objetos, são apresentados como elementos fundamentais neste simulacro. Sublinham um outro vínculo à instalação com o Projeto CT1LN. Parte I: “As Viagens de Paulo V.”, exposição exibida anteriormente na Fundação Portuguesa das Comunicações.

 

Vista da exposição Projeto CT1LN. Parte I: “As Viagens de Paulo V.”  Fundação Portuguesa das Comunicações, 18 Maio - 29 Junho, 2019.

 

Apresentam-se, assim, duas faces da mesma moeda, complementares. As exposições refletem o mesmo universo numa linha temporal paralela, que acentua o paradoxo entre virtual e real. Códigos e gestos delineiam sistemas de «conversas». Mapas coexistem com tempo. Na esfera da comunicação e da linguagem, extravasam o «eu» para o «outro», o «local» para o «global».

 

Vista da exposição Projeto CT1LN. Parte I: “As Viagens de Paulo V.”  Fundação Portuguesa das Comunicações, 18 Maio - 29 Junho, 2019.

 

No aqui e agora. Percecionamos objetos e imagens, sons e constelações de comunicações, bem como infinitos globos.

Som. Ouvimos um monólogo. Som.

Somos ouvintes e observadores. Viajamos no local. Sentimos o ritual. O ponto de partida para uma longa viagem.

Retornamos, desta forma, ao arquivista, um criador de mapas sem território, cuja curvatura do espaço finda num sistema de signos e de referências linguísticas aparentemente aleatórias e caóticas, divergindo em múltiplas possibilidades, tantas quanto possível ao imaginário que cada um possa gerar:

 

Este imaginário da representação, que culmina e ao mesmo tempo se afunda no projecto louco dos cartógrafos, de uma coextensividade ideal do mapa e do território, desaparece na simulação – cuja operação é nuclear e genérica e já não espectacular e discursiva. (…) É apenas operacional. Na verdade, já não é real, pois já não está envolto em nenhum imaginário. É hiper--real, produto de síntese irradiando modelos combinatórios num hiperespaço sem atmosfera. (Baudrillard, 1981, p. 8)

 

 



JOANA CONSIGLIERI