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TRÊS MILHÕES DE VISITANTES MARCARAM A PRIMEIRA DÉCADA DO MAAT2026-10-05Foi importante transformar um museu que era uma curiosidade, inicialmente, quando inaugurou, devido à sua arquitetura. E agora que as pessoas identificam o museu pela forma, [que] passem também a identificar pelo conteúdo", disse João Pinharanda, a propósito do décimo aniversário do museu O MAAT abriu ao público em 2016, com um edifício concebido pelo estúdio britânico AL_A, de Amanda Levete, alterando a paisagem da frente ribeirinha de Belém. A instituição integra também a Central Tejo, antiga central termoelétrica construída em 1908 e reconvertida em espaço museológico, estando os dois edifícios ligados por um jardim desenhado pelo arquiteto paisagista Vladimir Djurovic. Para Pinharanda, que regressou ao museu em 2021 e assumiu a direção em 2022, a identidade da instituição resulta de várias dimensões, desde a localização e a história do território, na zona de Belém, até à coleção de património energético, à exposição e coleção de arte contemporânea portuguesa e à apresentação de artistas internacionais. "O próprio local chama-nos a tocar certos temas", considerou, referindo a ecologia, o clima, a transição energética e os problemas da poluição, numa relação direta com o estuário do Tejo e a paisagem envolvente, como inspiração para desenhar o programa expositivo. A história de Belém é outra das linhas de trabalho do museu, pela ligação à expansão marítima portuguesa, a partida das naus e a chegada de pessoas escravizadas, lembrou o historiador de arte, acrescentando que o MAAT já abordou estes assuntos através de exposições, procurando relacionar o passado do território com questões contemporâneas. Por outro lado, Pinharanda sublinhou que a programação de arte contemporânea também contribui para a diversidade de linguagens que o MAAT procura acolher, ao mesmo tempo que a Fundação EDP, através da sua coleção de arte, e dos prémios para novos artistas e consagrados, "permitem acompanhar diferentes momentos da arte portuguesa, desde artistas em início de percurso até nomes com reconhecimento consolidado". Este ano, o Grande Prémio Fundação EDP Arte distinguiu o artista João Penalva, e os finalistas do Prémio Fundação EDP Novos Artistas "deverão ser anunciados muito em breve". Para Pinharanda, a atribuição regular dos prémios representa "um compromisso com a história de Portugal e da arte portuguesa", a par da vocação internacional do museu, que apresentou artistas como Miriam Cahn e Jeff Wall, em 2025. O MAAT tem também procurado fazer circular no estrangeiro exposições concebidas em Portugal. O diretor destacou as apresentações internacionais de trabalhos de Vivian Suter no Palais de Tokyo, em Paris, e de Ernesto Neto no Grand Palais, em França, além de peças produzidas pelo museu que já integraram exposições no estrangeiro. Ainda assim, considera que a projeção internacional dos artistas portugueses enfrenta dificuldades associadas à dimensão do mercado nacional e à falta de estruturas de promoção comparáveis às de países como Espanha ou França. "O mercado português é tão frágil", avaliou, observando que a circulação internacional de artistas como Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis ou Joana Vasconcelos dependeu sobretudo do esforço individual destes artistas. Na sua perspetiva, o museu pode contribuir para essa projeção, mas não consegue substituir o papel das galerias, das feiras e das políticas públicas de promoção cultural. As comemorações do décimo aniversário do MAAT decorrem esta segunda-feira, com visitas guiadas, oficinas, uma performance de ópera e um mercado solidário, entre outras iniciativas. Coincide com a apresentação de três novas exposições: "Venus– Valentino Garavani pelo olhar de Joana Vasconcelos", "New Age", de João Pimenta Gomes, e "Expor, publicar: o MAAT impresso (2016–2026)", dedicada à produção editorial do museu. |















