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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço (pormenor), Galeria Quadrum, 2025. © Beatriz Galardini


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço (pormenor), Galeria Quadrum, 2025. © Beatriz Galardini


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço (pormenor), Galeria Quadrum, 2025. © Beatriz Galardini


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço (pormenor), Galeria Quadrum, 2025. © Beatriz Galardini


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes


Fera Utopia, 2023, Denilson Baniwa, em colaboração com Thiago da Costa Oliveira. Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. Cortesia dos artistas © Bruno Lopes


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço (pormenor), Galeria Quadrum, 2025. © Beatriz Galardini


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © EGEAC, José Frade


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © EGEAC, José Frade


Vista de exposição, Denilson Baniwa, Contra-feitiço, Galeria Quadrum, 2025. © Bruno Lopes

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ARQUIVO:


DENILSON BANIWA

CONTRA-FEITIÇO




GALERIAS MUNICIPAIS - GALERIA QUADRUM
Palácio dos Coruchéus, Rua Alberto Oliveira nº 52
1700-019 Lisboa

23 OUT - 15 FEV 2026

Insurgências poéticas na obra de Denilson Baniwa

 


A primeira exposição individual de Denilson Baniwa em Lisboa, Contra-Feitiço, na Galeria Quadrum, configura uma presença simultaneamente política e ancestral. Com curadoria de Ritó Natálio e em diálogo com a rede Terra Batida, Baniwa desloca imagens históricas e reinterpreta acervos iconográficos que sustentam imaginários coloniais, afirmando a potência e a autonomia das narrativas indígenas. Segundo a curadora, a mostra propõe um deslocamento sensível dos acervos e uma reapropriação crítica das imagens coloniais, abrindo espaço para a manifestação e a voz dos povos indígenas no cenário contemporâneo (Natálio, texto curatorial de Contra-Feitiço, 2024).

Nascido em Barcelos, no Amazonas, Denilson Baniwa desenvolve uma prática que atravessa múltiplas linguagens, como pintura, desenho, performance, intervenção digital e apropriações críticas de acervos iconográficos. Cada gesto que compõe sua produção configura-se como uma insurgência poética, capaz de tensionar as estruturas que ainda organizam a memória ‘oficial’, abrindo brechas por onde outras histórias, cosmovisões e narrativas podem emergir. Fica evidente, ao percorrer a galeria, o potencial da arte como espaço de cura e de confronto, articulando de forma indissociável dimensões éticas, espirituais e políticas.

O conceito de contra-feitiço se conecta ao feitiço colonial, que transforma elementos das culturas indígenas em fetiches ou mercadorias, funcionando como instrumento de controle simbólico e cultural. Diante das obras, observa-se como o gesto de Baniwa subverte a lógica colonial, questionando quem detém o poder sobre a memória e a narrativa, ressignificando imagens para restaurar protagonismo. Ao reorganizar acervos coloniais, Baniwa pratica esse contra-feitiço, revertendo o feitiço colonial que transformou territórios, seres humanos e não-humanos em objetos de consumo e espetáculo, reafirmando a identidade indígena. Essa desprogramação atravessa o espectador, provocando uma experiência de tensão, reflexão e consciência sobre a resistência indígena, evidenciando um gesto insurgente que desfaz a dominação colonial e afirma a criação contínua das culturas indígenas.

Logo na entrada, o chão deixa de ser suporte neutro, cartazes coloridos e vibrantes se oferecem aos pés do visitante, convocando o corpo a atravessar a obra e a se confrontar com ela desde os primeiros passos. Neles, lê-se a frase “Lisboa é terra indígena”, que afirma que o pensamento e a continuidade indígena não se limitam à geografia da floresta, funcionando como performance permanente. Ao percorrer a exposição, torna-se notória a forma como a presença ancestral e o território se articulam no espaço, ao mesmo tempo que esses cartazes evocam a memória de objetos sagrados aprisionados em museus e arquivos históricos e etnográficos de Lisboa e Coimbra, como, por exemplo, o manto ritualístico. A atuação deste trabalho provoca a reflexão sobre a persistência do colonialismo nas instituições ocidentais, suscitando a consciência da continuidade e existência indígena.

No percurso da exposição, a série Rasuras (2025) merece atenção especial. Nela, Baniwa intervém sobre impressões digitais em tecido do acervo do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, disponibilizadas pelo Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa. As obras tornam visível a dívida histórica do etnocídio contra os povos indígenas e revelam como os acervos iconográficos reforçaram a mercantilização de objetos sagrados, das vidas indígenas e da fauna e flora local.

Nesse gesto, a obra estabelece um diálogo com o pensamento do ativista e escritor Ailton Krenak, autor de Ideias para Adiar o Fim do Mundo (2019), que alerta para a necessidade de desestabilizar as lógicas de dominação antropocêntrica que estruturam nossa relação com o mundo. Como ressalta Krenak, “talvez estejamos muito condicionados a uma ideia de ser humano e a um tipo de existência; se desestabilizarmos esse padrão, nossa mente poderá sofrer uma ruptura, como se caíssemos em um abismo. Mas quem disse que não podemos cair? Quem disse que já não caímos?” (Krenak, 2019). A obra de Baniwa ecoa com o pensamento de Krenak, evidenciando a necessidade de repensar as estruturas que condicionam nossa relação com o meio em que vivemos e com as formas de existência.

O artista amplia sua crítica ao intervir em imagens do acervo colonial, inserindo nos corpos representados elementos da cultura visual contemporânea, como marcas globais, objetos tecnológicos e signos da vida urbana para deslocar a percepção do espectador e provocar um choque visual, rompendo estereótipos que associam os povos indígenas a um passado fixo, alheio à modernidade. Ao evidenciar que o uso de roupas de marca ou de aparelhos tecnológicos não implica a perda da identidade indígena, Denilson afirma a contemporaneidade desses povos, reposicionando a tecnologia como instrumento de comunicação, resistência e afirmação política.

É possível notar também que Baniwa articula imagem e palavra em obras de grande escala, incorporando inscrições textuais que funcionam como camadas de leitura crítica. Pintadas à mão, de forma sutil, sobre o tecido impresso, essas frases exigem aproximação física, instaurando um gesto de atenção e escuta que se contrapõe ao distanciamento do olhar museológico dominante. Entre estas frases, destaca-se “Pensamentos decoloniais em conflito com a conta de energia elétrica atrasada”, que emerge da cabeça de um homem indígena, expondo o choque entre a produção de pensamento crítico e as urgências concretas da vida cotidiana, revelando sujeitos indígenas atravessados por responsabilidades econômicas e desigualdades estruturais.

Outras frases, como “todo acervo fechado é uma coleção de mortos, sem ânimo, sem paixão”, denunciam o carácter fetichista das coleções coloniais, em que corpos, objetos e até espíritos de animais permanecem aprisionados. Já a pergunta “Mas afinal, o que é arte?” desloca o debate para o campo artístico, convidando o público a refletir sobre os critérios institucionais que definem o que é considerado arte e quem detém o poder de legitimá-la. Ao condicionar a compreensão da crítica a um gesto ativo de aproximação e atenção, Baniwa transforma sua prática em ato político, revelando que palavra e imagem juntas têm o poder de questionar as narrativas e os sistemas de poder que determinam o que pode ser visto, preservado e reconhecido como arte.

No contexto português, marcado por camadas profundas e frequentemente naturalizadas de colonialidade, a exposição assume uma relevância particular. Ela convida o público a rever posições, a reconhecer implicações históricas e a compreender que a arte indígena não é um campo apartado da arte contemporânea. Nesse movimento, Baniwa desloca não apenas imagens, mas também parâmetros de leitura, exigindo outras formas de olhar e, sobretudo, outras formas de se relacionar com o que é visto.

Em síntese, o trabalho de Denilson Baniwa é profundamente admirável, não apenas pela escala ou técnica, mas pelo seu caráter educativo e transformador. Sua produção é tão extensa, complexa e multifacetada que qualquer tentativa de resumir ou condensar seu significado se mostra insuficiente, sendo quase impossível abarcar plenamente a profundidade de seus gestos, suas intervenções e o impacto crítico que provocam. O seu trabalho, enquanto prática artística epistemológica, não se limita a ser contemplado, ele exige engajamento, atenção e abertura para questionar estruturas de poder, saberes históricos e formas de legitimidade cultural.

 

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A partir desse encontro com a exposição e de suas reverberações realizou-se uma entrevista com o artista. Esta aprofunda as principais questões que atravessam sua prática, tais como a relação com acervos coloniais, a urgência da reconfiguração das imagens, os caminhos de resistência, cura e criação. Foi neste sentido, que refletimos também sobre o papel da arte enquanto potência político-espiritual na afirmação de retomadas históricas e imagéticas, que conectam passado e presente, reposicionando os povos indígenas como protagonistas de suas próprias narrativas.

 

BG: Você costuma dizer que a arte é uma forma de retomar narrativas e memórias do seu povo. Como essa relação entre arte, resistência e ancestralidade se formou no seu percurso?

DB: A arte, pra mim, sempre foi um território de retomada. Eu nasci em uma comunidade Baniwa, no alto Rio Negro, onde a oralidade, o mito e a imagem são partes vivas do cotidiano. Quando entrei em contato com o mundo da arte contemporânea, percebi que podia usar essa linguagem para reativar memórias que o colonialismo tentou silenciar. A arte se tornou o espaço onde posso fazer o que meus ancestrais sempre fizeram: contar histórias, ensinar e resistir. Só que agora com outras ferramentas — tinta, vídeo, performance —, mas com o mesmo propósito: continuar existindo e afirmando que o nosso pensamento segue vivo.


BG: O título Contra-Feitiço é muito simbólico. O que ele representa dentro do contexto da exposição e da sua trajetória como artista indígena contemporâneo?

DB: O contra-feitiço é uma resposta ao feitiço colonial. O colonialismo não é apenas um processo histórico, ele é também uma forma de encantamento perverso, que faz o mundo acreditar em certas hierarquias, em certas verdades sobre quem é humano e quem não é. O contra-feitiço é o gesto de desfazer esse encantamento — reverter o feitiço — e, ao mesmo tempo, criar novos modos de ver, sentir e existir. É também um movimento espiritual, porque o feitiço se combate com outro feitiço, com saberes, cantos e imagens capazes de curar.

 

BG: Na exposição, você parte de imagens históricas e museológicas, representações produzidas pelo imaginário colonial sobre os povos indígenas. Como foi o processo de pesquisa e de escolha desses registros? E de que forma, ao reconfigurar criticamente essas imagens, você também as descoloniza e reencanta, transformando registros de dominação em espaços de potência e retomada?

DB: Essas imagens coloniais sempre me inquietaram. Elas foram produzidas para capturar, classificar e controlar nossos corpos e saberes. Então decidi enfrentá-las, olhar de volta. O processo começa com pesquisa em acervos e arquivos — museus, catálogos, coleções
—,e depois vem o gesto de deslocar essas imagens, de devolver-lhes outra energia. Ao sobrepor, redesenhar ou misturar elementos da cosmologia Baniwa, crio uma espécie de desobediência visual: as imagens deixam de ser documentos da dominação e passam a ser portais de retorno. Elas se transformam em lugares de potência, onde o que era visto como exótico agora se afirma como sagrado e contemporâneo.


BG: Ao transformar essas imagens coloniais, você cria um gesto de enfrentamento, mas também de cura. Que papel a arte desempenha nesse processo de cura pessoal, coletiva ou simbólica?

 A cura é central no meu trabalho. Quando mexo nessas imagens, não é só um gesto político, é também espiritual. Estou tentando curar uma ferida que é histórica, mas também íntima. A arte me permite reequilibrar forças, reconectar o que foi separado — o corpo e o espírito, o humano e a floresta, o passado e o futuro. No pensamento indígena, tudo está interligado. Então, quando uma imagem é curada, o mundo também é um pouco curado.


BG: Esta é a sua primeira exposição individual em Lisboa. Como foi trazer um trabalho tão conectado ao território amazônico para um espaço europeu? E como tem sido o diálogo com o público português, considerando que o país carrega uma herança colonial que o seu trabalho confronta?

DB: Trazer a Amazônia para Lisboa é como fazer o rio correr em outra direção. É uma inversão simbólica: agora somos nós que atravessamos o oceano, levando nossos espíritos, nossas imagens e nossas vozes. É um gesto de retomada, mas também de diálogo. Tenho sentido que o público português está aberto, curioso, às vezes desconcertado — e isso é bom. O desconforto faz parte do processo de cura. O importante é que essa exposição abre brechas para uma escuta real, para um reconhecimento da história e para a construção de outras relações possíveis.


BG: Nos cartazes “Lisboa terra indígena”, há uma afirmação potente que desloca a ideia de pertencimento e reivindica uma presença indígena para além das fronteiras geográficas. Como essa afirmação se relaciona com o fato de tantos objetos sagrados indígenas estarem aprisionados em museus portugueses, objetos que também pertencem a essa terra indígena que você reivindica? E de que maneira essa obra tensiona as imagens coloniais ainda projetadas sobre os corpos indígenas?

DB: Quando escrevo “Lisboa terra indígena”, estou afirmando que o pensamento indígena não está limitado à geografia da floresta. Ele pode habitar qualquer lugar. A presença indígena é espiritual, política e cosmológica. Dizer que Lisboa é terra indígena é também lembrar que muitos dos nossos objetos sagrados, sequestrados durante o colonialismo, estão aqui — e que eles continuam vivos, pulsando dentro dos museus. Essa obra é uma forma de convocar esses espíritos de volta à conversa, de reativar suas forças. Ela também desafia as imagens coloniais ainda projetadas sobre nós, mostrando que ser indígena é ocupar o mundo inteiro com outras formas de existência.

 

BG: O seu trabalho traz uma dimensão espiritual muito presente, uma espécie de diálogo com os encantados, com o território e com a ancestralidade. Como a espiritualidade atravessa o seu fazer artístico?

DB: A espiritualidade é o eixo do meu trabalho. Eu não separo arte e espiritualidade — elas nascem do mesmo lugar. Quando crio, estou em diálogo com meus ancestrais, com os encantados, com as forças da natureza. A arte é o meio pelo qual essa conversa acontece. Não é uma metáfora: é uma prática. Cada imagem, cada gesto, é um modo de manter essa conexão viva.


BG: Você acredita que a arte pode ser uma forma de feitiço, de reencantamento do mundo?

DB: Sim, absolutamente. A arte é um feitiço — no sentido mais bonito da palavra. É o poder de transformar a realidade, de abrir outras dimensões de percepção. O mundo foi desencantado pelo pensamento ocidental, que separou tudo e esvaziou o sentido do sagrado. O que faço é tentar reencantar o mundo, devolver à imagem sua força mágica, simbólica e espiritual.


BG: A arte indígena contemporânea vem ganhando cada vez mais visibilidade e força. Que caminhos você enxerga sendo abertos por essa geração de artistas? E o que ainda precisa ser transformado dentro das instituições e dos espaços da arte?

DB: Vejo uma geração de artistas indígenas muito potente, que não está pedindo espaço — está criando seus próprios espaços. Essa presença muda as estruturas da arte, porque traz outras epistemologias, outras formas de pensar e de estar no mundo. Mas ainda há muito a transformar. As instituições precisam ir além da inclusão simbólica e repensar suas práticas, suas coleções, suas narrativas. Descolonizar não é só abrir espaço, é mudar o modo de olhar.


BG: Que tipo de transformação, reflexão ou encantamento você espera despertar no público que visita Contra-Feitiço?

DB: Mais do que provocar uma transformação imediata, eu espero despertar uma escuta. Que o público possa se permitir ser afetado por outras formas de pensar e existir no mundo. Contra-Feitiço não é uma exposição sobre o passado, mas um chamado para o presente — para repensar o que chamamos de humanidade, de natureza, de conhecimento. Se o visitante sair com o coração e os olhos um pouco mais abertos, se sentir que há forças e presenças que não cabem nas categorias ocidentais, então o feitiço já começou a funcionar.

 


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Referências bibliográficas

Krenak, A. (2019). Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras.

 


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Denilson Baniwa
(1984, Barcelos, Amazonas, Brasil) é um artista brasileiro que desenvolve trabalhos em múltiplas linguagens, incluindo pintura, desenho, performance e intervenções digitais. Sua prática explora territórios e identidades, conectando memória, ancestralidade e resistência política. Por meio dessas linguagens, Denilson provoca reflexões sobre o papel da arte na afirmação de comunidades indígenas e na relação ética com os mundos humanos e não humanos, oferecendo perspectivas que desafiam narrativas coloniais e abrem espaço para novos modos de habitar o mundo.
Ganhou o prêmio PIPA 2019. Como curador, assinou a série Mekukradjá (2016/2019), evento do Itaú Cultural, a exposição Reantropofagia (2019), na galeria da Universidade Federal Fluminense (UFF), e o Pavilhão do Brasil – renomeado Hãhãwpuá – na Bienal de Veneza de 2024, juntamente com Arissana Pataxó e Gustavo Caboco Wapichan. Entre as suas produções como artista, destacam-se as performances "Pajé-onça - hackeando a 33° Bienal de Artes de São Paulo" (2018), "Sawé" (2018/19) no SESC-SP, "Vaievem" (2019) no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, "Vexoá" (2020) na Pinacoteca de São Paulo, "Memórias de um Brasil Profundo" (2019) no Museu Afro Brasil. Participou, em 2019, do Arctic Amazon Symposium, no Canadá, e em 2021 na Bienal de Sidney, na Austrália, entre outros.


Beatriz Galardini
(São Paulo, Brasil, 1999) É artista visual e pesquisadora em formação pela Universidade Estadual de Santa Catarina, atualmente em intercâmbio na Universidade Lusófona, em Lisboa. Sua pesquisa parte de um desejo de reencantamento do mundo, em diálogo com cosmovisões contracoloniais e saberes ancestrais, propondo movimentos de retomada que evocam memórias de apagamentos e imaginam futuros onde cura, afeto e insurgência se entrelaçam. Entre colagens digitais, cerâmicas, publicações e performances, constrói uma poética que nasce da escuta, do gesto e da relação com a Terra. Seu trabalho atravessa temas como corpo-território, ancestralidade, memória e questões ambientais. Participou de exposições, residências artísticas e performances, além de atuar como arte-educadora, mediadora e curadora.



BEATRIZ GALARDINI